{"id":206,"date":"2019-08-30T11:51:55","date_gmt":"2019-08-30T14:51:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/?page_id=206"},"modified":"2019-10-12T18:29:41","modified_gmt":"2019-10-12T21:29:41","slug":"eixo4","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/eixo4\/","title":{"rendered":"Eixo 4"},"content":{"rendered":"\n<h2>TRADU\u00c7\u00c3O, RECEP\u00c7\u00c3O E ANTROPOFAGIA<\/h2>\n\n\n\n<p><em>Leonardo Antunes, Rafael Brunhara e Guilherme Gontijo Flores <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O s\u00e9culo\nXX viu surgir uma s\u00e9rie de conceitos e teorias que mudaram a maneira como recebemos,\ninterpretamos, criamos e traduzimos obras liter\u00e1rias. As fronteiras entre esses\ndiversos movimentos tamb\u00e9m se tornaram menos n\u00edtidas. Os irm\u00e3os Campos, por\nexemplo, apontaram para o potencial criador e cr\u00edtico da tradu\u00e7\u00e3o. Ric\u0153ur, por\nsua vez, insistiu em uma rela\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, da interpreta\u00e7\u00e3o como um movimento\nde tradu\u00e7\u00e3o. Essas discuss\u00f5es s\u00e3o especialmente relevantes num momento em que\nnos aproximamos do centen\u00e1rio do movimento antrop\u00f3fago, cujas ideias\nlibert\u00e1rias se coadunam tamb\u00e9m com as no\u00e7\u00f5es de &#8220;obra aberta&#8221;, de\nEco, e de &#8220;fus\u00e3o de horizontes&#8221;, de Gadamer, para uma abordagem em\nque os limiares entre recep\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o se apagam e se confundem.\nEssa conflu\u00eancia de posicionamentos de recep\u00e7\u00e3o aberta e ressignifica\u00e7\u00e3o\ncriativa tamb\u00e9m possui um eco na teoria de &#8220;polissistemas&#8221;, de\nEven-Zohar, que tenta descrever os movimentos diversos e as diversas\nconforma\u00e7\u00f5es dos sistemas liter\u00e1rios, nos quais uma mesma obra pode ter\nrecep\u00e7\u00f5es, significa\u00e7\u00f5es e valoriza\u00e7\u00f5es muito distintas. A soma dessas e de\noutras teorias afins colabora para um aparato cr\u00edtico e criativo capaz de criar\nm\u00faltiplos canais de di\u00e1logo entre passado e presente, compreendendo uma\npartilha do sens\u00edvel, conforme Ranci\u00e8re, tamb\u00e9m na valora\u00e7\u00e3o est\u00e9tica das\nobras, na forma\u00e7\u00e3o de c\u00e2nones e nas hierarquias poss\u00edveis entre obra, tradu\u00e7\u00e3o,\nretradu\u00e7\u00e3o, recria\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o etc., e entre aqueles habilitados a executar\n(e usufruir de) cada uma dessas modalidades.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>ANDRADE, Oswald de. O manifesto antrop\u00f3fago. In: TELES, Gilberto Mendon\u00e7a. <strong>Vanguarda europeia e modernismo brasileiro<\/strong>: apresenta\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica dos principais manifestos vanguardistas. 3\u00aa ed. Petr\u00f3polis: Vozes; Bras\u00edlia: INL, 1976.<\/li><li>CAMPOS, Haroldo de. <strong>Transcria\u00e7\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2013.<\/li><li>ECO, Umberto. <strong>Obra aberta<\/strong>: forma e indetermina\u00e7\u00e3o nas po\u00e9ticas contempor\u00e2neas. Tradu\u00e7\u00e3o de Giovanni Cutolo. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2010.<\/li><li>EVEN-ZOHAR, I. (1990). \u201c<em>Polysystem Studies<\/em>\u201d. <strong><em>Poetics Today<\/em><\/strong><em>: International Journal for Theory and Analysis of Literature and Communication.<\/em> v. 11, n. 1. Dispon\u00edvel em: &lt;<em>http:\/\/www.tau.ac.il\/~itamarez\/works\/books\/ez-pss1990.pdf<\/em>&gt;.<\/li><li>GADAMER, Hans-Georg. <strong><em>Truth and Method<\/em><\/strong><em>. <\/em>Londres: Continuum, 2006.<\/li><li>RANCI\u00c8RE, Jacques. <strong><em>The Politics of Aesthetics<\/em><\/strong><em>.<\/em> Londres: Bloomsbury Academic, 2013.<\/li><li>RIC\u0152UR, Paul. <strong><em>On Translation<\/em><\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Eileen Brennan. Londres: Routledge, 2006.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2 id=\"mce_142\">EIXO 4 \u2014 DATA E ORDEM DAS COMUNICA\u00c7\u00d5ES<\/h2>\n\n\n\n<h3><strong>24 de outubro (quinta)<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Local: Pr\u00e9dio da FACED, sala 503.    <\/p>\n\n\n\n<p>1 <strong>A releitura contempor\u00e2nea de Scherezade em <em>Vozes do Deserto<\/em><\/strong>, de N\u00e9lida Pi\u00f1on, Ana Paula Xavier Gerlach<\/p>\n\n\n\n<p>2<strong> <em>The best of Tartarus<\/em><\/strong>: proje\u00e7\u00f5es para a poesia hesi\u00f3dica, Bruno Palavro<\/p>\n\n\n\n<p>3<strong> Palavra-Performance: a palavra quer um corpo<\/strong>, Camila Alexandrini<\/p>\n\n\n\n<p>4<strong> A recep\u00e7\u00e3o brasileira da poesia buc\u00f3lica latina pela tradu\u00e7\u00e3o po\u00e9tica<\/strong>, Daniel Falkemback Ribeiro<\/p>\n\n\n\n<p>5 <strong>A velha querela entre poetas e&#8230;fil\u00f3logos?\u201d Analisando crit\u00e9rios de tradu\u00e7\u00e3o nas Letras Cl\u00e1ssicas<\/strong>, Rafael Brunhara<\/p>\n\n\n\n<p>6 <strong>Traduzir a s\u00e1tira horaciana:&nbsp;&nbsp;a&nbsp;<em>Arte po\u00e9tica<\/em><\/strong>, Guilherme Gontijo Flores<\/p>\n\n\n\n<p>7 <strong>Deriva\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas da&nbsp;<em>Il\u00edada<\/em><\/strong>, Leonardo Antunes<\/p>\n\n\n\n<p>8 <strong>Alegorese e exemplaridade na interpreta\u00e7\u00e3o do mito de Narciso no <em>Ovide Moralis\u00e9<\/em> <\/strong>(s\u00e9culo XIV), Rodrigo Lemos <\/p>\n\n\n\n<h3><strong>25 de outubro\n(sexta)<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Local: Pr\u00e9dio da FACED, sala 503.    <\/p>\n\n\n\n<p>9<strong> Baudelaire na <em>triple frontera<\/em><\/strong>: considera\u00e7\u00f5es sobre a rasura da origem, Eleonora Frenkel<\/p>\n\n\n\n<p>10<strong> Escrever a hist\u00f3ria da tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>: o problema da escala, Karina Lucena<\/p>\n\n\n\n<p>11<strong> Copiei sim<\/strong>: <em>Macuna\u00edma<\/em> em tradu\u00e7\u00e3o, M\u00e1rcia Moura da Silva<\/p>\n\n\n\n<p>12<strong> <em>Multitudinous heart<\/em><\/strong><em>: <\/em>uma an\u00e1lise da tradu\u00e7\u00e3o de poemas drummondianos para a l\u00edngua inglesa, Mariane Rocha<\/p>\n\n\n\n<p>13<strong> Uma tradu\u00e7\u00e3o transcriadora de <em>Am\u0153nitates belgic\u00e6<\/em><\/strong>, de Charles Baudelaire, Rafael Prud\u00eancio<\/p>\n\n\n\n<p>14<strong> A \u201cdiegese\u201d em tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>: considera\u00e7\u00f5es sobre a tradu\u00e7\u00e3o do termo <em>diegesis<\/em> em Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles, Thiago Koslowsky da Rosa <\/p>\n\n\n\n<p>15<strong> Narrativas sobre Clitemnestra<\/strong>: an\u00e1lises comparativas, Tiago Irigaray <\/p>\n\n\n\n<p>16<strong> Tradu\u00e7\u00f5es de Cort\u00e1zar no <em>Suplemento Liter\u00e1rio<\/em> de Minas Gerais<\/strong>, Tiago Pedruzzi <\/p>\n\n\n\n<h2>EIXO 4 \u2014 RESUMOS DAS\nCOMUNICA\u00c7\u00d5ES<\/h2>\n\n\n\n<h4><strong>1 A releitura contempor\u00e2nea de <\/strong><em><strong>Scherezade em Vozes do Deserto<\/strong><\/em><strong>, de N\u00e9lida Pi\u00f1on<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Ana Paula Xavier Gerlach<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Campbell,\nem <em>O her\u00f3i de mil faces<\/em> (2007), apresenta um completo apanhado acerca\ndos preceitos e da genu\u00edna subst\u00e2ncia presentes no her\u00f3i das mitologias mais\nrelevantes. \u201cO her\u00f3i mitol\u00f3gico, saindo de sua cabana ou castelo cotidianos, \u00e9\natra\u00eddo, levado ou se dirige voluntariamente para o limiar da aventura\u201d\n(CAMPBELL, 2007, p. 241). Atrav\u00e9s do conceito de her\u00f3i apresentado por\nCampbell, analisamos a releitura da hero\u00edna milenar Scherezade, presente na\nobra de N\u00e9lida Pi\u00f1on, <em>Vozes do deserto<\/em> (2004). Em <em>Vozes do Deserto<\/em>,\nN\u00e9lida Pi\u00f1on conta uma vers\u00e3o inovadora da hist\u00f3ria de Scherezade de <em>As mil\ne uma noites<\/em> ao relatar a mesma hist\u00f3ria j\u00e1 conhecida mundialmente, por\u00e9m\nutilizando um narrador em terceira pessoa para nos apresentar os sentimentos,\nemo\u00e7\u00f5es e afli\u00e7\u00f5es presentes nos personagens da trama. As duas principais obras\nanalisadas s\u00e3o <em>Vozes do Deserto<\/em> (2004), de N\u00e9lida Pi\u00f1on, e a obra <em>Livro\ndas Mil e Uma Noites <\/em>(2017), edi\u00e7\u00e3o mais recente traduzida do \u00e1rabe por\nMamede Mustafa Jarouche. Nas duas narrativas, temos personagens em comum como a\nScherezade, sua irm\u00e3 Dinazarda, entre outros. Por\u00e9m, N\u00e9lida Pi\u00f1on faz uma\nabordagem que se diferencia j\u00e1 no narrador. Neste caso, utilizamos as duas\nnarrativas para analisar os caminhos que cada narrativa percorreu\ncomparativamente, atrav\u00e9s de cada personagem.&nbsp;\nAtrav\u00e9s da perspectiva que a obra de N\u00e9lida Pi\u00f1on apresenta sobre a\npersonagem Scherezade, este trabalho tem como objetivo destacar a at\u00e9 ent\u00e3o\ndesconhecida complexidade da personagem ao ser representada no s\u00e9culo XXI e,\ndessa forma, discutir sobre \u00e2mbitos diferentes dos conhecidos na personagem\napresentada em <em>As mil e uma noites<\/em>. Neste trabalho, atrav\u00e9s deste estudo\nliter\u00e1rio comparatista, faremos uma breve an\u00e1lise sobre quem foi Scherezade na\nmitologia atrav\u00e9s dos preceitos apresentados por Joseph Campbell,\ncontextualizando sobre as principais caracter\u00edsticas presentes em Scherezade\nque est\u00e3o igualmente intensificados na obra de N\u00e9lida Pi\u00f1on, e concluir com\nelementos e t\u00e9cnicas textuais desenvolvidas em <em>Vozes do deserto<\/em> o que\ncontribuiu para que Scherezade se tornasse uma genu\u00edna contadora de hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>CAMPBELL, Joseph. <strong>O Her\u00f3i de Mil Faces<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Pensamento, 2007.