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UFRGS entrega título Doutor Honoris Causa a Alain Meunier

Sessão Solene aconteceu na manhã desta terça-feira, 14 de dezembro, em formato virtual. O homenageado, professor Alain Meunier, participou diretamente da cidade de Poitiers, na França
14/12/2021 14:58

Em frente à tela virtual diretamente conectada na cidade de Poitiers, na França, está o professor Alain Meunier. Às 11 horas em ponto (horário de Brasília) desta terça-feira, 14 de dezembro, com um largo sorriso, Meunier aguarda o início da Sessão Solene do Conselho Superior da UFRGS para a outorga do título de Doutor Honoris Causa a ele. Compartilham a tela, nesta primeira sessão virtual realizada pela Universidade para a entrega de um Honoris Causa, a vice-reitora Patricia Pranke; o diretor do Instituto de Geociências (IGEO) Nelson Gruber; e o orador e presidente da Comissão Especial que analisou a proposta (Decisão 021/2019-Consun), André Sampaio Mexias.

A proposta foi encaminhada pelo Instituto de Geociências em 18 de dezembro de 2018 e aprovada pelo Consun em 24 de maio de 2019 (Decisão 126/2019). Professor emérito da Universidade de Poitiers, Alain Meunier iniciou sua carreira naquela instituição em 1971 e permanece atuando como pesquisador até hoje. Defendeu em 1977 a tese de doutorado (Doctorat d’Etat) Os mecanismos de alterações dos granitos e o papel dos microssistemas: estudo do maciço granítico de Parthenay (Deux-Sèvres) e possui notável trajetória acadêmica na área de argilas e argilominerais.

“O título Doutor Honoris Causa a Alain Meunier reconhece a sua relevância, magnitude e amplitude na área de atuação, além da sua inestimável contribuição à ciência”, disse a vice-reitora durante a sessão. O orador ressaltou que Meunier é o primeiro Doutor Honoris Causa do IGEO, enaltecendo a vasta contribuição do pesquisador francês para as Ciências da Terra, em especial o trabalho desenvolvido junto à Universidade de Poitiers. “Alain tem a notável característica de reunir em torno de si os melhores estudantes e colegas pesquisadores, superando limitações tecnológicas de sua época a fim de entender a argilogênese ao redor do planeta”, disse Mexias.

A originalidade da contribuição de Meunier residiu na adoção de novas abordagens nas maneiras de observar, quantificar e estabelecer paralelos entre diferentes formações minerais. “Acima de tudo, exerceu ao máximo sua capacidade de aproximar pesquisadores de diferentes áreas, estreitando laços, conduzindo ou participando de numerosos estudos transdisciplinares. O inventário da ‘aventura brasileira’ de Meunier contabiliza 35 anos de intenso intercâmbio entre docentes, pesquisadores e estudantes; e essa aventura segue até os dias de hoje. Pela relevância, magnitude e amplitude de sua atuação, ele colaborou muito para a internacionalização da UFRGS”, concluiu o orador.

Apaixonado pelo estudo da argila e suas múltiplas qualidades, o docente homenageado apresentou uma aula sobre o tema, acessível até mesmo para os não especialistas na área. Discorreu a respeito do papel fundamental das argilas na superfície terrestre, enfatizando a complexidade dos solos argilosos e suas propriedades – em especial as interações moleculares com a água –, além das muitas aplicações do mineral na indústria. As pesquisas em diferentes cantos do mundo, levaram-no ao Rio Grande do Sul e à UFRGS, onde cultivou uma longa e prolífica relação profissional e de amizade com o professor emérito Milton Lanquitine Formoso.

Utilizando fotos, desenhos e gráficos, Alain Meunier conduziu aqueles que puderam acompanhar a cerimônia pelo webstreamming a uma viagem por paisagens que englobaram desde o interior gaúcho, passando pelo Gabão, o Atol de Mururoa até a superfície ainda pouco conhecida do planeta Marte. Todo esse percurso para demonstrar a incrível plasticidade da argila, mineral que ele entende como a origem da vida.

Para o professor francês receber o título Doutor Honoris Causa é uma grande honra e lhe provocou uma espécie de "onda de felicidade". “A UFRGS é uma grande universidade e, portanto, me sinto grato em receber uma distinção tão elevada. Mas isso não é o mais importante para mim, o mais importante é a amizade que desenvolvi ao longo dos anos. Tenho com professor Milton Formoso e os alunos que trabalharam em nossos laboratórios relacionamentos que iluminaram a minha vida”, afirmou.

O mais novo Doutor Honoris Causa da UFRGS descobriu o Brasil em 1982, quando o seu laboratório desenvolveu conexões com o Departamento de Ciências da Terra de São Paulo. O objetivo, na época, era compreender como se formam os solos e as rochas intemperizadas. “O melhor lugar para pesquisar esse novo mundo de exploração petrográfica e mineralógica era o Rio Grande do Sul. Esse foi o início de uma longa colaboração científica entre o meu laboratório e o Laboratório de Ciências da Terra da UFRGS, coordenado pelo professor Milton L. Formoso, que é como um irmão para mim”, revelou Meunier.

Segundo Mexias, o caminho trilhado por Alain Meunier é de grande sucesso. “A outorga do título de Doutor Honoris Causa é um merecido reconhecimento da UFRGS por sua inestimável contribuição à Ciência”, frisou ele.

A vice-reitora Patrícia Pranke reforçou, durante a sessão, a grande contribuição do pesquisador francês e sua colaboração com a UFRGS, na qual ele promoveu a profissionalização e internacionalização.

