{"id":164,"date":"2020-06-05T10:14:06","date_gmt":"2020-06-05T13:14:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/?p=164"},"modified":"2020-06-05T10:25:52","modified_gmt":"2020-06-05T13:25:52","slug":"sobre-a-docencia-e-o-ensino-universitario-a-distancia-em-tempos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/sobre-a-docencia-e-o-ensino-universitario-a-distancia-em-tempos-de-pandemia\/","title":{"rendered":"Sobre a doc\u00eancia e o ensino universit\u00e1rio a dist\u00e2ncia em tempos de pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que a situa\u00e7\u00e3o de isolamento social imp\u00f4s \u00e0s pessoas o distanciamento f\u00edsico, a Educa\u00e7\u00e3o na modalidade a Dist\u00e2ncia (EAD) surgiu nos discursos de alguns pol\u00edticos, gestores e professores como a vacina que seria capaz reordenar e reorientar as atividades acad\u00eamicas de ensino a sua normalidade. No entanto, assim como a complexidade da situa\u00e7\u00e3o que envolve uma pandemia e a necessidade de entendimento sobre os modos de atua\u00e7\u00e3o de um v\u00edrus, a EAD n\u00e3o pode e nem deve ser entendida como uma solu\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica aplic\u00e1vel a qualquer contexto pelo simples fato de terem em comum a imposi\u00e7\u00e3o do distanciamento f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Porto Alegre, 20 de abril de 2020.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"626\" height=\"748\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/charge7963151858167654429.jpg?resize=626%2C748&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-166\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/charge7963151858167654429.jpg?w=626&amp;ssl=1 626w, https:\/\/i0.wp.com\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/charge7963151858167654429.jpg?resize=251%2C300&amp;ssl=1 251w\" sizes=\"auto, (max-width: 626px) 100vw, 626px\" \/><figcaption>Cr\u00e9ditos: Salom\u00f3n, 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O contexto universit\u00e1rio \u00e9 diverso, tanto com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s especificidades da forma\u00e7\u00e3o de seus respectivos cursos, quanto das pessoas que trabalham e estudam nesse contexto. No que se refere \u00e0s especificidades dos cursos, seus curr\u00edculos e arquiteturas pedag\u00f3gicas t\u00eam sido concebidos, em sua grande maioria, na perspectiva da media\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica para uma sala de aula convencional e, em alguns casos, com materiais colocados em plataformas de apoio &#8211; os ambientes virtuais de aprendizagem (AVA); conceito j\u00e1 obsoleto, mas que ainda congrega algum consenso terminol\u00f3gico. No que se refere a diversidade discente, segundo informa\u00e7\u00f5es da\u00a0 Coordenadoria de Acompanhamento do Programa de A\u00e7\u00f5es Afirmativas (CAF), a UFRGS tem 14,55% dos seus alunos com perfil de baixa renda, apesar de a assist\u00eancia estudantil superar esse percentual. Nesse perfil encontram-se alunos e alunas que, por exemplo, dependem da universidade para acessar \u00e0 Internet, contam com as bibliotecas, o Restaurante Universit\u00e1rio, entre outras modalidades de assist\u00eancia e atendimento. Dessa forma, efetuar a simples transposi\u00e7\u00e3o dessa modalidade de ensino para essas plataformas online \u00e9 desconsiderar n\u00e3o s\u00f3 a diversidade das pessoas que fazem parte da universidade, quanto \u00e0s dificuldades que o contexto social de isolamento tem imposto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aliado a isto, a diversidade da pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o de isolamento das pessoas e das suas condi\u00e7\u00f5es subjetivas e materiais exigem muito mais que tecnologias de \u201centrega\u201d de conte\u00fados curriculares. A &#8220;aula remota&#8221; n\u00e3o pode ser confundida com as diversas possibilidades que envolvem a educa\u00e7\u00e3o online.\u00a0 Quem pesquisa e estuda a EAD h\u00e1 mais tempo, sabe que o risco da pasteuriza\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos que comp\u00f5em as propostas educacionais de base instrucionista sempre amea\u00e7ou a qualidade dessa modalidade de ensino. E s\u00e3o esses modelos de curso que enfrentam os mais altos \u00edndices de evas\u00e3o, pois n\u00e3o t\u00eam garantido a dialogicidade inerente \u00e0 media\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica que caracteriza a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica de excel\u00eancia das Universidades P\u00fablicas e Institutos Federais de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia. Se n\u00e3o t\u00eam garantido em tempos de normalidade social, o que dir\u00e1 no contexto adverso no qual nos encontramos todos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conhecemos diversas experi\u00eancias exitosas no contexto do ensino superior e da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Mas, no