<\/li><li><strong>LIVRO das Mil e Uma Noites<\/strong> \u2013 2\u00ba ed. \u2013S\u00e3o Paulo: Globo, 2005.<\/li><li>PI\u00d1ON, N\u00e9lida. <strong>Vozes do Deserto<\/strong>. Rio de Janeiro: Record, 2004.&nbsp; <\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Scherezade; contempor\u00e2neo; mito; releitura; comparada.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>2 <em>The best of Tartarus<\/em>: proje\u00e7\u00f5es para a poesia hesi\u00f3dica <\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Bruno Palavro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este\ntrabalho tem como objeto a <em>Theogonia<\/em> de Hes\u00edodo, poema \u00e9pico grego\ncomposto por volta de 750-650 a. C.; mais especificamente, os versos 722-819,\nnos quais \u00e9 revelada a descri\u00e7\u00e3o do mitol\u00f3gico T\u00e1rtaro. O estudo encontra-se no\nlimiar de meu Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso \u2013 no qual uma tradu\u00e7\u00e3o integral da\nTheogonia j\u00e1 foi empreendida \u2013 e de meu projeto tradut\u00f3rio para o mestrado, que\ndar\u00e1 sequ\u00eancia ao trabalho com outros dois poemas de Hes\u00edodo: <em>Trabalhos e\nDias<\/em> e <em>O Escudo de H\u00e9racles<\/em>. A partir de considera\u00e7\u00f5es gerais sobre\na fragilidade do signo est\u00e9tico em tradu\u00e7\u00e3o de poesia e a abordagem criativa\ncomo modo de reformular uma iconicidade po\u00e9tica aut\u00f4noma, mas rec\u00edproca\n(CAMPOS, 2011), ser\u00e1 referido o conceito de melopeia (POUND, 1976) enquanto\naspecto destacado desse processo transcriativo, principalmente no que diz\nrespeito \u00e0 emula\u00e7\u00e3o do metro \u00e9pico \u2013 o hex\u00e2metro dat\u00edlico \u2013 no texto traduzido.\nAp\u00f3s uma exposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica acerca dos princ\u00edpios e desdobramentos da pr\u00e1tica\nem quest\u00e3o (NETO, 2014; ANTUNES, 2009; GON\u00c7ALVES, 2016), de modo a problematizar\nespecificamente a correspond\u00eancia entre os sistemas m\u00e9tricos quantitativo e\nqualitativo das l\u00ednguas em quest\u00e3o, ser\u00e3o realizadas leitura em voz alta e\nan\u00e1lise de trechos do \u201cT\u00e1rtaro desvelado\u201d (PALAVRO, 2019) e de sua adapta\u00e7\u00e3o\nperform\u00e1tica (ANTUNES &amp; PALAVRO, 2018), informalmente referida como <em>The\nbest of Tartatus<\/em>. Atestados alguns dos impasses que permeiam a abordagem\nhexam\u00e9trica vern\u00e1cula, ser\u00e1 reafirmada a dimens\u00e3o criativa dessa pr\u00e1tica tanto\nno que concerne \u00e0 sua concep\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 sua potencial abertura para o dom\u00ednio\nda performance, para a qual se tomar\u00e1 emprestada a ideia de \u201cpr\u00e1tica\nhiperest\u00e9tica\u201d (GENETTE, 2010), com devidas ressalvas. Finalmente, o car\u00e1ter\ndifuso dessa reciprocidade r\u00edtmica e o desenrolar da autonomia est\u00e9tica da obra\ntraduzida pela performance ensejar\u00e3o considera\u00e7\u00f5es sobre as aspira\u00e7\u00f5es desse\ntrabalho de alteridades, que se pretende radical sem ser essencial(ista) nem se\nperder na presun\u00e7\u00e3o da origem (FLORES &amp; GON\u00c7ALVES, 2017). Exemplos finais\nsobre o in\u00edcio de meu trabalho no mestrado apontar\u00e3o para esfor\u00e7os que, pelo\nritmo do texto grafado, proferido e cantado, se materializam em pr\u00e1ticas\nconvergentes de uma mesma po\u00e9tica tradut\u00f3ria: a da sobrevida que se projeta na\nvoz.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>ANTUNES, C. L. B. <strong>Ritmo e sonoridade na poesia grega antiga: uma tradu\u00e7\u00e3o comentada de 23 poemas<\/strong>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) \u2013 Departamento de Letras Cl\u00e1ssicas e Vern\u00e1culas, FFLCH-USP, S\u00e3o Paulo, 2009.<\/li><li>ANTUNES, C. L. B.; PALAVRO, Bruno. Theogonia (m\u00fasica e tradu\u00e7\u00e3o: Bruno Palavro). 2018. (3m45s). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=S1Os_qs6q3Q&gt;. Acesso em: 17 jul. 2019.<\/li><li>CAMPOS, Haroldo de. <strong>Da transcria\u00e7\u00e3o: po\u00e9tica e semi\u00f3tica da opera\u00e7\u00e3o tradutora<\/strong>.&nbsp; Belo Horizonte: FALE\/UFMG, 2011.<\/li><li>FLORES, G. G.; GON\u00c7ALVES, R. T. <strong>Algo infiel \u2013 corpo performance tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o Paulo: n-1 edi\u00e7\u00f5es, 2017.<\/li><li>GENETTE, G\u00e9rard. <strong>Palimpsestos: a literatura de segunda m\u00e3o<\/strong>. Sele\u00e7\u00e3o de extratos e revis\u00e3o: S\u00f4nia Queiroz. Belo Horizonte: Viva Voz, 2010.<\/li><li>GON\u00c7ALVES, R. T. Tradu\u00e7\u00e3o e ritmo: r\u00eaver le vers de Lucr\u00e9cio. <strong>MORUS \u2013 utopia e renascimento<\/strong>, v. 11, n. 1, p. 181-197, 2016.<\/li><li>NETO, J. A. O. O hex\u00e2metro dat\u00edlico de Carlos Alberto Nunes: teoria e repercuss\u00f5es.&nbsp; <strong>Revista Letras<\/strong>, n. 89, p. 184-201, 2014.<\/li><li>PALAVRO, Bruno. <strong>A Theogonia de Hes\u00edodo: traduzida &amp; anotada pela m\u00e3o de Bruno Palavro<\/strong>. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso \u2013 IL-UFRGS, Rio Grande do Sul, 2019.<\/li><li>POUND, Ezra. <strong>A Arte da Poesia<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1976.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Hes\u00edodo; poesia grega; hex\u00e2metro dat\u00edlico; tradu\u00e7\u00e3o; performance.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>3 Palavra-Performance: a palavra quer um corpo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Camila Alexandrini<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A tese,\ndefendida em 2017 no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras da PUCRS, intitulada\nPalavra-Performance, \u00e9 revisitada nesta proposta de apresenta\u00e7\u00e3o de trabalho ao\nVIII Col\u00f3quio Sul de Literatura Comparada. A pesquisa doutoral buscou\ncontaminar os campos da literatura e da performance, a fim de elaborar um\ndispositivo te\u00f3rico que pudesse dar conta de express\u00f5es da literatura as quais\nse configuram de formas diversas, incluindo em suas produ\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o\nnecessariamente, outros recursos po\u00e9tico-art\u00edsticos \u2013 para al\u00e9m da palavra.\nNesse sentido, a investida ao debate a respeito do ob-jeto dos estudos\nliter\u00e1rios demonstrou-se um ponto importante onde foi poss\u00edvel se demorar. Como\num pr\u00e9-jeto \u2013 uma proje\u00e7\u00e3o anterior ao movimento em si \u2013 possu\u00eda discernimento\ne a puls\u00e3o para tentar fraturar a materialidade que tem regido os estudos\nliter\u00e1rios a partir do advento da escrita; da ordem do registro, do manuscrito,\ndo tra\u00e7o seminal da letra no papel. Sendo assim, a reflex\u00e3o sobre a literatura\ndesdobrou-se mais especificamente neste estudo em sua potencialidade\nperform\u00e1tica, tendo como ponto de partida, atualmente, n\u00e3o s\u00f3 SCHECHNER (2013)\ne TAYLOR (2015), mas sobretudo o trabalho desenvolvido pelas performers Regina\nGalindo, Fernanda Magalh\u00e3es, Violeta Luna, Yoko Ono, MArcia X, Claudia Paim e\noutras. Colocar a literatura para ser vivida como performance, assim como\nZUNTHOR (2007) prop\u00f5e que partamos do ponto de chegada, pode n\u00e3o ter uma\nrela\u00e7\u00e3o direta com a aprecia\u00e7\u00e3o deste objeto est\u00e9tico da literatura, tampouco\ncom o uso est\u00e9tico de uma linguagem escrita, mas sim com a inven\u00e7\u00e3o de uma\noutra forma \u00e9tico-est\u00e9tica \u2013 de uma performance \u00e9tico-est\u00e9tica \u2013 a qual \u00e9\ntamb\u00e9m literatura. Compartilhar questionamentos ainda presentes, os quais\napontam possivelmente para uma nova pesquisa, \u00e9 o objetivo dessa proposta de\ncomunica\u00e7\u00e3o, al\u00e9m disso, na ocasi\u00e3o do doutorado, sugeri cinco propostas \u00e0\npalavra-performance &#8211; I) Agenciar a vida; II) Ativar um corpo; III)\nRessignificar a palavra; IV) Reinventar o ensino; V) Reelaborar perspectivas &#8211;\nsobre as quais tamb\u00e9m se espera comentar, com a finalidade de se aprofundar,\nanalisando as performers citadas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>GALINDO, Regina. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.reginajosegalindo.com\/en\/home-en\/. Acesso em 17 de ago. 2019.<\/li><li>LUNA, Violeta. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.violetaluna.com\/. Acesso em 17 de ago. 2019.<\/li><li>MAGALH\u00c3ES, Fernanda. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.fernandamagalhaes.com.br\/. Acesso em 17 de ago. 2019.<\/li><li>ONO, Yoko. Dispon\u00edvel em: http:\/\/yokoonowarzone.com\/. Acesso em 17 de ago. 2019.<\/li><li>PAIM, Claudia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.claudiapaim.site. Acesso em 17 de ago. 2019.<\/li><li>SCHECHNER, Richard. <strong>Performance Studies: an introduction<\/strong>. 3\u00aaed. New York &amp; London: Routledge, 2013. <\/li><li>TAYLOR, Diana. <strong>Performance<\/strong>. 1\u00aaed. Buenos Aires: Asunto Impreso Ediciones, 2015. <\/li><li>X, Marcia. Dispon\u00edvel em: http:\/\/marciax.art.br\/. Acesso em 17 de ago. 2019.<\/li><li>ZUMTHOR, Paul. <strong>Recep\u00e7\u00e3o, performance, leitura<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cosac &amp; Naify, 2007.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Literatura. Teoria da Literatura. Performance. Estudos da Performance.