{"id":1047,"date":"2020-06-25T18:54:39","date_gmt":"2020-06-25T18:54:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1047"},"modified":"2021-02-05T20:47:15","modified_gmt":"2021-02-05T20:47:15","slug":"chaibia-tallal-1929-2004","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/chaibia-tallal-1929-2004\/","title":{"rendered":"Cha\u2019ibia Tallal (1929-2004)"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde crian\u00e7a esta pintora marroquina j\u00e1 mostrava o poder de sua imagina\u00e7\u00e3o. Nascida em Chtouka, cidadezinha rural do Marrocos, Cha\u2019ibia tinha um modo incomum de agir e de ver as coisas, o que lhe rendeu o apelido de <em>mahbula<\/em> (a boba). Apesar disso \u2013 ou talvez justamente por isso \u2013, ela sempre fez quest\u00e3o de afirmar que era importante n\u00e3o ter medo de ser diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de criativa, Cha\u2019ibia se mostrou muito forte. Aos trezes anos, viu-se casada; aos quinze, j\u00e1 era vi\u00fava e m\u00e3e. Para poder sustentar a si mesma e ao filho, Hossein, na \u00e9poca com apenas um ano de idade, ela precisou trabalhar em v\u00e1rias casas francesas. Embora tenha recebido diversos pedidos de casamento, rejeitou todos, pois estava decidida a n\u00e3o casar novamente e a n\u00e3o abrir m\u00e3o de sua liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos anos mais tarde, duas experi\u00eancias fizeram-na crer que sua vida estava prestes a mudar. A primeira foi um encontro com um \u201chomem santo\u201d (marabout; marabu) que previu que ela, a <em>mahbula<\/em>, se tornaria a <em>baraka<\/em>, a d\u00e1diva de sua cidade; a segunda, um sonho, no qual homens vestidos de branco lhe indicavam materiais de pintura como sendo seu ganha-p\u00e3o. A partir disso, Cha\u2019ibia deu in\u00edcio, enfim, \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com as tintas e os pinc\u00e9is, expressando nas telas todo o seu amor pela natureza local, que a viu desabrochar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1965, Hossein, que havia estudado no exterior e era ent\u00e3o um pintor famoso, apresentou sua m\u00e3e a duas importantes figuras: o pintor marroquino Ahmed Cherkaoui e o cr\u00edtico franc\u00eas Pierre Gaudibert, que incentivou a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Cha\u2019ibia. Em 1966 ela realizou suas primeiras exposi\u00e7\u00f5es, uma em Casablanca e outras duas em Paris, conquistando sucesso e admira\u00e7\u00e3o mundiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Cha\u2019ibia Tallal faleceu aos setenta e cinco anos em Casablanca devido a um ataque card\u00edaco. Considerada uma das mais importantes pintoras do s\u00e9culo XX, deixou uma vasta produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Suas obras fazem parte de cole\u00e7\u00f5es de pa\u00edses espalhados pelos cinco continentes, al\u00e9m de comporem cole\u00e7\u00f5es particulares em diversos lugares, constando inclusive no acervo do rei do Marrocos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>GLACIER, Osire. Cha\u2019ibia Tallal\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 498-499.<\/p>\n\n\n\n<p>TALLAL, Cha&#8217;\u00efbia. The Artist\u2019s Voice. Traduzido por Fatima Mernissi. In: ZUHUR , Sherifa (Ed.) <strong>Images of enchantment. Visual and performing arts of the Middle East<\/strong>.&nbsp; Cairo: The American University in Cairo Press, 1998, p. 183-186.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde crian&ccedil;a esta pintora marroquina j&aacute; mostrava o poder de sua imagina&ccedil;&atilde;o. 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