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Praticando palhaçarias durante a Covid-19

Voltado a pessoas com afasia, projeto de extensão Palhafasia faz uso de tecnologias para manter interação com participantes durante a pandemia
29/05/2020 16:25

Incerteza, tristeza e angústia são alguns dos sentimentos que, em diferentes intensidades, estão muito presentes durante a pandemia de Covid-19. O momento ainda impõe distanciamento social e a suspensão de atividades presenciais importantes para o bem-estar de muitas pessoas. Esse cenário está desafiando os profissionais a buscarem alternativas para dar prosseguimento a projetos que não podem parar, não só porque apresentam resultados positivos na melhoria da qualidade de vida dos seus participantes, mas também porque ajudam a suportar com mais leveza e alegria o distanciamento social. O projeto de extensão Palhafasia, do Núcleo de Reabilitação em Linguagem e Inclusão (Relinc), do Instituto de Psicologia, é um desses. Os participantes são pessoas com afasia, que têm uma condição de dificuldade de expressão e/ou compreensão pela linguagem oral devido a lesões cerebrais.

O projeto funciona como um grupo de teatro afásico, cuja proposta é usar a linguagem clown, do palhaço, como forma de expressão. Antes da pandemia de Covid-19, os participantes reuniam-se semanalmente para a prática da arte clownesca. A coordenadora do Palhafasia, professora do curso de Fonoaudiologia e coordenadora do Relinc, Lenisa Brandão, explica que, com a impossibilidade de seguir com os encontros presenciais, a alternativa foi oferecer aos participantes um grupo de auxílio no whatsapp e telefonemas de apoio para quem não tem internet em casa. Além da interação diária no grupo de whatsapp, também são realizadas chamadas de vídeo individuais ou para duplas, e estão em experimentação possibilidades de encontros virtuais de palhaçaria usando a ferramenta Zoom.

A coordenadora destaca que praticar a arte clownesca por meios digitais é possível, mas ainda é um desafio. “Nosso grupo sempre trabalhou muito com atividades grupais que envolvem o corpo todo. Mas conseguimos realizar pequenos vídeos quando cada palhaço é individualmente incentivado por nossa proposta”, explica. Ela acrescenta que o grupo foi buscar inspiração no trabalho desenvolvido por professoras do curso de Dança da UFRGS: “As professoras Carla Vendramin e Aline Hass têm nos mostrado que esse caminho é possível. Se conseguirmos funcionar bem com o grupo no Zoom, aí sim teremos uma possibilidade mais rica de interação por meio de brincadeiras e improvisos clownescos”. Nesta sexta-feira, 29, foi feita a primeira experiência usando o Zoom, com a participação de alguns integrantes. “Fizemos dança, brincadeiras, foi muito gostoso”, comemora Lenisa. A ideia é que na próxima semana todo o grupo possa participar, fazendo em casa as atividades que normalmente eram feitas presencialmente. Outra novidade prevista é um canal do projeto no Youtube, que também funcionará para propor e guiar as atividades de palhaçaria do grupo.

O apoio oferecido por whatsapp e telefone também tem apresentado resultados positivos, conforme relata a coordenadora: “Já tivemos situações bem difíceis, em que acionamos assistente social de posto de saúde e terapeuta ocupacional do Caps (Centro de Atenção Psicossocial), grandes parceiras para superar questões emocionais desafiadoras que levavam ao não cumprimento do isolamento ou ao não tratamento de doenças graves devido ao medo do coronavírus”. O projeto também conta com a colaboração de colegas do curso de Psicologia que acionam rede de cuidados ou se prontificam a atuar voluntariamente realizando atendimentos online quando necessário.

Lenisa destaca que recebe dos participantes relatos emocionantes a respeito da iniciativa: “Todos os dias eles mencionam que acordam já querendo entrar em contato com o grupo”. Acrescenta, ainda, que uma das participantes que não têm acesso ao whatsapp contou que estava realizando em casa, sozinha, um dos exercícios de aquecimento que costumava fazer nos encontros como forma de se acalmar quando se sentia nervosa e preocupada. “Isso me mostrou o quanto o nosso trabalho é necessário, especialmente nesse momento”, afirma a coordenadora.

O grupo do Palhafasia, além de 12 participantes e da coordenadora, conta com a fonoaudióloga Magda Aline Bauer (que também atua na coordenação) e mais cinco alunas do curso de Fonoaudiologia. Neste momento, o psicólogo Sérgio Duarte Júnior e a fonoaudióloga Camila Grigol acompanham o grupo de apoio no whatsapp. Lenisa faz um convite para quem quiser colaborar com o projeto: “Estamos abertos à colaboração de mais voluntários de diferentes áreas, que tenham condições de acesso à internet, motivação e disponibilidade de tempo”.

Saiba mais sobre o Palhafasia assistindo ao vídeo do Projeto no YouTube.

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