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>4 A recep\u00e7\u00e3o brasileira da poesia buc\u00f3lica latina pela tradu\u00e7\u00e3o po\u00e9tica<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Daniel Falkemback Ribeiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do\ncontexto brasileiro, nota-se como, desde o s\u00e9culo XVIII, h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o de se\nvoltar para a literatura cl\u00e1ssica a fim de utiliz\u00e1-la como refer\u00eancia. Desde os\n\u00e1rcades, a recep\u00e7\u00e3o das formas liter\u00e1rias antigas se define pelo papel que os\npoetas assumem como <em>reescritores<\/em>, segundo a concep\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Lefevere\n(1992). Atrav\u00e9s da explora\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria buc\u00f3lica, o nosso enfoque, esses\npoetas buscavam apresentar o passado como uma possibilidade de rela\u00e7\u00e3o com seu\npresente que pode se dar, inclusive, pela tradu\u00e7\u00e3o, criando-se, assim, um campo\npara debate da cultura cl\u00e1ssica, nos termos de Lorna Hardwick (2000). Essa\npr\u00e1tica auxiliar para as metas formativas dos poetas arc\u00e1dicos se estabeleceu\ndefinitivamente em territ\u00f3rio brasileiro e foi respons\u00e1vel pela constitui\u00e7\u00e3o de\num c\u00e2none do qual fazia parte Virg\u00edlio, no campo buc\u00f3lico, por\u00e9m n\u00e3o outros\npoetas. A tradu\u00e7\u00e3o da obra virgiliana em l\u00edngua portuguesa ocorreu por diversos\nmeios, como atesta o levantamento de Tha\u00eds Fernandes (2018), por\u00e9m a tradu\u00e7\u00e3o\npo\u00e9tica se destaca como meio de express\u00e3o cr\u00edtica e criativa que prop\u00f5e novas\nvis\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 do poeta mantuano, mas tamb\u00e9m da tradi\u00e7\u00e3o do g\u00eanero po\u00e9tico em\nque se insere. Para a nossa apresenta\u00e7\u00e3o, o objetivo \u00e9 situar, dentro do\ncontexto mencionado, as tradu\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas das <em>Buc\u00f3licas<\/em> de Virg\u00edlio por\nManuel Odorico Mendes (2008) e Raimundo Carvalho (2005), al\u00e9m das vers\u00f5es da <em>\u00c9cloga\nII<\/em> de Nemesiano por Guilherme Gontijo Flores (apud CARVALHO et al, 2017) e\nde poemas do <em>Ap\u00eandice virgiliano<\/em> por Marina Cavichiolo Grochocki (2019).\nConsiderando apenas a produ\u00e7\u00e3o latina antiga, destaca-se a\u00ed a aus\u00eancia de\ntradu\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas das <em>Buc\u00f3licas<\/em> de Calp\u00farnio S\u00edculo e das <em>\u00c9clogas de\nEinsiedeln<\/em>, sendo que ambas as obras integram nosso objeto de estudo. A fim\nde avaliar tais pr\u00e1ticas tradut\u00f3rias, partiremos da concep\u00e7\u00e3o de emula\u00e7\u00e3o\nr\u00edtmica de Guilherme Gontijo Flores e Rodrigo Tadeu Gon\u00e7alves (2014; 2017), das\nideias de tradu\u00e7\u00e3o como cria\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica, de transcria\u00e7\u00e3o e de ruptura dos\ng\u00eaneros de Haroldo de Campos (2013), e tamb\u00e9m de algumas reflex\u00f5es acerca do\nritmo de Henri Meschonnic (1982; 2010). Verificaremos como os textos traduzidos\ndialogam com a poesia de l\u00edngua portuguesa e seus ritmos e como, numa\nperspectiva trans-hist\u00f3rica, de acordo com Martindale (2006), ressignificam a\nliteratura antiga, criando bases para uma partilha do sens\u00edvel mais diversa,\nconforme Jacques Ranci\u00e8re (2000), e para uma revis\u00e3o dos princ\u00edpios humanistas,\ncomo proposta por Edward Said (2007).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>CAMPOS, H. <strong>A reopera\u00e7\u00e3o do texto<\/strong>. 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2013.<\/li><li>______. <strong>Metalinguagem e outras metas<\/strong>. 4\u00aa ed. 4\u00aa reimp. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2013.<\/li><li>CARVALHO, R. et al. <strong>Por que calar nossos amores? Poesia homoer\u00f3tica latina<\/strong>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2017.<\/li><li>FERNANDES, T. Virg\u00edlio no Brasil. <strong>Belas Infi\u00e9is<\/strong>, v. 7, n. 1, p. 351-373, 2018.<\/li><li>FLORES, G. G.; GON\u00c7ALVES, R. T. <strong>Algo infiel: corpo performance tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>. Florian\u00f3polis: Cultura e Barb\u00e1rie; S\u00e3o Paulo: n-1 edi\u00e7\u00f5es, 2017.<\/li><li>GROCHOCKI, M. C. <strong>A tradi\u00e7\u00e3o buc\u00f3lica no Ap\u00eandice Virgiliano. 381 f.<\/strong> Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Setor de Ci\u00eancias Humanas, Universidade Federal do Paran\u00e1, Curitiba, 2019.<\/li><li>HARDWICK, L. <strong>Translating Words, Translating Cultures<\/strong>. Londres: Duckworth, 2000.<\/li><li>LEFEVERE, A. <strong>Translation, Rewriting, and the Manipulation of Literary Fame<\/strong>. Londres: Routledge, 1992.<\/li><li>MARTINDALE, C.; THOMAS, R. (Orgs.). <strong>Classics and the Uses of Reception.<\/strong> Malden: Blackwell, 2006.<\/li><li>MESCHONNIC, H. <strong>Critique du rhythme: anthropologie historique du langage<\/strong>. Lagrasse: Verdier, 1982.<\/li><li>______. <strong>Po\u00e9tica do traduzir<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2010.<\/li><li>RANCI\u00c8RE, J. <strong>Le partage du sensible: esth\u00e9tique et politique<\/strong>. Paris: La Fabrique, 2000.<\/li><li>SAID, E. W. <strong>Humanismo e cr\u00edtica democr\u00e1tica<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Rosaura Eichenberg. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2007.<\/li><li>T\u00c1PIA, M.; N\u00d3BREGA, T. M. (Orgs.). <strong>Haroldo de Campos &#8211; Transcria\u00e7\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o Paulo, Perspectiva: 2013.<\/li><li>VIRG\u00cdLIO. <strong>Buc\u00f3licas<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rio de Raimundo Carvalho. Belo Horizonte: Cris\u00e1lida, 2005.<\/li><li>______. <strong>Buc\u00f3licas<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Manuel Odorico Mendes. Cotia: Ateli\u00ea Editorial; Campinas: Editora da Unicamp, 2008.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: poesia buc\u00f3lica; recep\u00e7\u00e3o; tradu\u00e7\u00e3o; reescrita; ritmo.<\/p>\n\n\n\n<h4>5 <strong>A velha querela entre poetas e&#8230;fil\u00f3logos? \u2014 analisando crit\u00e9rios de tradu\u00e7\u00e3o nas Letras Cl\u00e1ssicas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Rafael Brunhara<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\n\nHoje, no campo das Letras Cl\u00e1ssicas \u2013 os estudos de Latim e Grego Cl\u00e1ssico \u2013 observamos diversas posi\u00e7\u00f5es acerca da tradu\u00e7\u00e3o de textos po\u00e9ticos.&nbsp;&nbsp;Estas parecem ter sido resumidas&nbsp;&nbsp;numa oposi\u00e7\u00e3o entre \u201ctradu\u00e7\u00e3o po\u00e9tica\u201d e \u201ctradu\u00e7\u00e3o filol\u00f3gica\u201d. Com esta comunica\u00e7\u00e3o prop\u00f5e-se investigar a terminologia usada por tradutores de ambas as &#8220;vertentes&#8221; ao abordar o texto po\u00e9tico, bem como o hist\u00f3rico desta distin\u00e7\u00e3o a partir da considera\u00e7\u00e3o dos chamados \u201ccrit\u00e9rios de tradu\u00e7\u00e3o\u201d, sempre explicitados e figurados como importante paratexto que mobiliza de antem\u00e3o uma concep\u00e7\u00e3o de poesia (antiga e\/ou moderna) que predisp\u00f5e o leitor e, geralmente, marca a posi\u00e7\u00e3o do tradutor diante da aparente dicotomia. Ao fim, pretendemos trabalhar com a hip\u00f3tese de que tal dicotomia se d\u00e1 especialmente nas Letras Cl\u00e1ssicas em raz\u00e3o de especificidades hist\u00f3ricas desta \u00e1rea, que assinalaram, ao longo do tempo, diversas rela\u00e7\u00f5es com o texto po\u00e9tico.\n\n<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>CAMPOS, H. de. P\u00edndaro, hoje. in&nbsp;<em>A arte no Horizonte do prov\u00e1vel<\/em>, S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1969.<\/li><li>DUARTE, A.S. Por uma hist\u00f3ria da tradu\u00e7\u00e3o dos Cl\u00e1ssicos Greco-Latinos no Brasil.&nbsp;<em>Translatio.&nbsp;<\/em>Porto Alegre: vol.12, p.43-62. 2016.<\/li><li>GENTILI, B. \u201cLa traduzione dai lirici. Alcune ossevarzioni sul problema del tradurre\u201d in GENTILI, B.&nbsp;<em>Poesia e pubblico nella Grecia antica.<\/em>&nbsp;&nbsp;Milano: Feltrinelli, 2006, pp.311-317.<\/li><li>FURLAN, M. (org.). &#8220;Dossi\u00ea: Em torno da (re-)tradu\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos&#8221;.&nbsp;<em>Scientia&nbsp;traductionis<\/em>, Florian\u00f3polis: vol. 13, 281-348, 2013.<\/li><li>FURLAN, M. (org.) &#8220;Dossi\u00ea: Textos cl\u00e1ssicos &amp; tradu\u00e7\u00e3o&#8221;.&nbsp;<em>Scientia traductionis<\/em>, Florian\u00f3polis: vol. 10, 2011.<\/li><li>GON\u00c7ALVES, R.T. ; VIEIRA, B. V. G. (orgs.). &#8220;Dossi\u00ea: Tradu\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos em&nbsp;portugu\u00eas&#8221;. Curitiba:&nbsp;<em>Revista Letras,<\/em>&nbsp;89, 101-269, 2014.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> tradu\u00e7\u00e3o, filologia cl\u00e1ssica, poesia\ngreco-latina.<\/p>\n\n\n\n<h4>6 <strong>Traduzir a s\u00e1tira horaciana:&nbsp;&nbsp;a&nbsp;<em>Arte po\u00e9tica<\/em><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p> <em>Guilherme Gontijo Flores<\/em><\/p>\n\n\n\n<p> A recep\u00e7\u00e3o moderna da&nbsp;<em>Arte po\u00e9tica<\/em>&nbsp;horaciana interpretou muitas vezes a obra como uma esp\u00e9cie de tratado po\u00e9tico em forma epistolar, ainda que diversas exegeses observassem a singularidade de sua organiza\u00e7\u00e3o aparentemente desordenada. A estranheza da abertura e do encerramento do poema tamb\u00e9m&nbsp;&nbsp;intrigaram os estudiosos, por destoarem de um enquadramento tratad\u00edstico tradicional e se apoiarem no riso, ao modo do que encontramos nos sermones horacianos desde a obra sat\u00edrica. Levando em conta a instabilidade gen\u00e9rica constitutiva da&nbsp;<em>Arte po\u00e9tica<\/em>, busco apresentar alguns problemas tradut\u00f3rios que envolvem a decis\u00e3o de ler esta obra com \u00eanfase nos v\u00e1rios momentos de riso e que demandam, sobretudo no caso de uma tradu\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, uma linguagem que restaure seu car\u00e1ter sat\u00edrico. <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Alberte, Antonio. \u201cCoincidencias est\u00e9tico-literarias en la obra de Cicer\u00f3n y Horacio\u201d.