que se refere a uma educa\u00e7\u00e3o inclusiva e que garanta igualdade de condi\u00e7\u00f5es a todos e todas as estudantes, o distanciamento social \u00e9 revelador da desigualdade estrutural brasileira. A pesquisa TIC Domic\u00edlios conduzida anualmente pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o\u00a0 (CETIC), a partir de dados de 2018, revelou que 70% dos domic\u00edlios pesquisados acessam a Internet; destes, 97% acessa \u00e0 Internet prioritariamente atrav\u00e9s do celular, e 56% apenas pelo celular. A mesma pesquisa tamb\u00e9m revela que o acesso por computador tem ca\u00eddo\u00a0 bastante, e que o uso do celular \u00e9 mais acentuado entre os mais pobres e que vivem na Zona Rural. Outro dado relevante \u00e9 que 43% das escolas rurais n\u00e3o t\u00eam Internet por falta de estrutura.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerar que \u00e9 poss\u00edvel uma EAD prioritariamente atrav\u00e9s de celulares &#8211; basicamente usados para acessar m\u00eddias sociais e servi\u00e7os que n\u00e3o consomem dados dos planos contratados &#8211; \u00e9 desconsiderar que essa modalidade de ensino demanda outras tecnologias, outras did\u00e1ticas, outras modalidades de media\u00e7\u00e3o e de avalia\u00e7\u00e3o que exigem a reconfigura\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os e tempos do ensinar e do aprender. As tecnologias digitais, principalmente a internet e suas aplica\u00e7\u00f5es (m\u00e1quinas de busca; computa\u00e7\u00e3o em nuvem; editores cooperativos; plataformas de v\u00eddeos, m\u00fasica, imagem; jogos digitais etc), abriram um novo horizonte para a Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia trazendo possibilidades para a cria\u00e7\u00e3o de ecossistemas de aprendizagem que podem estender os cen\u00e1rios atuais de maneiras ricas e diversificadas. Elas oferecem muitas possibilidades para dar conta da dist\u00e2ncia f\u00edsica, e t\u00eam oportunizado a docentes e estudantes reinventarem seus espa\u00e7os de ensinagem e de aprendizagem. Por\u00e9m, o contexto de isolamento tem exigido das pessoas e de suas fam\u00edlias adaptarem-se a situa\u00e7\u00f5es diversas e, muitas vezes, adversas, tais como o desemprego e\/ou a redu\u00e7\u00e3o dos vencimentos, o cuidado com os mais idosos e as crian\u00e7as, a reuni\u00e3o de v\u00e1rias pessoas em casas com poucos c\u00f4modos, al\u00e9m de baixa qualidade ou falta de acesso \u00e0 Internet. Por mais expertise e boa vontade das institui\u00e7\u00f5es educacionais, a EAD n\u00e3o \u00e9 capaz de suplantar o distanciamento social brasileiro fruto da desigualdade de condi\u00e7\u00f5es de vida, de habita\u00e7\u00e3o, de trabalho. Isso antecede \u00e0 pandemia e est\u00e1 sendo desnudado por ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso muito cuidado para que a EAD n\u00e3o acentue, a pretexto de responder pela normalidade educacional em um contexto de anormalidade sanit\u00e1ria global, as diversas modalidades de exclus\u00e3o social que existem no Brasil. A EAD exige planejamento e inven\u00e7\u00e3o, sim, mas uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se sustenta com improvisa\u00e7\u00e3o. O nome disso \u00e9 precariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prof. Credin\u00e9 Menezes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prof. Daniel Lopes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Profa. Mariangela Ziede<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Profa. Rosane Arag\u00f3n<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Professores do Departamento de Estudos B\u00e1sicos da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que a situa\u00e7\u00e3o de isolamento social imp\u00f4s \u00e0s pessoas o distanciamento f\u00edsico, a Educa\u00e7\u00e3o na modalidade a Dist\u00e2ncia (EAD) surgiu nos discursos de alguns pol\u00edticos, gestores e professores como a vacina que seria capaz reordenar e reorientar as atividades acad\u00eamicas de ensino a sua normalidade. No entanto, assim como a complexidade da situa\u00e7\u00e3o que<\/p><\/div>\n<div class=\"blog-btn\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/sobre-a-docencia-e-o-ensino-universitario-a-distancia-em-tempos-de-pandemia\/\" class=\"home-blog-btn\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":163,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[11,10,7,9,8],"class_list":["post-164","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-docencia","tag-ead","tag-ensino-remoto","tag-isolamento-social","tag-pandemia"],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbxYn5-2E","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/charge.jpg?fit=626%2C748&ssl=1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=164"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-json\/wp\/v2\/media\/163"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/aad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}