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Professor da Matemática divulga projeções que mostram eficácia do isolamento social em Porto Alegre

Em série de vídeos no YouTube, Álvaro Ramos analisa dados sobre a Covid-19 na capital gaúcha e busca conscientizar a população sobre a importância das medidas que restringem a circulação na cidade
08/04/2020 17:33

Se não tivessem sido adotadas medidas de isolamento social, Porto Alegre poderia ter registrado em 2 de abril 12 mil casos graves de Covid-19. A projeção é resultado de estudo realizado pelo professor do Departamento de Matemática Pura e Aplicada da UFRGS Álvaro Krüger Ramos. A estimativa se baseia na evolução do número de casos registrados na Capital antes e depois da adoção das medidas de restrição de circulação.

Tais números ganharam visibilidade, porque o professor decidiu gravar vídeos explicativos e divulgá-los no YouTube. De forma bem didática, Ramos, que confessa ser apaixonado pela docência, analisa os dados em gráficos e mostra que os casos graves de Covid-19 em Porto Alegre tiveram ritmo de crescimento diminuído depois de iniciado o isolamento social. Segundo o docente, se fosse mantida a velocidade de propagação da doença registrada entre os dias 8 e 17 de março, Porto Alegre teria tido 2,4 mil pacientes muito graves (cerca de 5% do total de casos graves estimados), que poderiam ter precisado de internação em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) em 2 de abril. A projeção mostra que o município, que dispõe de 525 leitos em UTIs, já estaria enfrentando o colapso do sistema de saúde. Os dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) – em que se baseiam as projeções de Ramos – revelam que o padrão exponencial de crescimento inicial não foi mantido, pois em 2 de abril Porto Alegre tinha 227 casos de Covid-19. Em relação às UTIS, conforme os registros da SMS, havia, no dia 2 de abril, 26 pacientes internados nessas unidades com diagnóstico confirmado da doença.

O professor explica que fez a projeção com base no número de casos graves, que são os dados disponíveis, já que apenas os pacientes internados em hospitais e profissionais de saúde com suspeitas de Covid-19 estão sendo testados em Porto Alegre. Ramos ressalta que seu estudo é bastante simples: “É uma previsão ingênua; um estudante de ensino médio usando progressão geométrica chegaria nesse resultado”. Mas o professor adianta que, em conjunto com colegas do Instituto de Matemática e Estatística da UFRGS, está trabalhando na modelagem do processo para ter estimativas mais precisas de longo prazo. Dois pesquisadores desse grupo estão preparando artigos sobre o tema, que serão divulgados no Jornal da Universidade, nas edições extras online abordando a Covid-19.

Sobre o alto número de visualizações dos seus vídeos e a repercussão do seu trabalho, Ramos disse ser “uma surpresa agradável” e destacou: “É importante oferecer informação para conscientizar as pessoas. Estamos na era do achismo, em que um áudio transmitido pelo whatsapp, sem fonte conhecida, vale mais que a fala de um especialista". Por acreditar na sua responsabilidade como pesquisador e professor, ele garante que irá continuar com os vídeos e avisa que nesta sexta-feira, 10 de abril, tem mais análise no seu canal no YouTube a partir dos dados do dia anterior compilados pela SMS.

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