&nbsp;<em>Emerita<\/em>, vol. 57, no. 1, 1989, pp. 37-88.&nbsp;<\/li><li>Asmis, Elizabeth. \u201cNeoptolemus and the Classification of Poetry\u201d.&nbsp;<em>Classical Philology<\/em>, vol. 87, no. 3, 1992, pp. 206-231.<\/li><li>Brink, C. O.&nbsp;<em>Horace on Poetry<\/em>: Prolegomena to the literary&nbsp;<em>Epistles.&nbsp;<\/em>Cambridge: Cambridge University Press, 1963.<\/li><li>_________.&nbsp;<em>Horace on Poetry<\/em>&nbsp;II: The&nbsp;<em>Ars poetica<\/em>. Cambridge: Cambridge University Press, 1971.<\/li><li>Falc\u00e3o, Pedro Braga\/ Hor\u00e1cio.&nbsp;<em>Ep\u00edstolas<\/em>. Lisboa: Cotovia, 2017.<\/li><li>Flores, Guilherme Gontijo. \u201cTradutibilidades em Tibulo\u201d In: Scientia traductionis. N. 10, 2011.&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.periodicos.ufsc.br\/index.php\/scientia\/article\/view\/1980-4237.2011n10p141\/19994\" target=\"_blank\">http:\/\/www.periodicos.ufsc.br\/index.php\/scientia\/article\/view\/1980-4237.2011n10p141\/19994<\/a>.<\/li><li>________.&nbsp;<em>Uma poesia de mosaicos nas&nbsp;<\/em>Odes<em>&nbsp;de Hor\u00e1cio.&nbsp;<\/em>Tese de doutorado defendida na USP. S\u00e3o Paulo, 2014.<\/li><li>Golden, Leon. \u201cCommentary to the&nbsp;<em>Ars poetica<\/em>\u201d In: Hardison, O .B. &amp; Golden, Leon (eds.)&nbsp;<em>Horace for students of literature: the \u201cArs poetica\u201d and its tradition.<\/em>&nbsp;Gainesville: University Press of Florida, 1995, pp. 23-41.<\/li><li>Grimal, Pierre.&nbsp;<em>Essai sur l\u2019Art Po\u00e9tique d\u2019Horace<\/em>. Paris: PUF, 1968.<\/li><li>Hardison, O .B. &amp; Golden, Leon (eds.)&nbsp;<em>Horace for students of literature: the \u201cArs poetica\u201d and its tradition.<\/em>&nbsp;Gainesville: University Press of Florida, 1995.<\/li><li><em>Q. Horati Flacci<\/em>&nbsp;<em>Opera<\/em>. ed. H. W. Garrod, Oxford, Clarendon Press, 1901.<\/li><li><em>Q. Horati Flacci<\/em>&nbsp;<em>Opera<\/em>. ed. F. Klingner, Leipzig, Teubner, 1959.<\/li><li><em>Horatius opera<\/em>. 4. ed. D. R. Shackleton Bailey. Leipzig, Teubner, 2001.<\/li><li>Kilpatrick, Ross S.&nbsp;<em>The poetry of friendship: Horace,&nbsp;<\/em>Epistles<em>&nbsp;I.&nbsp;<\/em>Edmonton: The University of Alberta Press, 1986.<\/li><li><em>________. The poetry of criticism: Horace,&nbsp;<\/em>Epistles<em>&nbsp;II and&nbsp;<\/em>Ars poetica. Edmonton: The University of Alberta Press, 1990.<\/li><li>Laird, Andrew. \u201cThe&nbsp;<em>Ars Poetica\u201d<\/em>&nbsp;In: Harrison, Stephen.(ed.).&nbsp;<em>The Cambridge companion to Horace<\/em>. Cambridge: Cambridge University Press, 2007, pp. 132-143.<\/li><li>Maciel, Bruno; Monteiro, Darla; Avelar, J\u00falia; &amp; Bianchet, Sandra (orgs.).&nbsp;<em>Epistula ad Pisones<\/em>. ed. bil\u00edngue. Belo Horizonte: FALE\/UFMG, 2013.<\/li><li>Maciel, Bruno Francisco dos Santos.&nbsp;<em>O poeta ensina a ousar: ironia e didatismo nas&nbsp;<\/em>Ep\u00edstolas<em>&nbsp;de Hor\u00e1cio<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. UFMG. Belo Horizonte, 2017.<\/li><li>Moralejo, Jos\u00e9 Lu\u00eds &amp; Hor\u00e1cio.&nbsp;<em>S\u00e1tiras, Ep\u00edstolas, Arte po\u00e9tica<\/em>. Introducciones, traducci\u00f3n y notas de Jos\u00e9 Luis Moralejo. Madrid: Gredos, 2008.<\/li><li>Prado, Jo\u00e3o Batista Toledo.&nbsp;<em>Canto e encanto, o charme da poesia latina: Contribui\u00e7\u00e3o para uma po\u00e9tica da expressividade em l\u00edngua latina.<\/em>&nbsp;Tese de doutorado na Usp. S\u00e3o Paulo, 1997.<\/li><li>Rosado Fernandes, R. M. &amp; Hor\u00e1cio.&nbsp;<em>Arte po\u00e9tica<\/em>: S\u00e1tira I, 4; Ep\u00edstolas II, 1 a Augusto; II, 2, a Floro; Ep\u00edstola aos Pis\u00f5es, ou ARTE PO\u00c9TICA. Introdu\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rio de R. M. Rosado Fernandes. 4. ed. revista e aumentada. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 2012.<\/li><li>Rostagni, Alberto.&nbsp;<em>Arte poetica.&nbsp;<\/em>Introduzione e commento di A. Rostagni. Turim: s\/e, 1930.<\/li><li>Rudd, Niall.&nbsp;<em>Horace<\/em>,<em>&nbsp;Epistles, Book II and Epistle to the Pisones (\u2018Ars poetica\u2019).<\/em>&nbsp;Edited by Niall Rudd. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.<\/li><li>Valette-Cagnac, Emmanuelle.&nbsp;<em>La lecture \u00e0 Rome: rites et pratiques.<\/em>&nbsp;Courtry: Belin, 1997.<\/li><li>_________. \u201cHor\u00e1cio,&nbsp;<em>Arte po\u00e9tica<\/em>&nbsp;1-100\u201d. In:&nbsp;<em>Letras cl\u00e1ssicas,&nbsp;<\/em>n. 15. S\u00e3o Paulo: Edusp, 2015, pp. 88-90. Consultado em&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.revistas.usp.br\/letrasclassicas\/article\/view\/104952\/103741\" target=\"_blank\">http:\/\/www.revistas.usp.br\/letrasclassicas\/article\/view\/104952\/103741<\/a>.<\/li><li>Wickham, E.G.&nbsp;<em>The Works of Horace with a Commentary.<\/em>&nbsp;2 vols. Oxford: Oxford University Press, 1891.&nbsp;<\/li><li>Wickham, Edward C. &amp; Garrod, H. W.&nbsp;<em>Q. Horati Flacci Opera<\/em>&nbsp;recognovit brevique adnotatione critica intruxit Eduardus C. Wickham, editio altera curante H. G. Garrod. Oxford: Oxford University Press, 1901.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Poesia romana, Tradu\u00e7\u00e3o po\u00e9tica,\nS\u00e1tira, Arte Po\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<h4>7 <strong>Deriva\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas da&nbsp;<em>Il\u00edada<\/em><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Leonardo Antunes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\n\nA partir das tradu\u00e7\u00f5es de um mesmo trecho da&nbsp;<em>Il\u00edada<\/em>&nbsp;feitas por uma s\u00e9rie de tradutores diferentes, analisarei como essas tradu\u00e7\u00f5es partem de (e apontam para) diferentes potencialidades po\u00e9ticas do texto de Homero e, ao faz\u00ea-lo, se constituem em textos novos, aut\u00f4nomos, que se expandem a partir da cristaliza\u00e7\u00e3o do procedimento est\u00e9tico adotado. Nesse movimento, ficar\u00e3o salientados, ao mesmo tempo, a identidade pr\u00f3pria de cada tradu\u00e7\u00e3o e suas rela\u00e7\u00f5es de complementariedade umas com as outras e com o texto de partida.\n\n<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>CAMPOS, Haroldo. <em>Transcria\u00e7\u00e3o<\/em>. Organizado por Marcelo T\u00e1pia e Thelma M\u00e9dici N\u00f3brega. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2013.<\/li><li>ECO, Umberto. <em>Obra aberta. <\/em>S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1991.<\/li><li>FLORES, G. G.; Gon\u00e7alves, R. T. <em>Algo infiel. <\/em>S\u00e3o Paulo: n-1 edi\u00e7\u00f5es, 2017.<\/li><li>HOMERO. <em>Il\u00edada<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Christian Werner. S\u00e3o Paulo: Ubu, 2018.<\/li><li>_____. <em>Il\u00edada<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro, Ediouro, 2001.<\/li><li>_____. <em>Il\u00edada<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Odorico Mendes. Rio de Janeiro\/S\u00e3o Paulo\/Porto Alegre\/Recife: W. M. Jackson Inc. Edit\u00f4res, 1964.<\/li><li>_____. <em>Il\u00edada<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Haroldo de Campos. Vol. 1. S\u00e3o Paulo: Editora Mandarim, 2001.<\/li><li>_____. <em>Il\u00edada<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Frederico Louren\u00e7o. S\u00e3o Paulo: Penguin\/Companhia das Letras, 2005.<\/li><li>S\u00d3FOCLES. <em>\u00c9dipo Tirano<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Leonardo Antunes. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2018.<\/li><li>T\u00c1PIA, Marcelo. \u201cO confronto com o imposs\u00edvel\u201d. Revista Circulad\u00f4, v. 3, p. 26, 2016.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Homero, Il\u00edada, Deriva\u00e7\u00e3o Est\u00e9tica, Tradu\u00e7\u00e3o de Poesia.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>8 Alegorese e exemplaridade na interpreta\u00e7\u00e3o do mito de Narciso no&nbsp;<em>Ovide Moralis\u00e9<\/em>&nbsp;(s\u00e9culo XIV)<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Rodrigo Lemos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A vers\u00e3o de Ov\u00eddio nas&nbsp;<em>Metamorfoses<\/em>&nbsp;para a hist\u00f3ria de Narciso (OV\u00cdDIO, 2006) \u00e9 uma refer\u00eancia central na trajet\u00f3ria do mito na literatura europeia. Sua presen\u00e7a atravessa a literatura francesa da Idade M\u00e9dia, especialmente em obras como o poema an\u00f4nimo&nbsp;<em>Narcisus et Dan\u00e9<\/em>&nbsp;(S\/A, 2002) e o&nbsp;<em>Roman de la Rose<\/em>, de Guillaume de Lorris e de Jean de Meung (LORRIS; MEUNG, 1984). Chama a aten\u00e7\u00e3o, nesse conjunto de textos medievais, o&nbsp;<em>Ovide moralis\u00e9<\/em>, texto an\u00f4nimo datado do in\u00edcio do s\u00e9culo XIV que se apresenta como uma tradu\u00e7\u00e3o das&nbsp;<em>Metamorfoses<\/em>&nbsp;(S\/A, 1915) Trata-se de uma das obras mais proximamente associadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria dos mitos antigos durante a Idade M\u00e9dia, dentre os quais o de Narciso. \u00c9 sobre os versos dedicados a esse mito que esta comunica\u00e7\u00e3o debru\u00e7ar-se-\u00e1, destacando os elementos divergentes da tradu\u00e7\u00e3o quanto ao texto original. Acordaremos especial aten\u00e7\u00e3o aos extratos interpolados \u00e0 narrativa traduzida do latim nos quais o narrador medieval exp\u00f5e uma moralidade que est\u00e1 ausente do poema de Ov\u00eddio. Procederemos&nbsp; primeiramente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o da estrutura narrativa da vers\u00e3o ovidiana de Narciso, que vai da falta motivada pela h\u00fabris do her\u00f3i \u00e0 expia\u00e7\u00e3o do erro determinada pelos deuses, fundada em um ciclo implac\u00e1vel, identific\u00e1vel tamb\u00e9m em algumas trag\u00e9dias pag\u00e3s. Em seguida, ser\u00e1 a vez do&nbsp;<em>Ovide moralis\u00e9<\/em>, examinando-se a sequ\u00eancia narrativa da tradu\u00e7\u00e3o medieval, bem como os trechos de car\u00e1ter moralizante, que trazem advert\u00eancias quanto a v\u00edcios dos quais Narciso ofereceria um exemplo negativo, explicitamente o orgulho e a vaidade. Finalmente, assinalaremos como tais advert\u00eancias fazem eco a outros textos, religiosos e filos\u00f3ficos, que influ\u00edram na cultura liter\u00e1ria do per\u00edodo medieval, dentre os quais a&nbsp;<em>B\u00edblia<\/em>&nbsp;(em especial o livro do \u201cG\u00eanesis\u201d e o \u201cEclesiastes\u201d, S\/A, 2002) e a&nbsp;<em>Suma Teol\u00f3gica<\/em>, de S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino (AQUINO, S\u00e3o Tom\u00e1s de, 1888). Mostraremos, desse modo, como o quadro cultural crist\u00e3o influi nessa releitura medieval do mito presente no&nbsp;<em>Ovide moralis\u00e9<\/em>, tanto nas passagens narrativas quanto naquelas de car\u00e1ter moralizante mais acentuado. Igualmente, teremos a ocasi\u00e3o de discutir a no\u00e7\u00e3o de tradu\u00e7\u00e3o no per\u00edodo medieval, sobretudo de obras pag\u00e3s, por meio do procedimento da alegorese, a qual consiste na interpreta\u00e7\u00e3o das figuras da Antiguidade como&nbsp;<em>integumenta<\/em>&nbsp;de verdades morais e teol\u00f3gicas crist\u00e3s (POSSAMAI-PEREZ, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>AQUINO, T.