Victoire Ingabire Umuhoza (1968)

Victoire Ingabire Umuhoza
Fonte da imagem: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Victoire_Ingabire_Umuhoza.jpg. Acesso em: 21 de dez. de 2020.

Ativista dos direitos humanos e política ruandesa de origem Hutu. Fez parte do Ministério da Economia do país e atualmente realiza estudos na cidade de Roterdam, na Holanda.

Em 1994, no início do genocídio dos povos tutsis, ela estava em Haia quando soube que seu irmão e vizinhos haviam sido mortos por milícias e que seu marido havia conseguido escapar e se refugiado em Goma (República Democrática do Congo),  de onde o ajudou a, junto com sua família, a encontrarem abrigo no sul da Holanda.

Lá, o casal tornou público o genocídio, deu assistência as vítimas e refugiados, e fundaram a Association of Charitable Contact, Dialogue, and Actions – CODAC (Associação de Caridade, Contato e Diálogo), para envio de suprimentos a esses.  Ela também fundou a Uraho, uma instituição de ajuda às refugiadas nos Países Baixos, e a Harambe, organização para coordenar as ações das mulheres africanas que moravam na Holanda, cuja denominação, na língua swahili, quer dizer “todos juntos, como se fosse um”; além de compor o PRO-JUSTITIA-Rwanda, grupo de pressão por justiça para todas as vítimas do genocídio.

Umuhoza fez oposição ao regime de Paul Kagame e a Frente Patriótica Ruandesa – RPF, que controla Ruanda.  Ela se uniu ao Republican Rally for Democracy in Rwanda – RDR (Ajuntamento pela Democracia em Ruanda) e, em 2000, tornou-se a presidente do partido; entre 2003 e 2006, liderou a aliança entre a oposição, as Forças Democráticas Unidas – FDU, e formou uma coalizão de Organizações Não Governamentais, enquanto supervisionava filiais de uma multinacional e publicava textos sobre política em Ruanda e na região dos  Grandes Lagos.

De retorno à Ruanda em 2008, criticou os julgamentos gacaca que, organizados pela RPF nas cortes locais, tinham caráter fraudulento. Ela concorreu às eleições presidenciais de 2010, mas foi presa e condenada a 15 anos de reclusão, sendo libertada por indulto presidencial apenas em 2018.  Contra ela pesou a acusação de que tramava com a Frente Democrática pela Libertação de Ruanda – FDLR, liderada por Hutus envolvidos no genocídio, e cometia discurso de ódio por evocar a memória também de Hutus vítimas da guerra civil.

Sua trajetória demonstra o papel determinante de lideranças femininas em movimentos democráticos na África do início do século XXI.

BIBLIOGRAFIA

MBORI, H. Ingabire Victoire v. Republic of  Rwanda. American Journal of International Law, v. 112, n. 4, p. 713-719, 2018. 

MWAMBARI, David. Leadership emergence in post-genocide Rwanda: the role of women in peacebuilding. African Leadership Centre, v. 2, n. 1, 2017: http://leadershipandsocieties.com/index.php/lds/article/view/65

RICH, Jeremy. “Victoire Ingabire Umuhoza”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 100-101.


Atualizada em:
Theme: Overlay by Kaira