 

A relação de Meunier com a UFRGS

Alain Meunier iniciou há 35 anos, juntamente com o Professor Emérito do Instituto de Geociências Milton Formoso, o intercâmbio de pesquisadores e estudantes brasileiros ao seu laboratório. Operacionalizou intercâmbios regulares, tais como Capes-Cofecub desde os anos 1980 com Milton Formoso e, posteriormente, Erasmus Mundus com André Mexias, na UFRGS.

Autor de nove livros em reconhecidas editoras internacionais (Mineraux argileux; The origin of clay mineral in soils and weathered rocks; ILLITE; Argiles; Clays; Les Argiles para la pratique; La naissance de la Terre; Aux origines de la vie e le monde des argiles), escreveu mais de 170 artigos científicos em revistas indexadas. Orientou diretamente mais de 30 doutorados e dezenas de mestrados. Seu último livro, O mundo das argilas (Le monde des argiles), foi publicado em 2017 pela Editora da UFRGS, juntamente com autores brasileiros (Edson Bortoluzzi - UPF e André Mexias - UFRGS) e foi premiado como o melhor livro de 2017 pela Associação Brasileira de Editoras Universitárias na área de Ciências Naturais e Matemáticas. É um livro de caráter bilíngue e dedicado à amizade ao longo de mais de 30 anos de convivência do professor Alain Meunier com os brasileiros, com destaque especial ao professor Milton Formoso.

“Ele foi responsável pela criação de muitas vocações em torno das argilas, formando pesquisadores, professores-pesquisadores. O Brasil reconheceu o seu esforço ao fazê-lo membro da Academia Brasileira de Ciências, o que é um marco de distinção, um forte reconhecimento”, salienta o professor Mexias.

Questionado sobre o que significa ser um professor, Alain Meunier responde: “Para mim, um professor de Ciências da Terra nada mais é do que um aluno que continua a descobrir como está funcionando este planeta”.

 

Sobre Alain Meunier

Foto: Universidade de Poitiers/Divulgação.

Alain Meunier nasceu em Cherves, França, em 24 de julho de 1948.  Defendeu sua tese de doutorado em 1972, intitulada Contribuições ao estudo das formações quaternárias e dos paleossolos do Vale do Clain” e, em 1977, defendeu a tese de Doctorat d’Etat: Os mecanismos de alterações dos granitos e o papel dos microssistemas: estudo do maciço granítico de Parthenay (Deux-Sèvres). Começou como professor na Universidade de Poitiers em 1971. Recentemente aposentado, atualmente é Professor Emérito da mesma Universidade, continuando a atuar como pesquisador.

Meunier não é um mineralogista, não é um cristalógrafo, não é um geoquímico, tampouco um petrógrafo, ele não é um estruturalista, mas é capaz de tratar todos esses dados, de contatar as pessoas que possuem competências e, com tudo isso, implantar um raciocínio que o leve a esta escala Giga.

Alain começou por estudar os solos e, sobretudo os alteritos, as alterações de superfície, que foram o tema da sua tese e marcam bem o seu encaminhamento. Produziu ferramentas metodológicas que permitiram remontar às paleocondições nos sedimentos e solos por vezes muito antigos. Aproveitou seus conhecimentos das transformações minerais para propor à comunidade internacional ferramentas de interpretação e notadamente a maneira de determinar corretamente o índice de alteração das rochas nos sedimentos e, portanto, de poder reconstruir a história e a evolução desses sedimentos.

Um professor-pesquisador visionário desde muito cedo. Visionário, de um lado, pela determinação dos objetivos científicos e, de outro, por tudo o que diz respeito à organização do trabalho. A sua originalidade não foi de determinar as argilas de um modo global, e sim de determiná-las sistemicamente à escala dos lugares em que ocorriam as reações, os sítios de reação, beneficiando amplamente o aporte da análise química local, podendo instalar não apenas a identificação das argilas, cristalograficamente falando, mas também quimicamente.

Compreendeu amplamente o campo de aparecimento dos minerais argilosos nos meios naturais, interessando-se muito, também, por outra área: a das rochas sedimentares e sua litificação, sua transformação, logo, sua diagênese.

Outra descoberta científica de Meunier, totalmente original e de importante expansão, é tudo que se refere ao que chamamos de Petrografia Quantitativa. Isso ocorreu no final dos anos 1980 e logo no início dos 1990. Trabalhou sobre dois temas relacionados com a Ciência do Solo: estudo petrológico (petrográfico) e alterações mineralógicas que permitiram especificar as sequências de alterações minerais, especialmente nas rochas graníticas, e os argilominerais formados.

Segundo o parecer da Comissão Especial do Consun que avaliou e aprovou a sua indicação como Doutor Honoris Causa da UFRGS, o professor Alain Meunier “apresenta uma trajetória de grande sucesso, e suas pesquisas contribuíram e têm contribuído de forma extraordinária para a evolução do conhecimento científico envolvendo as argilas e argilominerais em diferentes ambientes geológicos e pedológicos, muito colaborando para a cooperação entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade de Poitiers, França, e ainda mais para a internacionalização de nossa Universidade”.

 

O que é o título Doutor Honoris Causa?

Honoris Causa é uma expressão em latim usada atualmente como um título honorífico, que significa literalmente “por causa de honra”. Na UFRGS, essa distinção universitária é entregue para personalidades que tenham se distinguido na vida pública ou na atuação em prol do desenvolvimento da Universidade, do progresso das ciências, das letras e das artes. (Art. 81 do Estatuto da UFRGS).

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