&nbsp;<strong>Summa Theologiae<\/strong>, edi\u00e7\u00e3o leonina. Rome: 1888, consultado no site http:\/\/www.corpusthomisticum.org em 25 de junho de 2019.<\/li><li><strong>B\u00cdBLIA DE JERUSAL\u00c9M<\/strong>, nova edi\u00e7\u00e3o, revista e ampliada. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002.<\/li><li>LORRIS, G.; MEUNG, J.&nbsp;<strong>Roman de la Rose<\/strong>. Paris: Gallimard, coll. \u201cFolio\u201d, 1984.<\/li><li><strong>NARCISUS ET DAN\u00c9<\/strong>. traduit en anglais par Penny Eley. Liverpool: The University &nbsp;of Liverpool Press, coll. \u201cLiverpool Online Serie\u201d, 2002, consultado no endere\u00e7o:<\/li><li>http:\/\/www.liv.ac.uk\/www\/french\/LOS\/ em 25 de junho de 2019.<\/li><li>POSSAMAI-PEREZ, M. \u201cOvide au Moyen-\u00c2ge\u201d, confer\u00eancia proferida na Universidade de Rennes em 13 de abril de 2008, dispon\u00edvel no endere\u00e7o: https:\/\/halshs.archives-ouvertes.fr\/halshs-00379427\/PDF\/Ovide_au_Moyen_ge.pdf e acessado em 7 de janeiro de 2019.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Narciso; Ov\u00eddio;&nbsp;<em>Ovide moralis\u00e9<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o; alegorese.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>9 Baudelaire na <em>triple frontera<\/em>: considera\u00e7\u00f5es sobre a rasura da origem<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Eleonora Frenkel<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A\ncomunica\u00e7\u00e3o apresenta uma an\u00e1lise da transcria\u00e7\u00e3o do poema <em>L\u2019albatros<\/em> (1857),\nde Charles Baudelaire, realizada por Douglas Diegues e publicada em <em>Tudo lo\nque voc\u00ea non sabe es mucho m\u00e1s que todo lo que voc\u00ea sabe<\/em> (2015). A tradu\u00e7\u00e3o\n\u00e9 pensada com Walter Benjamin, a partir do ensaio \u201cA tarefa do tradutor\u201d\n(1923), que traz reflex\u00f5es sobre a tradu\u00e7\u00e3o como um \u201c<em>continuum<\/em> de transforma\u00e7\u00f5es\u201d,\numa pot\u00eancia de desdobramento de um texto de partida que deixa de ser um\noriginal divinizado, ao qual se deve fidelidade e similitude, para ser a origem\nda qual emerge o contato com o divergente e o atravessamento pelo\nestrangeiro.&nbsp; Nesse sentido, contribui a\nperspectiva de Haroldo de Campos, que reivindica a tradu\u00e7\u00e3o criativa como um\nenfrentamento da diferen\u00e7a e da alteridade contra um original que se imp\u00f5e como\nautoridade; transgressora, demon\u00edaca, a opera\u00e7\u00e3o radical da\ntradu\u00e7\u00e3o-transcria\u00e7\u00e3o ser\u00e1 qualificada como \u201ctranslucifera\u00e7\u00e3o\u201d, uma \u201cdesmem\u00f3ria\nparricida\u201d (CAMPOS, 1981), na qual o original se oblitera como autoridade a ser\nimitada. Como tradutores de Baudelaire, procura-se estabelecer uma articula\u00e7\u00e3o\ncr\u00edtica entre os procedimentos de tradu\u00e7\u00e3o levados a cabo por Benjamin e\nDiegues, em seus contextos espec\u00edficos, questionando como suas tradu\u00e7\u00f5es\ninterv\u00eam nos respectivos \u201cpolissistemas liter\u00e1rios\u201d (Itamar Even-Zohar, 1996)\nnos quais se inscrevem. Como nos mostra a an\u00e1lise de Lages (2007), o projeto de\ntradu\u00e7\u00e3o levado a cabo por Benjamin vem a se opor \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o realizada 20 anos\nantes por Stefan George, pois enquanto este opera um movimento de domestica\u00e7\u00e3o\nda l\u00edngua estrangeira, Benjamin defende, apoiando-se em Rudolf Pannwitz, que o\ntradutor deve deixar-se abalar violentamente pela l\u00edngua estrangeira, ampliando,\naprofundando e libertando sua pr\u00f3pria l\u00edngua por meio do elemento estrangeiro.\nNo contexto latino-americano, a tradu\u00e7\u00e3o par\u00f3dica do poema em franc\u00eas para o\nportunhol selvagem pode ser lido como gesto de descoloniza\u00e7\u00e3o, onde se promove \u2013\nmais do &nbsp;que a abertura da l\u00edngua de\nchegada \u00e0 estrangeiridade da l\u00edngua de partida (entre as quais a rela\u00e7\u00e3o\nhist\u00f3rica \u00e9 de subordina\u00e7\u00e3o) \u2013,&nbsp; o\natravessamento da l\u00edngua homogeneizada e imposta como nacional em um processo\nde conquista territorial e coloniza\u00e7\u00e3o cultural que tende ao exterm\u00ednio de\nl\u00ednguas origin\u00e1rias e ao apagamento de diferen\u00e7as. A <em>transdelira\u00e7\u00e3o<\/em> de\nDiegues aparece como um gesto barroco de apropria\u00e7\u00e3o transgressiva da tradi\u00e7\u00e3o\n(a partir da leitura de CAMPOS, 2011), ao traduzir para uma \u201cl\u00edngua impura\u201d,\ncom elementos par\u00f3dicos e pat\u00e9ticos, um poema que se traduz para o portugu\u00eas\nbrasileiro desde 1878 de modo sublimador.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>BAUDELAIRE, Charles. <strong>As flores do mal<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. Edi\u00e7\u00e3o bilingue.<\/li><li>BENJAMIN, Walter. \u201cA Tarefa-Ren\u00fancia do Tradutor\u201d. Tradu\u00e7\u00e3o de Susana K. Lages. In: Werner Heidermann (org.). <strong>Cl\u00e1ssicos da Teoria da Tradu\u00e7\u00e3o<\/strong>, Vol. 1, Alem\u00e3o-Portugu\u00eas, Florian\u00f3polis: UFSC, N\u00facleo de Tradu\u00e7\u00e3o, 2001, pp. 188-215.<\/li><li>CAMPOS, Haroldo de. \u201cTradi\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o, transcultura\u00e7\u00e3o: o ponto de vista do ex-c\u00eantrico\u201d. Tradu\u00e7\u00e3o de Aline de Oliveira. In: <strong>_________. Da transcria\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/li><li><strong>&nbsp;Po\u00e9tica e semi\u00f3tica da opera\u00e7\u00e3o tradutora. <\/strong>Belo Horizonte: FALE, 2011, pp. 123-131.<\/li><li>________. <strong>Deus e o diabo no Fausto de Goethe<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1981.<\/li><li>DIEGUES, Douglas. <strong>Tudo lo que voc\u00ea non sabe es mucho m\u00e1s que todo lo que voc\u00ea sabe. Brasil: Vento Norte Cartonera<\/strong>, 2015. Dispon\u00edvel em: https:\/\/issuu.com\/elilacardenas\/docs\/douglas_diegues (Consultado 07\/05\/2019).<\/li><li>EVEN-ZOHAR, Itamar. \u201cA posici\u00f3n da traducci\u00f3n literaria dentro do polisistema literario\u201d, <strong>Viceversa, Revista Galega de Traducci\u00f3n<\/strong>, 1996, n\u00famero 2, pp. 57-65.<\/li><li>LAGES, Susana Kampff. \u201cWalter Benjamin, tradutor de Baudelaire\u201d, <strong>Revista Alea<\/strong>, volume 9, n\u00famero 2, julho-dezembro 2007, p. 239-249.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: transcria\u00e7\u00e3o; origem; Baudelaire; portunhol.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>10 Escrever a hist\u00f3ria da tradu\u00e7\u00e3o: o problema da escala<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Karina Lucena<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No campo da hist\u00f3ria, o debate sobre sua escrita est\u00e1 consolidado com\nperspectivas diversas e consistente bibliografia, da qual participam nomes\nincontorn\u00e1veis como Michel de Certeau, Peter Burke, Roger Chartier, Marc Bloch.\nA hist\u00f3ria liter\u00e1ria, na corrente desse debate, tamb\u00e9m vem refletindo sobre\nformas de escrita; uma perspectiva interessante \u00e9 a de Franco Moretti e suas\nconjecturas sobre a literatura mundial, que prop\u00f5e alternativas aos recortes\nnacionais. Considerando esse ac\u00famulo vindo da hist\u00f3ria e da hist\u00f3ria liter\u00e1ria,\no objetivo desta comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 pensar a escrita da hist\u00f3ria da tradu\u00e7\u00e3o, em\nespecial a partir do problema da escala. Sistema-mundo, sistema nacional, micro\ne macro-hist\u00f3ria s\u00e3o categorias percorridas neste estudo, a fim de compreender\nas especificidades da hist\u00f3ria da tradu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m dos autores anteriormente\ncitados, integram nossa base te\u00f3rica Walter Benjamin, Pascale Casanova,\nPatricia Willson e Sergio Waisman. Para exemplificar o racioc\u00ednio, utilizamos\ncasos do sistema liter\u00e1rio argentino.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>BENJAMIN, Walter. <strong>Escritos sobre mito e linguagem<\/strong>. Organiza\u00e7\u00e3o, apresenta\u00e7\u00e3o e notas de Jeanne Marie Gagnebin. Tradu\u00e7\u00e3o de Susana Kampff Lages e Ernani Chaves. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2013.<\/li><li>______. <strong>La tarea del cr\u00edtico<\/strong>. Edi\u00e7\u00e3o de Mariana Dim\u00f3pulos. Tradu\u00e7\u00e3o de Ariel Magnus. Buenos Aires: Eterna cadencia, 2017. <\/li><li>______. <strong>Linguagem, tradu\u00e7\u00e3o, literatura (filosofia, teoria e cr\u00edtica)<\/strong>. Edi\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Barrento. