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Pesquisadores desenvolvem nova dieta para o estudo da obesidade em modelos animais

O trabalho, que também comparou os efeitos de diferentes tipos de dieta no organismo, destacou os impactos de alimentos ultraprocessados sobre a microbiota intestinal
29/12/2017 14:17

A obesidade é um problema de saúde pública de dimensões crescentes. Em 2015, segundo estudo publicado na revista médica New England Journal of Medicine, a condição atingia mais de 603 milhões de adultos e de 107 milhões de crianças em todo o mundo. A mesma pesquisa revela que o percentual de pessoas obesas dobrou em 73 países desde 1980. No Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde, uma em cada cinco pessoas está acima do peso recomendado, e a prevalência da obesidade passou de 11,8%, em 2006, para 18,9%, em 2016. O crescimento da obesidade também pode ter colaborado para o aumento da prevalência de diabetes e hipertensão, entre outras enfermidades que estão diretamente relacionadas ao excesso de peso.

Dada a relevância da questão, é essencial que cientistas disponham de modelos confiáveis para o estudo dos mecanismos e dos efeitos da obesidade no organismo. Para as pesquisas que demandam a utilização de animais – como ratos e camundongos, por exemplo –, é bastante comum alimentá-los com dietas específicas que induzam o aumento de peso, possibilitando que os pesquisadores observem, no ambiente controlado do laboratório, as diversas variáveis relacionadas à obesidade.

Atualmente, as duas dietas mais utilizadas nesses casos são a Dieta Hiperlipídica, baseada numa alimentação com alto teor de gordura, e a Dieta de Cafeteria – na qual são comprados diferentes tipos de alimentos industrializados, como chocolates, biscoitos, salgadinhos, queijos, etc. Ambas, entretanto, são alvos de questionamentos em relação à sua efetividade e à falta de padronização, que pode influenciar nos resultados obtidos por cada grupo de pesquisa. No caso da Dieta Hiperlipídica, o teor de gordura dos alimentos pode variar de 20% a 60%. A Dieta de Cafeteria, por sua vez, além de estar sujeita a variações em relação aos alimentos encontrados em cada país, mesmo em nível regional, não possui padronização. Como comenta Rafael Bortolin, doutorando no Programa de Pós-graduação em Bioquímica da UFRGS, mesmo dentro da Universidade, diferentes grupos utilizam protocolos bem variados entre si.

Foi com a intenção de eliminar as desvantagens dessas dietas obesogênicas que Bortolin se dedicou a desenvolver uma nova dieta para a indução de obesidade em animais, chamada Dieta Ocidental. Baseada nos parâmetros de consumo de adultos dos Estados Unidos – país em que 70,7% das pessoas com mais de 20 anos possuem obesidade ou sobrepeso, conforme o Centro Nacional de Estatística em Saúde dos Estados Unidos –, a dieta teve sua efetividade testada a partir da comparação com as dietas Hiperlipídica e de Cafeteria. Os resultados do estudo, que faz parte da pesquisa de doutorado de Bortolin, foram publicados na revista International Journal of Obesity.

A matéria completa pode ser lida no UFRGS Ciência.

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