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Salão de Iniciação Científica compartilha resultados de pesquisas com a comunidade

Paul Michael Okoe apresentou sua pesquisa sobre rochas sedimentares compostas de conchas de moluscos e outros invertebrados
22/10/2019 16:11

Na 31ª edição do Salão de Iniciação Científica (SIC) o ganês Paul Michael Okoe apresentou para uma sala lotada o resultado de um ano de sua pesquisa que procura classificar os depósitos de coquinas (rochas sedimentares compostas de conchas de moluscos e outros invertebrados) da plataforma interna do Albardão, no extremo-sul do litoral brasileiro. Estudante de Geologia da UFRGS, ele mora no Brasil há quatro anos. “Este já é o meu segundo SIC e, ano que vem, tem mais!”, ressalta.

A partir de amostras de conchas e de materiais coletados do fundo do mar ainda na década de 1970 pelo Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica da Universidade (CECO), Paul passou o ano inteiro fazendo análises. Ele precisou peneirar cada amostra de sedimento, pesar as frações para determinar o tipo de material encontrado e a porcentagem de cada fração nas amostras. “Nem tive férias”, conta divertido. O resultado deste trabalho indicou a presença de constituintes siliciclásticos (argila, quartzo, carbonatos etc.) e bioclásticos (cascalho, gastrópodes). “Este projeto, que é financiado pela Petrobras, vai ajudar na compreensão de como se formaram os coqueiros que são as rochas-reservatório da Bacia de Campos.” É da rocha-reservatório que o Brasil extrai o petróleo. “Ainda não temos bons conhecimentos, ou seja, modelos conceituais sobre como se formou essa bacia. Por isso, muitas universidades estão investindo nesse tipo de pesquisa”, explica.

Segundo Paul, todo o investimento tem a ver com o pré-sal. “O pré-sal é o que vem antes do petróleo, pois é ele que impede os hidrocarbonetos de escaparem. O petróleo, basicamente, é composto por sedimentos de plantas e animais soterrados após anos de decomposição química. A rocha geradora precisa encontrar uma rocha-reservatório, que seja permeável”, detalha.

Paul pretende fazer seu trabalho de conclusão de curso sobre o tema e deseja muito ingressar no mestrado. “Se eu fizer o mestrado vai ser sobre o acúmulo de conchas que havia na costa da praia e que desapareceu. Quero saber para onde foram.” Conforme o estudante, a Propesq pagou para que ele apresentasse sua pesquisa em um congresso na Itália. “Foi muito enriquecedor”, lembra.

Ele garante que o objetivo do projeto não é encontrar petróleo no litoral gaúcho, mas utilizar os dados no estudo a respeito do acúmulo de rochas coquinas em Sergipe e em Alagoas. “As rochas de lá têm a mesma idade das rochas reservatórios do pré-sal, na Bacia de Campos (RJ). Logo, é para contribuir com esse conhecimento”, conclui.

O SIC faz parte do Salão UFRGS e segue até a próxima sexta-feira, 25 de outubro. A programação completa e demais informações sobre o evento podem ser conferidas no site do Salão UFRGS.

 

Por: Bárbara Lima

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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