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2018.<\/li><li>BLOCH, Marc. <strong>Apologia da hist\u00f3ria: ou O of\u00edcio do historiador<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.&nbsp; <\/li><li>BURKE, Peter (org.). <strong>A escrita da hist\u00f3ria: novas perspectivas<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Magda Lopes. S\u00e3o Paulo: UNESP, 1992.<\/li><li>CASANOVA, Pascale (1999). <strong>A rep\u00fablica mundial das letras<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Marina Appenzeller. S\u00e3o Paulo: Esta\u00e7\u00e3o Liberdade, 2002.<\/li><li>CERTEAU, Michel de. <strong>A escrita da hist\u00f3ria<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria de Lourdes Menezes. Rio de Janeiro: Forense, 2013.<\/li><li>CHARTIER, Roger. <strong>A hist\u00f3ria ou a leitura do tempo<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Cristina Antunes. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2017.<\/li><li>L\u00d6WY, Michael. <strong>Walter Benjamin: aviso de inc\u00eandio \u2013 Uma leitura das teses \u201cSobre o conceito de hist\u00f3ria\u201d<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Wanda Nogueira Caldeira Brant. Tradu\u00e7\u00e3o das teses Jeanne Marie Gagnebian e Marcos Lutz M\u00fcller. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2005.<\/li><li>MORETTI, Franco (1997). <strong>Atlas do romance europeu 1800 \u2013 1900<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Sandra Guardini Vasconcelos. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2003. <\/li><li>______ (2000). <strong>Conjeturas sobre a literatura mundial<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Marcos Macedo. Novos Estudos CEBRAP. n. 58, nov. 2000.<\/li><li>______ (2013). <strong>Lectura distante<\/strong>. Traducci\u00f3n de Lilia Mosconi. Buenos Aires: Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, 2015.<\/li><li>WAISMAN, Sergio. <strong>Borges y la traducci\u00f3n<\/strong>. Traducci\u00f3n de Marcelo Cohen. Buenos Aires: Adriana Hidalgo editora, 2005.<\/li><li>WILLSON, Patricia. <strong>La Constelaci\u00f3n del Sur: traductores y traducciones en la literatura argentina del siglo XX<\/strong>. Buenos Aires: Siglo XXI editores, 2017.<\/li><li>______. <strong>P\u00e1gina impar: Textos sobre la traducci\u00f3n en Argentina: conceptos, historia, figuras<\/strong>. Buenos Aires: EThos Traductora, 2019.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: hist\u00f3ria da tradu\u00e7\u00e3o; escrita da hist\u00f3ria; escala; hist\u00f3ria liter\u00e1ria; literatura argentina.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>11 Copiei sim: <em>Macuna\u00edma<\/em> em tradu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>M\u00e1rcia Moura da Silva<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0\nefervesc\u00eancia do modernismo nasceu <em>Macuna\u00edma<\/em>, obra-mestra de M\u00e1rio de\nAndrade. Por\u00e9m, antes de se tornar o c\u00e2none que hoje conhecemos, teve uma\nrecep\u00e7\u00e3o conturbada, permeada por cr\u00edticas negativas que atacavam sobretudo o\nuso in\u00e9dito da linguagem oral feita pelo escritor paulista, as in\u00fameras conota\u00e7\u00f5es\nsexuais, consideradas inapropriadas \u00e0quela \u00e9poca, e a apresenta\u00e7\u00e3o de Macuna\u00edma\ncomo um suposto s\u00edmbolo do brasileiro (LOPEZ, 1988). Mas o her\u00f3i sem nenhum\ncar\u00e1ter n\u00e3o nasceu em 1928. A obra marioandradina teve por base o relato do\netn\u00f3grafo alem\u00e3o Koch-Gr\u00fcnberg (1924), no qual registra a hist\u00f3ria de\nMakuna\u00edma, her\u00f3i ardiloso dos povos pemon, que lhe contaram dois \u00edndios da\nregi\u00e3o de fronteira do Brasil, Venezuela e Guiana. Tal fato causaria mais\npol\u00eamica, pois como poderia um escritor t\u00e3o bem conceituado simplesmente\n\u201ccopiar\u201d hist\u00f3ria de outrem? Mas em resposta \u00e0 defesa do escritor Raimundo\nMoraes, M\u00e1rio de Andrade foi categ\u00f3rico: \u201ccopiei, sim, meu querido defensor\u201d.\nCom base nessas delibera\u00e7\u00f5es, esta comunica\u00e7\u00e3o tem dois objetivos. O primeiro,\napoiado nos tipos de tradu\u00e7\u00e3o do te\u00f3rico estoniano Peeter Torop (2005), \u00e9\nquestionar se a obra marioandradina n\u00e3o seria ela uma tradu\u00e7\u00e3o e se M\u00e1rio de\nAndrade n\u00e3o ocuparia a dupla fun\u00e7\u00e3o de autor e tradutor da raps\u00f3dia. Na\napresenta\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o intertextual e intratextual, Torop ressalta que n\u00e3o h\u00e1\ntextos puros, visto que ao escrever um texto, al\u00e9m da reflex\u00e3o pessoal, o autor\nrecebe influ\u00eancias externas. Assim, sua criatividade n\u00e3o se manifesta somente\nno que diz respeito \u00e0 reflex\u00e3o pessoal, mas tamb\u00e9m \u00e0 sua capacidade de s\u00edntese\ndo material alheio. O papel do tradutor seria o de notar a presen\u00e7a do texto\nalheio, tornando-o reconhec\u00edvel para o leitor do texto de chegada. Enquanto a\ntradu\u00e7\u00e3o intertextual realiza-se quando ocorre a assimila\u00e7\u00e3o, impl\u00edcita ou expl\u00edcita,\nconsciente ou inconsciente, de outros textos, a tradu\u00e7\u00e3o intratextual refere-se\naos v\u00ednculos do autor consigo mesmo, \u00e0 sua po\u00e9tica. O segundo objetivo da\ncomunica\u00e7\u00e3o \u00e9 discutir a posi\u00e7\u00e3o que a obra ocupa no sistema liter\u00e1rio\nbrasileiro, comparando-a \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de sua tradu\u00e7\u00e3o em l\u00edngua inglesa no sistema\nliter\u00e1rio de chegada com base na teoria dos polissistemas de Even-Zohar (1978),\npara quem as tradu\u00e7\u00f5es t\u00eam o potencial de enriquecer o polissistema nacional ao\nintroduzirem novos modelos e linguagem po\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>ANDRADE, M\u00e1rio. Carta aberta ao Di\u00e1rio Nacional, a. 5, no. 1.262. S\u00e3o Paulo, domingo, 20 set. 1931, p. 3.<\/li><li>EVEN-ZOHAR, Itamar. <strong>Paper in historical poetics<\/strong>. Tel-Aviv: The Porter Institute for Poetics and Semiotics, 1978.<\/li><li>KOCH-GR\u00dcNBERG, Theodor. <strong>Del Roraima al Orinoco<\/strong>. Tomo II. Traducci\u00f3n Federica de Ritter. Caracas: Banco Central de Venezuela, 1981.<\/li><li>LOPEZ, Tel\u00ea Porto A. (coord.). <strong>Macuna\u00edma, o her\u00f3i sem nenhum carat\u00e9r<\/strong> &#8211; Edi\u00e7\u00e3o Cr\u00edtica de Macuna\u00edma. Florian\u00f3polis: Editora da UFSC\/UNESCO, 1988.<\/li><li>TOROP, Peeter. <strong>La traduzione totale: tipi di processo traduttivo nella cultura<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Bruno Osimo. Milano: Ulrico Hoepli Editore, 2010.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: estudos da tradu\u00e7\u00e3o; Macuna\u00edma; modernismo; tipos de tradu\u00e7\u00e3o; teoria dos polissistemas.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>12 <em>Multitudinous heart<\/em>: uma an\u00e1lise da tradu\u00e7\u00e3o de poemas drummondianos para a l\u00edngua inglesa<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Mariane Rocha<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este\ntrabalho analisa tr\u00eas poemas de Carlos Drummond de Andrade traduzidos para\nl\u00edngua inglesa por Richard Zenith. Os poemas foram publicados na colet\u00e2nea <em>Multitudinous\nheart: selected poems by Carlos Drummond de Andrade<\/em> (2015). O objetivo\ndesta an\u00e1lise \u00e9, reconhecendo o processo tradut\u00f3rio como um fen\u00f4meno\nintertextual, entender o di\u00e1logo entre a obra original e a obra traduzida,\natentando para fatores como o contexto de recep\u00e7\u00e3o e examinando como o tradutor\nsoluciona problemas pr\u00f3prios da tradu\u00e7\u00e3o de poesia, como a correspond\u00eancia de\nritmo e sons e a correspond\u00eancia sem\u00e2ntica entre sistemas lingu\u00edsticos t\u00e3o\ndiferentes quanto o ingl\u00eas e o portugu\u00eas. Assim, a presente an\u00e1lise n\u00e3o busca\nverificar se a tradu\u00e7\u00e3o foi ou n\u00e3o fiel ao texto original, nem mesmo qualificar\nos erros e acertos do tradutor, espera-se, antes, entender os mecanismos de\nl\u00edngua que o tradutor utilizou e verificar de quais maneiras o original se\nmanifesta na tradu\u00e7\u00e3o, a fim de aprofundar o entendimento sobre as\ncaracter\u00edsticas da l\u00edrica drummondiana que permanecem ou n\u00e3o nos poemas\ntraduzidos. Para elaborar essa reflex\u00e3o, al\u00e9m dos poemas selecionados, tamb\u00e9m\ns\u00e3o utilizadas tradu\u00e7\u00f5es realizadas anteriormente por outros tradutores, com o\nintuito de comparar e contrastar diferentes abordagens do texto po\u00e9tico e suas\nsolu\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas, bem como as reflex\u00f5es te\u00f3ricas de John Gledson (2003) e\nWalter Benjamin (2008). \u00c9 importante enfatizar que a poesia drummondiana\noferece um grau de dificuldade bastante alto a qualquer tradutor, seja pela\nextens\u00e3o de sua obra, seja pelos diferentes contextos temporais em que o poeta\nescreveu. Apesar disso, foi poss\u00edvel afirmar que o tradutor realiza um trabalho\nbem-sucedido na tradu\u00e7\u00e3o drummondiana, sendo capaz de equilibrar criativamente\nforma e conte\u00fado. Zenith apresenta uma ex\u00edmia capacidade de leitura dos poemas\ndrummondianos e consegue tomar decis\u00f5es s\u00e1bias sobre o que preservar, o que dar\ndestaque e, consequentemente, o que deixar em segundo plano, principalmente,\nquando posto em compara\u00e7\u00e3o a outros tradutores que trabalharam com poemas de\nDrummond anteriormente, como Elizabeth Bishop e John Nist, Zenith. Entendemos\naqui, que ele apresenta as tradu\u00e7\u00f5es mais sens\u00edveis poeticamente. Tra\u00e7amos\nassim algumas hip\u00f3teses e delimitamos o que pareceram tend\u00eancias nos poemas\nanalisados, a fim de iniciar o debate sobre essa tradu\u00e7\u00e3o que \u00e9 ainda recente.