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Pós-doutoranda na UFRGS conquista prêmio da Alzheimer's Association

A bolsa de pesquisa individual no valor de US$ 175 mil será aplicada em três anos em pesquisa sobre quadro de demência em pessoas que deixaram a UTI
03/03/2022 14:56

Toda a trajetória acadêmica de Débora Guerini de Souza foi trilhada na UFRGS: da graduação em Farmácia à obtenção dos graus de mestra e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas: Bioquímica (PPGBioq). A atual pós-doutoranda no Departamento de Bioquímica da Universidade conquistou o prêmio Alzheimer's Association Research Fellowship to Promote Diversity (AARF-D).

Destinada para cientistas que compõem grupos pouco representados, como é o caso dos sul-americanos, a bolsa de pesquisa individual no valor de US$ 175 mil será aplicada num prazo de três anos para o desenvolvimento de pesquisas na área de doenças críticas e biomarcadores de demência.

A pesquisa de Débora busca, há cerca de 12 anos – quando começou o mestrado –, entender melhor a função astrocitária e o envelhecimento cerebral, especialmente em seus aspectos neuroquímicos. “Os astrócitos são células em formato de estrela que possuímos no cérebro. São células ‘parceiras’ dos neurônios que nos ajudam a pensar, sentir, lembrar, nos movimentar, enfim, a fazer tudo o que fazemos. Nos últimos anos, passei do estudo com animais de experimentação para projetos envolvendo humanos, tentando compreender melhor como a demência surge, o que, consequentemente, pode nos ajudar a entender como combatê-la”, explica a cientista.

O foco deste estudo será tentar descobrir, por meio de exames de sangue que analisam especificamente moléculas liberadas por astrócitos, por que pessoas egressas de UTIs (e, portanto, que tiveram uma doença grave) têm mais chances de desenvolver demência do que as demais. Esse tópico é ainda uma incógnita para a ciência e é cada vez mais relevante, considerando os possíveis efeitos a longo prazo da covid-19.

As investigações serão conduzidas por Débora e contarão com uma equipe multidisciplinar, com colaboração internacional, e o seu laboratório estará vinculado ao Departamento do Bioquímica da UFRGS/Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas: Bioquímica. Para acontecer, a pesquisa vai envolver, ainda, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). “São dois importantes centros de geração de conhecimento no Sul do país. O prêmio é um grande incentivo para promover pesquisa de alta qualidade fora do circuito tradicional Europa-Estados Unidos”, frisa ela.

Heather Snyder, vice-presidente de relações médicas e científicas da Alzheimer's Association, diz que a doença de Alzheimer é uma crise global de saúde pública e exige uma solução global. “Como o maior financiador de pesquisas sobre demência no mundo, a Alzheimer's Association tem orgulho de financiar o trabalho de Débora, o qual visa compreender melhor o comprometimento cognitivo e a demência no Brasil”, afirma Snyder.

Para a pesquisadora brasileira, receber o prêmio da Alzheimer's Association ainda é imensurável e representa o reconhecimento da sua trajetória até agora. “Essa é uma demonstração de confiança incomparável, como também um importante sinal de esperança para a pesquisa no Brasil”.

 

A bolsa

O prêmio Alzheimer's Association Research Fellowship to Promote Diversity (AARF-D) destina-se a apoiar cientistas de grupos sub-representados que estão trabalhando na pesquisa da doença de Alzheimer ou de todas as outras demências. A seleção é internacional e recebe inúmeros pedidos todos os anos. Entretanto, entram neste grupo candidatos oriundos de nações economicamente em desenvolvimento, como países da África, Ásia e América Latina. “Nós, sul-americanos, somos elegíveis ao programa, e esses critérios promovem a diversidade na ciência”, salienta Débora.

Demência é uma desordem que afeta tanto a capacidade cognitiva como a capacidade funcional do indivíduo. O Alzheimer corresponde a cerca de 60 a 70% de casos de demência no mundo. Segundo Débora, a demência está crescendo muito nas últimas décadas. “Por isso é de grande relevância verificar o que está sendo alterado no cérebro, pois apenas entendendo como o quadro surge (o ‘por quê’ de a pessoa ficar doente) é que poderemos usar e criar ferramentas para tratá-lo, ou pelo menos, tentar preveni-lo”, explica ela.

 

Leia mais sobre demência na reportagem científica Racismo estrutural na saúde: negros morrem mais por demência do que brancos

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