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Luz e Sombra
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Metadados
Miniatura
Título
Luz e Sombra
Data de produção
1925
Denominação
Número de Registro
IA0106
Tags
Classificação
Dimensões com Moldura
74cm x 67cm
Dimensões
72cm x 64,5cm
Técnica
Suporte
Comentários
Nascido Galdino da Costa Bicho (Petrópolis, RJ, 1888 – Rio de Janeiro, RJ, 1955), Guttmann Bicho adotou como alcunha o apelido que recebera da mãe, por sugestão de Carlos Maúl (1887–1974), escritor, um de seus companheiros no circuito intelectual boêmio do Rio de Janeiro. Natural de Petrópolis, residiu em Sergipe durante a infância, mudando-se, já adulto, para o Rio de Janeiro, então o centro político e cultural do País, onde buscou terreno fértil para suas aspirações artísticas. Iniciou seus estudos no Liceu de Artes e Ofícios e trabalhou, por vários anos, como assistente do retratista francês Auguste Petit (1844–1927). Frequentou também a Escola Nacional de Belas Artes, onde foi aluno, entre outros, de João Zeferino da Costa (1840–1915), Eliseu Visconti (1866–1944) e Belmiro de Almeida (1858–1935), as principais influências em sua trajetória inicial.
Recebe, em 1921, o Grande Prêmio de Viagem ao Exterior, com o quadro Panneau Decorativo (atualmente no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro), cena em que uma figura feminina, inspirada em sua esposa, Diva Freire, serve uma mesa de chá. É uma obra que ilustra seu talento singular para enriquecer com carga poética mesmo os temas mais prosaicos do cotidiano, o que pode ser apreciado também na série de pinturas que produziu para o Centro de Assistência Psicossocial (CAPS) Ernesto Nazareth, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, por volta de 1930, em que retrata o trabalho dos colaboradores sanitaristas que combatiam a febre amarela. Na Europa, Guttmann Bicho expôs, com considerável sucesso, em Lisboa. Ao retornar ao Brasil, em 1924, teve um período de significativo reconhecimento, ao conquistar a Medalha de Ouro na Exposição Geral de 1925, e foi o responsável por introduzir o Curso de Cerâmica na Escola Técnica do Rio de Janeiro. Continua participando do Salão Nacional de Belas Artes até que, em 1954, recebe um segundo Prêmio de Viagem, desta vez pelo Brasil, indo ao Maranhão, que passa a ser inspiração de muitas das paisagens que viria a pintar posteriormente.
Na tela Luz e sombra (1925), Bicho representa um banco em uma das ruelas de um parque ou jardim, em que a luz do sol incide filtrada pelas árvores. Ele acreditava que a simplicidade dos temas não interferia no resultado ou impacto final da obra: “O tema é sempre uma cousa acessória e secundária; [...] o mérito de um pintor se manifesta muito mais na qualidade e na maneira da pintura do que nos assumptos escolhidos” (Apud VALLE, 2006). Explicitando as tendências impressionistas de seu trabalho nesse período, privilegiava a complementaridade das cores, utilizando diferentes tons de verdes e azuis, em contraste com vermelhos e rosados, presentes mais obviamente nas copas das árvores e folhas dos arbustos, em lados opostos da tela, e também harmonicamente espalhados por toda a composição, na sombra delicada criada pela luz natural, que é representada em tons claros de lilases e violáceos. As formas são criadas fundamentalmente por pinceladas individuais, sem contornos definidos, e a perspectiva frontal sugere um enquadramento fotográfico, já que a fotografia também influenciava os pintores impressionistas franceses.
ALINE CORANGE
FONTE DO TEXTO:
CORANGE, Aline. Guttmann Bicho (1888–1955). In: GOMES, Paulo (Org.). Pinacoteca Barão de Santo Ângelo: Catálogo Geral (1910-2014). 1. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2015. v. 2, p.386.
Data de aquisição
Sem informação
Doador
Condições de reprodução
As imagens são liberadas para trabalhos escolares; outros usos mediante autorização, conforme a Lei de Direitos Autorais: Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Crédito obrigatório: Acervo Artístico IA-UFRGS.