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>ANDRADE, Carlos Drummond. <strong>Nova reuni\u00e3o<\/strong>: 23 livros de poesia. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2015<\/li><li>ANDRADE, Carlos Drummond. <strong>Multitudinous heart<\/strong>: Seletected poems, a bilingual edition. Trad. Richard Zenith. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2015.<\/li><li>BENJAMIN, Walter. <strong>A tarefa do tradutor de Walter Benjamin: quatro tradu\u00e7\u00f5es para o portugu\u00eas<\/strong>. Belo Horizonte: Fale\/UFMG, 2008.<\/li><li>GLEDSON, John. <strong>Influ\u00eancias e impasses: Drummond e alguns contempor\u00e2neos<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia das letras, 2003.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: tradu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria; tradu\u00e7\u00e3o de poesia; poesia brasileira; Carlos Drummond de Andrade, Richard Zenith.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>13 Uma tradu\u00e7\u00e3o transcriadora de <em>Am\u0153nitates belgic\u00e6<\/em>, de Charles Baudelaire <\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Rafael Prud\u00eancio<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este\ntrabalho tem como objetivo apresentar uma tradu\u00e7\u00e3o in\u00e9dita para o portugu\u00eas dos\npoemas de Charles Baudelaire, publicados postumamente, na obra intitulada <em>Am\u0153nitates\nbelgic\u00e6<\/em>. Esses poemas refletem a experi\u00eancia de Baudelaire na B\u00e9lgica, em\nseus \u00faltimos anos de vida. Buscando ganhar prest\u00edgio e dinheiro, como lembra\nseu bi\u00f3grafo Charles Asselineau, Baudelaire seguiu o exemplo de autores como\nDickens, Thackeray, Longfellow e Poe e saiu de seu pa\u00eds para dar confer\u00eancias,\nfazer leituras p\u00fablicas e publicar seus livros. Na B\u00e9lgica, no entanto, o autor\nde <em>Flores do Mal<\/em> n\u00e3o tem o reconhecimento que esperava. Relatos apontam\nque, al\u00e9m da poesia de Baudelaire n\u00e3o despertar o interesse dos intelectuais\nbelgas, o poeta franc\u00eas era um p\u00e9ssimo orador. Logo, foram pouqu\u00edssimas as\nconfer\u00eancias que ele proferiu. Esses poemas s\u00e3o, portanto, fruto da raiva e da\ndecep\u00e7\u00e3o de Charles Baudelaire e trazem um olhar do colonizador que aponta para\nos defeitos \u2013 que eram, na verdade, problemas de um pa\u00eds que ainda n\u00e3o estava\ndesenvolvido \u2013&nbsp; do pa\u00eds e do povo,\nsobretudo para sujeira de Bruxelas, a higiene dos Belgas e o modos das pessoas.\nBusca-se, nesse trabalho, fazer dois movimentos tradut\u00f3rios: em um primeiro\nmomento, realizar uma tradu\u00e7\u00e3o literal dos poemas, procurando apenas informar o\nleitor a respeito do seu conte\u00fado sem\u00e2ntico; em seguida, tomando-o como baliza,\nrealizar uma tradu\u00e7\u00e3o visando alcan\u00e7ar a cria\u00e7\u00e3o de um poema an\u00e1logo. Nesse\nsentido, a concep\u00e7\u00e3o de tradu\u00e7\u00e3o como recria\u00e7\u00e3o, como <em>transcria\u00e7\u00e3o<\/em>\norienta a reflex\u00e3o. Uma tradu\u00e7\u00e3o que, seguindo as ideias de Walter Benjamin\n(2008), n\u00e3o sirva apenas como um meio de comunica\u00e7\u00e3o. Como afirma Haroldo de\nCampos, na tradu\u00e7\u00e3o de um poema, o essencial n\u00e3o \u00e9 a reconstitui\u00e7\u00e3o da\nmensagem, \u201cmas a reconstitui\u00e7\u00e3o do sistema de signos em que est\u00e1 incorporada\nesta mensagem, da informa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, n\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o meramente sem\u00e2ntica\u201d\n(CAMPOS, 2010, p.100) Com essa segunda tradu\u00e7\u00e3o pretende-se capturar o esp\u00edrito\ndo poema para recri\u00e1-lo em portugu\u00eas, considerando tanto os aspectos formais\nquanto os aspectos materiais a fim de \u201credimir na l\u00edngua pr\u00f3pria aquela l\u00edngua\npura que se exilou nas alheias, a de a libertar da pris\u00e3o da obra atrav\u00e9s da\nrecria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica\u201d. (BENJAMIN, 2008, p.95, 96)<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>ASSELINEAU, Charles. <strong>Charles Baudelaire, sa vie et son \u0153uvre<\/strong>. Rugged Publishing, 2014. Edi\u00e7\u00e3o do Kindle.<\/li><li>BAUDELAIRE, Charles. <strong>Charles Baudelaire: L&#8217;\u00e9dition compl\u00e8te<\/strong>. La D\u00e9cimale, 2014. Edi\u00e7\u00e3o do Kindle.<\/li><li>BENJAMIN, Walter. <strong>A tarefa do tradutor<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Barrento. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2008.<\/li><li>CAMPOS, Haroldo de. <strong>A arte no horizonte do prov\u00e1vel<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2010.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Charles Baudelaire; literatura francesa; tradu\u00e7\u00e3o; transcria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Narciso; Ov\u00eddio; <em>Ovide moralis\u00e9<\/em>; tradu\u00e7\u00e3o; alegorese.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<h4><strong>14 A \u201cdiegese\u201d em tradu\u00e7\u00e3o: considera\u00e7\u00f5es sobre a tradu\u00e7\u00e3o do termo <em>diegesis<\/em> em Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Thiago Koslowsky da Rosa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O\nobjetivo do presente trabalho \u00e9 fazer uma breve an\u00e1lise dos usos do conceito de\n\u201cdiegese\u201d nas obras <em>A Rep\u00fablica<\/em> de Plat\u00e3o e a <em>Po\u00e9tica<\/em> de\nArist\u00f3teles, considerando em seguida como esses termos foram vertidos nas\nrespectivas tradu\u00e7\u00f5es em l\u00edngua portuguesa de Maria Helena da Rocha Pereira\n(1987) e Eudoro de Souza (1996), buscando avaliar o quanto as tradu\u00e7\u00f5es podem\nrevelar posi\u00e7\u00f5es correntes da cr\u00edtica liter\u00e1ria e narratol\u00f3gica do per\u00edodo em\nque foram produzidas. O termo grego diegesis comumente traduzido para o\nportugu\u00eas como \u201cnarrativa\u201d envolve, no entanto, uma polissemia de dif\u00edcil\nsolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 nos autores gregos do per\u00edodo cl\u00e1ssico como Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles.\nPara Plat\u00e3o, esse termo constitui a base do fazer liter\u00e1rio (<em>Rep\u00fablica<\/em>,\n392d), sendo a mimese uma categoria dentro da diegese; posi\u00e7\u00e3o oposta \u00e9 a\napresentada por Arist\u00f3teles em sua <em>Po\u00e9tica<\/em>, destacando, pelo contr\u00e1rio,\na diegese como um modo da mimese (<em>Po\u00e9tica<\/em>, 1459b). Pretende-se, assim,\navaliar as poss\u00edveis diferen\u00e7as de sentido apresentadas em recortes\nselecionados das obras destacadas dos dois autores. Leva-se em conta tamb\u00e9m\ndesdobramentos da cr\u00edtica narratol\u00f3gica do s\u00e9culo XX, como a distin\u00e7\u00e3o feita\npelos formalistas russos entre <em>f\u00e1bula<\/em> e <em>trama<\/em> (TOMACHEVSKI,\n1976), a delimita\u00e7\u00e3o de G\u00e9rard Genette (1972) das tr\u00eas acep\u00e7\u00f5es de <em>r\u00e9cit<\/em>\n(termo franc\u00eas correlato \u00e0 narrativa e diegese, o qual apresenta problemas\nsemelhantes de defini\u00e7\u00e3o), e as tr\u00eas categorias de an\u00e1lise do <em>r\u00e9cit<\/em> \u2013\ntempo, aspecto e modo \u2013 propostos por Tzvetan Todorov (1966). Esses autores\nser\u00e3o importantes na an\u00e1lise justamente por demostrarem a dificuldade de se\nestabelecer um sentido primeiro para conceitos como diegese, narrativa, <em>r\u00e9cit<\/em>\ne outros termos correlatos. Para a abordagem das tradu\u00e7\u00f5es, utiliza-se a linha\nda teoria dos polissistemas de Itamar Even-Zohar (1990), assim como\ndesdobramentos dos estudos descritivos da tradu\u00e7\u00e3o (TOURY, 1995) de modo a\nbuscar n\u00e3o o ju\u00edzo de valor das tradu\u00e7\u00f5es em quest\u00e3o, mas a busca por fatores\nou normas culturais que influenciaram nas escolhas tradut\u00f3rias para o termo <em>diegesis<\/em>,\nassim como a recep\u00e7\u00e3o, a repercuss\u00e3o, dessas tradu\u00e7\u00f5es dentro do seu\npolissistema liter\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>ARIST\u00d3TELES. <strong>Po\u00e9tica<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o, Pref\u00e1cio, Introdu\u00e7\u00e3o, Coment\u00e1rio e Ap\u00eandice de Eudoro de Souza. Lisboa: Imprensa Nacional \u2013 Casa da Moeda, 1994. 4 ed.<\/li><li>EVEN-ZOHAR, Itamar. Polysystem studies. [ = <strong>Poetics today<\/strong>, v. 11, n.1], 1990. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/m.tau.ac.il\/~itamarez\/works\/books\/Even-Zohar_1990\u2014Polysystem%20studies.pdf&gt;. Acesso em 21 jul. 2019.<\/li><li>GENETTE, G\u00e9rard. <strong>Figures III<\/strong>. Paris: \u00c9ditions du Seuil, 1972.<\/li><li>PLAT\u00c3O. <strong>A Rep\u00fablica<\/strong>. Introdu\u00e7\u00e3o, Tradu\u00e7\u00e3o e Notas de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian. 9 ed.<\/li><li>TODOROV, Tzvetan. Les cat\u00e9gories du r\u00e9cit litt\u00e9raire. <strong>Communications<\/strong>, 8, p. 125-151, 1966. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.persee.fr\/doc\/comm_0588-8018_1966_num_8_1_1120 Acesso em 21 jul. 2019<\/li><li>TOMACHEVSKI, B. Tem\u00e1tica. IN: Toledo, D. O. (Org.) <strong>Teoria da Literatura<\/strong>: formalistas russos. Tradu\u00e7\u00e3o Porto Alegre: Editora Globo, 1976. p. 169-204<\/li><li>TOURY, Gideon. <strong>Descriptive Translation Studies \u2013 and beyond<\/strong>. Amsterdam\/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 1995.