Germaine Acogny (1944)

Germaine Acogny
Fonte da imagem: ACOGNY, Germaine. 24 de jan. de 2017. Facebook: Germaine Acogny. Disponível em: https://www.facebook.com/GermaineAcogny/photos/1851020535113894. Acesso em: 11 de dez. de 2020.

Dançarina e coreógrafa. Nasceu em Porto Novo, na atual República do Benin. Seu pai, Togoum Servais Acogni, era filho de uma sacerdotisa yoruba.

Ela foi levada ainda criança para o Senegal, onde o pai se estabeleceu para receber curso de formação e se tornar administrador colonial.  Estudou em escola de freiras cluniacenses na Medina de Dakar e em 1962, aos dezoito anos, foi estudar educação física esportiva e ginástica harmônica na Escola Simon Siegel, na França, onde estudou dança clássica e moderna com a professora Marguerite Lamotte.

Ao retornar ao Senegal, começou a dar aulas de dança no pátio de sua casa e no liceu, onde foi contratada para ser a responsável pela disciplina de educação física. Nessas aulas ela começou a desenvolver uma codificação do que chamou de “Dança Africana”, uma técnica de dança baseada em uma estética de aterramento –  uma sensação de dinamismo subindo através dos pés e depois habitando o corpo inteiro, que ela descreve como especificamente africana. Em 1968, divorciada e com dois filhos, abriu um estúdio de dança em Dakar – um feito extraordinário numa sociedade tradicionalista e marcadamente patriarcal como a senegalesa.

 Acogny chamou a atenção do Presidente Léopold Senghor depois que ela coreografou seu poema “Femme noire, femme nu” (Mulher negra, mulher nua), transpondo a poética da Negritude para a dança.  Em 1972 ela se tornou chefe de departamento do Instituto Nacional de Artes de Dakar, onde introduziu um programa de formação de dança negro-africana.  Depois, no período de 1977-1982, dirigiu, junto com Maurice Béjart, o Centre Africain de Recherche et de Perfetionnement de l’Interprete (Centro Africano de Pesquisa e Aperfeiçoamento do Intérprete), visando a formação de dançarinos(as) e coreógrafos(as).

Esta atuação institucional teve início quando ela recebeu apoio do governo de Senghor para ir a Bruxelas, na Bélgica, onde conheceu e passou a trabalhar com o coreógrafo Maurice Béjart, diretor do Ballet du vingtème siècle (Balé do Século XX). Em parte, devido ao seu interesse em codificar um léxico dos movimentos corporais, Acogny foi escolhida por Senghor e por Béjart para ajudar na criação do Mudra Afrique, uma escola pan-africana de dança. Como diretora artística do Mudra Afrique ela desafiou o conceito ocidental de uma oposição entre tradição e inovação sobre o qual o Ballet Nacional do Senegal tinha sido baseado, tratando a tradição da dança africana como em perpétua auto-renovação, e começou a forjar uma estética pan-africana, um produto híbrido do encontro entre a dança contemporânea europeia e as formas africanas.

Germaine Acogny teorizou e publicou suas idéias artísticas no livro Danse Africaine/ Afrikanischer Tanz/ African Dance (Dança africana) (1980). Alguns anos mais tarde, em 1985, ela e o marido Helmut Vogt, criaram o Studio-École-Ballet-Théâtre du Troisième Monde em Toulouse, França.

Em 1998, inaugurou a École des Sables, na aldeia de Toabab Julau localizada cerca de 40 milhas ao sul de Dakar. Como no programa de dança Mudra Afrique, ela manteve o interesse por incentivar um forte senso de comunidade entre os habitantes locais e os estudantes internacionais que compareciam à escola, integrando-os nas atividades.  Alguns de seus projetos foram apresentados em uma turnê internacional, em parceria com as coreógrafas Susanne Linke, Jawole Willa Jo Zolar, e o artista japonês Butoh Kota Yamasaki.

Ela continua a desenvolver técnicas de dança contemporânea pan-Africana, estabelecendo uma competição anual em coreografia para novos trabalhos inspirados na tradição, promovendo o trabalho de coreógrafos mais jovens de toda África.

Por sua trajetória, contribuição e inovação artística, foi premiada com o grau de Cavaleiro da Ordem de Mérito e com o grau de Oficial de Artes e Letras da República Francesa, e recebeu o grau de Cavaleiro da Ordem Nacional do Leão do Senegal.

BIBLIOGRAFIA

CASTALDI, Francesca. Choreographies of African identities: négritude, dance and the National Ballet of Senegal. Urbana: University of Illinois Press, 2006.

FOSTER, Susan Leigh. “Germaine Acogny”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1,  p. 86-88

WELSH-ASANTE, Kariamu. African dance: an artistic, historical and philosphical inquiry. Trenton: African World Press, 1996.

SILVA, Luciane. Corpo em diáspora: colonialidade, pedagogia da dança e técnica Germaine Acogny. Tese (Doutorado em Artes da Cena), Universidade Estadual de Campinas, 2017: http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/331753/1/Silva_LucianeDa_D.pdf

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