{"id":1168,"date":"2020-06-26T02:27:38","date_gmt":"2020-06-26T02:27:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1168"},"modified":"2021-01-22T19:48:11","modified_gmt":"2021-01-22T19:48:11","slug":"mekatilili-wa-menza-c-1860-1924","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/mekatilili-wa-menza-c-1860-1924\/","title":{"rendered":"Mekatilili wa Menza (c. 1860-1924)"},"content":{"rendered":"\n<p>Tamb\u00e9m referenciada como Mnyazi wa Menza, ou Makatilili. Profetisa e l\u00edder anticolonial queniana, liderou o povo Giriama em uma rebeli\u00e3o contra a administra\u00e7\u00e3o colonial brit\u00e2nica em 1912-1915. Seu nome indica que era m\u00e3e de um filho chamado Katilili, pois o prefixo \u201cme\u201d, na l\u00edngua mijikenda, indica a condi\u00e7\u00e3o de \u201cm\u00e3e de\u201d. Sua hist\u00f3ria pessoal foi registrada por historiadores a partir de depoimentos orais e registros coloniais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mekatilili&nbsp; nasceu em Mutsara wa Tsatsu, na regi\u00e3o de Kilifi. Pertencia ao povo Giriama, um subgrupo do grupo lingu\u00edstico Mijikenda, do litoral do Qu\u00eania. Ela tinha cinco irm\u00e3os, e um deles, chamado Mwarandu,&nbsp; foi sequestrado e levado como cativo por ca\u00e7adores de escravos afro-mu\u00e7ulmanos que atuavam a partir do litoral do Oceano \u00cdndico.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os oficiais e soldados brit\u00e2nicos estabeleceram-se no Qu\u00eania, o povo Giriama mantinha-se ligado aos cultos e ritos religiosos tradicionais, que eram realizados em lugares sagrados da floresta que chamavam kayas. Recusando-se a pagar os tributos impostos pelos rec\u00e9m-chegados, Mekatilili &nbsp;conclamou os demais a lutar contra o invasor, em nome de suas divindades, e passou a ser respeitada como uma profetisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1913 ela realizou um discurso p\u00fablico contra as pol\u00edticas coloniais brit\u00e2nicas invocando a tradi\u00e7\u00e3o da profetisa Mepoho que, no s\u00e9culo XIX, previu a chegada de homens brancos que trariam diversas mazelas \u00e0s pessoas e \u00e0s terras da regi\u00e3o. Mekatilili tamb\u00e9m denunciou chefes locais que vendiam jovens que seriam, futuramente, negociados como escravos pelos brit\u00e2nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o apoio de Wanje wa Mwadorikola, um antigo anci\u00e3o local cujo poder estava enfraquecido, ela atravessou o leito do rio Sabaki discursando para homens e mulheres Giriamas, incitando todos(as) a visitarem o <em>Kaya, <\/em>o bosque sagrado, situado a noroeste de Mombasa, para consultarem os anci\u00e3os e realizarem os rituais necess\u00e1rios para a restaura\u00e7\u00e3o da unidade pol\u00edtica do grupo. Em novembro de 1913 Mekatilili e Wanje, seu marido, foram exilados por oficiais brit\u00e2nicos como l\u00edderes da agita\u00e7\u00e3o local, e os Giriama tiveram seu <em>kaya<\/em> realocado a uma posi\u00e7\u00e3o mais facilmente control\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o colonial.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre agosto e outubro de 1914 eclodiu uma revolta contra os brit\u00e2nicos, mas os rebeldes vencidos e submetidos a duras penalidades, ficando apenas em 1918 autorizados a voltar para seu territ\u00f3rio. Em 1919 Mekatilili e seu marido, Wanje, foram liberados do ex\u00edlio e puderam tamb\u00e9m&nbsp; retornar ao conv\u00edvio de seu povo, ele como chefe e ela como l\u00edder de um conselho feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>Mekatilili \u00e9 tida como uma hero\u00edna da luta anticolonial, tendo um festival anual, uma est\u00e1tua no jardim que leva o seu nome na cidade de Malindi, e um centro cultural na aldeia de Ulaya wa Jele, em sua homenagem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BRANTLEY, Cynthia. <strong>The giriama and colonial resistance in Kenya<em>, <\/em>1800-1920.<\/strong> Berkeley: University of California Press, 1981.<\/p>\n\n\n\n<p>BRANTLEY, Cynthia. Mekatilili and the role of women in Giriama resistance. In: CRUMMERY, Donal (Ed.). <strong>Banditry, Rebellion and social protest in Africa.<\/strong> Londres: James Currey, 1986, p. 333-350.<\/p>\n\n\n\n<p>CARRIER, Neil; Nyamweru, Celia. Reinventing Africa\u2019a heroes: the case of Mekatilili, a kenyan popular heroine.&nbsp; <strong>African Affairs<\/strong>, v. 115, n. 461, p. 599-620, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>CARUSO, Yuusuf S.. \u201cMekatillii wa Menza\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 179-180.<\/p>\n\n\n\n<p>MUGI-NDUA, Elizabeth. &nbsp;<strong><em>Mekatilili Wa Menza: woman warrior<\/em><\/strong>.&nbsp; Nairobi: Sasa Sema Publications, 2000.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tamb&eacute;m referenciada como Mnyazi wa Menza, ou Makatilili. Profetisa e l&iacute;der anticolonial queniana, liderou o povo Giriama em uma rebeli&atilde;o contra a administra&ccedil;&atilde;o colonial brit&acirc;nica em 1912-1915. 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