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: diegese; Plat\u00e3o; Arist\u00f3teles; polissemia; tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>15 Narrativas sobre Clitemnestra: an\u00e1lises comparativas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Tiago Irigaray<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As\ntrag\u00e9dias eram um grande evento na <em>p\u00f3lis<\/em> de Atenas, uma p\u00f3lis onde a tens\u00e3o\nde g\u00eanero era muito intensa (FOLEY, 2001). As trag\u00e9dias falam de mitos consolidados\npela poesia hom\u00e9rica ainda no Per\u00edodo Arcaico, onde a <em>Oresteia<\/em> (mito sangrento\nde Clitemnestra e sua fam\u00edlia) influenciava fortemente a <em>Odisseia<\/em>. Al\u00e9m disso,\na condi\u00e7\u00e3o da mulher nobre do per\u00edodo arcaico era muito melhor do que as restri\u00e7\u00f5es\nreclusivas impostas \u00e0s esposas atenienses (FOLEY, 2001). A estrutura conflituosa\nda trag\u00e9dia, contudo, faz com que a tens\u00e3o de g\u00eanero venha \u00e0 tona sob a roupagem\ndo conflito tr\u00e1gico, o que tamb\u00e9m acontece em muitas trag\u00e9dias e com\u00e9dias, como\n<em>Ant\u00edgona<\/em> e <em>Lis\u00edstrata<\/em>. Na Oresteia, de \u00c9squilo, esse conflito vem\nimiscu\u00eddo com intrincadas e diferentes concep\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a, outro assunto\ntamb\u00e9m espinhoso para a p\u00f3lis. Clitemnestra planeja com seu amante, Egisto, o assassinato\nde seu marido, Agam\u00eamnon, por ele ter sacrificado a filha do casal para ir para\nTroia. Ela clama ter feito justi\u00e7a, mas \u00e9 reduzida a uma mera m\u00e1 esposa e\nmulher ad\u00faltera e todo o seu s\u00f3lido e v\u00e1lido argumento, advindo da condi\u00e7\u00e3o da\nmaternidade, \u00e9 desconsiderado, apesar de n\u00e3o obter nenhuma resposta\nsatisfat\u00f3ria que justifique que seu ato n\u00e3o era justo (CHESI, 2014). S\u00f3focles e\nEur\u00edpedes tamb\u00e9m abordaram o complexo mito da <em>Oresteia<\/em> escrevendo cada\num sua respectiva <em>Electra<\/em>. No cotidiano da cidade-estado ateniense, a\nimagem tr\u00e1gica de Clitemnestra come\u00e7a a ser evocada para envergonhar e acusar\nmulheres, uma vez que a hero\u00edna tr\u00e1gica \u201cembodies the greatest threats to the\ncultural system of which a wife is capable\u201d (FOLEY, 2001, pg. 201). Um ateniense\nacusa sua madrasta de ter executado seu pai e a compara com Clitemnestra no\ntribunal ateniense (CARTLEDGE, 2002). Tamb\u00e9m o estigma da mulher ad\u00faltera e\ntodas as san\u00e7\u00f5es que esta sofria passam a fazer rela\u00e7\u00e3o com o tratamento que\nteve a hero\u00edna tr\u00e1gica. \u00c0 luz do conhecimento que temos hoje sobre a din\u00e2mica\ndos valores patriarcais, a recep\u00e7\u00e3o das supracitadas obras e a interpreta\u00e7\u00e3o\ndos atos de Clitemnestra se transforma enormemente. Como metodologia, utilizo a\nleitura comparativa entre as diferentes representa\u00e7\u00f5es de Clitemnestra de\nHomero, \u00c9squilo, S\u00f3focles e Eur\u00edpedes, bem como consulta \u00e0 bibliografia\nespecializada. Os resultados obtidos at\u00e9 o momento indicam que h\u00e1 sim\nconsider\u00e1vel influ\u00eancia de Clitemnestra no cotidiano e no imagin\u00e1rio da <em>p\u00f3lis<\/em>\nateniense, que essa influ\u00eancia \u00e9 usada para atacar as mulheres que destoam dos\nvalores familiares patriarcais (principalmente as esposas), e que pode haver uma\ninteressante liga\u00e7\u00e3o entre a figura de Clitemnestra e o estigma da mulher\nad\u00faltera.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>ARIST\u00d3FANES. <strong>L\u00edsistrata<\/strong>. Trad. M\u00e1rio da Gama Kury. Zahar, Rio de Janeiro, 2006.<\/li><li>CARTLEDGE, P (Org). <strong>Hist\u00f3ria Ilustrada da Gr\u00e9cia Antiga<\/strong>. Trad. Laura Alves e Aur\u00e9lio Rebello. Brasil: 2002.<\/li><li>CHESI, G.M. T<strong>he play of words \u2013 blood ties and power relations on Aeschylus\u2019 Oresteia<\/strong>. Berlim: DeGrutyer, 2014.<\/li><li>\u00c9SQUILO. <strong>Agam\u00eamnon<\/strong>. Trad. Jaa Torrano. S\u00e3o Paulo: Iluminuras, 2004.<\/li><li>\u00c9SQUILO. <strong>C\u00f3eforas<\/strong>. Trad. Jaa Torrano. S\u00e3o Paulo: Iluminuras, 2005.<\/li><li>\u00c9SQUILO. <strong>Eum\u00eanides<\/strong>. Trad. Jaa Torrano. S\u00e3o Paulo: Iluminuras, 2006.<\/li><li>EUR\u00cdPIDES. <strong>Electra<\/strong>. Trad. Karen Amaral Sacconi. Electra de Eur\u00edpides:<\/li><li>Estudo e Tradu\u00e7\u00e3o. Tese de Mestrado em Letras Cl\u00e1ssicas \u2013 Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas, Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). S\u00e3o Paulo, 2012.<\/li><li>FOLEY, H. P. <strong>Female acts in greek tragedy<\/strong>. New Jersey: Princeton University<\/li><li>Press, 2001.<\/li><li>HOMERO. <strong>Odisseia<\/strong>. Trad. Christian Werner. S\u00e3o Paulo: Cosac&amp;Naify, 2014.<\/li><li>S\u00d3FOCLES, <strong>Ant\u00edgona<\/strong>. Trad. Lawrence Flores Pereira. Topbooks, Rio de Janeiro, 2006.<\/li><li>S\u00d3FOCLES, <strong>Electra<\/strong>. Trad. M\u00e1rio da Gama Kury. Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, Rio de Janeiro, 1965.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Oresteia; trag\u00e9dia; Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica; Clitemnestra; per\u00edodo arcaico.<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>16 Tradu\u00e7\u00f5es de Cort\u00e1zar no Suplemento Liter\u00e1rio de Minas Gerais<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><em>Tiago Pedruzzi<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O\npresente trabalho \u00e9 parte do projeto de pesquisa intitulado Recep\u00e7\u00e3o de\nCort\u00e1zar no Brasil desenvolvido, atualmente, no Instituto Federal Catarinense,\nque tem como objetivo reunir os dados poss\u00edveis acerca do modo como a cr\u00edtica\nbrasileira recebeu o escritor argentino por meio das obras liter\u00e1rias.\nBasicamente, os textos de Cort\u00e1zar come\u00e7aram a ser traduzidos, editorialmente,\nna d\u00e9cada de 70, por Gl\u00f3ria Rodrigues e publicados pela Editora Civiliza\u00e7\u00e3o\nBrasileira. No entanto, em nossas pesquisas encontramos tradu\u00e7\u00f5es para o\nportugu\u00eas realizadas ainda nos anos 60, entre 1968 e 1969, bem como, tradu\u00e7\u00f5es\ndo come\u00e7o dos anos 70 de alguns contos de Cort\u00e1zar, publicados no <em>Suplemento\nLiter\u00e1rio de Minas Gerais<\/em>, distribu\u00eddo semanalmente, acompanhando o jornal\noficial do Estado, o <em>Minas Gerais<\/em>, at\u00e9 1992. Entre alguns contos,\npodemos citar <em>Todos os fogos o fogo<\/em>, <em>Propriedades de um sof\u00e1<\/em>, <em>A\nbanda<\/em>, <em>As babas do diabo<\/em>, al\u00e9m de outros. Diante dessa situa\u00e7\u00e3o,\ncolocamos as narrativas originais e suas tradu\u00e7\u00f5es e observamos diferen\u00e7as que\nv\u00e3o desde aspectos lexicais at\u00e9 aspectos sem\u00e2nticos. Assim, este trabalho busca\nperscrutar essas diferen\u00e7as, partindo de uma an\u00e1lise comparativa e buscando\ncompreender, antes de tudo, a import\u00e2ncia que os textos traduzidos tiveram para\nos leitores brasileiros. Tamb\u00e9m se busca verificar se a publica\u00e7\u00e3o em peri\u00f3dico\nimprime algum tra\u00e7o que, posteriormente, foi apagado na tradu\u00e7\u00e3o em livro.\nJunto a isso, n\u00e3o devemos ignorar que os textos publicados no peri\u00f3dico tinham\no car\u00e1ter de divulga\u00e7\u00e3o e que pode ter tido outro tratamento na tradu\u00e7\u00e3o\n\u201coficial\u201d. Para a realiza\u00e7\u00e3o de tal an\u00e1lise, apoiamo-nos em obras cr\u00edticas que\npermitem, de alguma forma, pensar as escolhas por parte dos tradutores a\npartir, principalmente, dos n\u00edveis lexical, sint\u00e1tico e sem\u00e2ntico, conforme o\nmodelo proposto por Pagni e tamb\u00e9m, verificar quais caracter\u00edsticas do texto\noriginal se mantiveram na l\u00edngua meta, segundo apresenta Paulo Henriques Britto\nna sua obra <em>A tradu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria<\/em>. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m utilizaremos as\nideias propostas por Henry Meschonnic em sua obra <em>Po\u00e9tica do traduzir<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>BRITTO, Paulo Henriques. <strong>A tradu\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria<\/strong>. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2012.<\/li><li>SUPLEMENTO LITER\u00c1RIO. <strong>Estado de Minas Gerais<\/strong>. http:\/\/www.letras.ufmg.br\/websuplit\/index.php<\/li><li>MESCHONNIC, Henri. <strong>Po\u00e9tica do traduzir<\/strong>. Trad. Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2010.<\/li><li>PAGNI, Andrea. Am\u00e9rica Latina como espacio de traducciones. Aportes para una historia de la traducci\u00f3n literaria. In: <strong>Espa\u00e7o \/ espa\u00e7os \u2013 Estudos de Literatura Comparada<\/strong>. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2017.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: tradu\u00e7\u00e3o; Julio Cort\u00e1zar; literatura ficcional; conto; recep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TRADU\u00c7\u00c3O, RECEP\u00c7\u00c3O E ANTROPOFAGIA Leonardo Antunes, Rafael Brunhara e Guilherme Gontijo Flores O s\u00e9culo XX viu surgir uma s\u00e9rie de conceitos e teorias que mudaram a maneira como recebemos, interpretamos, criamos e traduzimos obras liter\u00e1rias. As fronteiras entre esses diversos movimentos tamb\u00e9m se tornaram menos n\u00edtidas. Os irm\u00e3os Campos, por exemplo, apontaram para o potencial &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/eixo4\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Eixo 4&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/206"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=206"}],"version-history":[{"count":17,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/206\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":417,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/206\/revisions\/417"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/2019coloquiosul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}