Rosa Egipcíaca (1719 – 1778)

Imagem ilustrativa
Fonte da imagem:

Nascida em data incerta no Golfo da Guiné ou Costa da Mina, de nação Coura (do grupo mahi), foi escravizada e vendida aos traficantes de escravos, sendo desembarcada no Rio de Janeiro em 1725, aos seis anos de idade.

Rosa Courana viveu durante oito anos em condição de cativeiro no Rio de Janeiro, quando foi estuprada pelo dono e “tratada torpemente”, vendida para uma compradora em Minas Gerais no ano de 1733, quando ela tinha quatorze anos. Sua proprietária passou a ser Dona Ana Garcês de Morais, que vivia nas proximidades de Mariana. Ali permaneceu durante cerca de vinte anos, e praticou a prostituição, entregando o corpo aos escravos que trabalhavam na extração do ouro.

Quando tinha cerca de trinta anos, contraiu uma enfermidade que lhe provocava dor atroz e a prostrava no chão, seguida de uma experiência mística. Por volta de 1748 ela vendeu seus parcos bens – joias e roupas amealhadas com a venda do corpo e distribuiu tudo aos pobres. Adotou vida regrada, frequentando missas e liturgias, e ganhou fama de visionária e profetisa em Mariana, Ouro Preto, São João del Rei e depois no Rio de Janeiro, para onde ela foi em 1751.

Deu a si mesma o nome de Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz, ao que parece em homenagem a Santa Maria Egípcíaca, que segundo a lenda era também uma prostituta antes das manifestações de Santidade.  Vivia acompanhada do padre Francisco Gonçalves Lopes, conhecido como padre Xota-Diabos (Enxota-Diabos) por ser exorcista, que se tornou o seu confessor.  Era admirada por populares e mesmo alguns membros da igreja, afirmava ter visões do Menino Jesus em êxtase, e profetizava acontecimentos futuros, como um provável terremoto que iria ocorrer no Rio de Janeiro à semelhança do que estremeceu Lisboa em 1750.

Em um livro de mais de 250 folhas chamado Sagrada teologia do amor de Deus luz brilhante das almas peregrinas, descreve a experiência sensorial de contato com Jesus Menino, de quem recebera o título e o encargo de ser Mãe de Justiça. Ela própria seria a esposa da Santíssima Trindade, a nova Redentora do mundo. Ao mesmo tempo, realizava sessões de culto religioso em que se mesclavam elementos do misticismo cristão com práticas afro-brasileiras que beirava à idolatria, com danças em torno do altar e o uso de pitar cachimbo. 

Por essas e por outras, ela caiu em desgraça junto às autoridades religiosas, sendo considerada herege e falsa santa. Foi denunciada pelo Bispo do Rio de Janeiro ao Tribunal da Inquisição de Lisboa em 1762, sendo presa e enviada com o padre para Lisboa, onde permaneceu na prisão do Santo Ofício até o ano seguinte. O processo foi encerrado em 1765, não sendo identificada a pena aplicada.

BIBLIOGRAFIA

MOTT, Luiz. Rosa Egipcíaca: uma santa africana no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 1993.

GUIMARÃES, Rosely Santos. Corpo negro: entre a história e a ficção. O caso de Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz. Revista Em Tese, v. 6, p. 01-25, 2003.

Theme: Overlay by Kaira