{"id":1381,"date":"2020-06-27T22:02:52","date_gmt":"2020-06-27T22:02:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1381"},"modified":"2021-01-28T13:42:22","modified_gmt":"2021-01-28T13:42:22","slug":"nzinga-mbandi-1583-1663","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/nzinga-mbandi-1583-1663\/","title":{"rendered":"Nzinga Mbandi (1583\u20131663)"},"content":{"rendered":"\n<p>Tamb\u00e9m referida popularmente como Rainha Jinga ou Rainha Ginga, ou como Dona Ana de Souza pelos portugueses. Nome pelo qual \u00e9 conhecida Nzinga Mbandi Kia Mbandi, soberana dos reinos de Dongo e Matamba, de 1623 at\u00e9 o fim da vida,&nbsp; no territ\u00f3rio da atual Angola. &nbsp;Filha do Ngola Mbandi Kiluanji, em 1617 disputou o trono do Ndongo com seu irm\u00e3o mais jovem ou\u201d meio-irm\u00e3o\u201d, o qual, vencendo a disputa, foi entronizado com o nome Ngola Mbandi.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1622 ela foi enviada a Luanda para negociar um tratado de paz com o governador portugu\u00eas Jo\u00e3o Correia de Souza, permanecendo l\u00e1 por cerca de um ano, tempo em que inclusive, recebeu os sacramentos do batismo cat\u00f3lico e o nome crist\u00e3o de Ana de Souza. Ap\u00f3s seu regresso ao Dongo, com a morte de Ngola ela assumiu o trono, que ocupou por cinco anos, descumprindo n\u00e3o s\u00f3 o tratado assinado com os portugueses como o pacto crist\u00e3o do batismo mas tamb\u00e9m bloqueando as rotas de com\u00e9rcio que levavam a Luanda. Atacada pelos portugueses&nbsp; ela se refugiou nas ilhas do rio Kwanza e nos anos 1626-1627 se estabeleceu no reino de Matamba, onde passou a comandar grupos de guerreiros <em>imbangalas<\/em> e a liderar a guerra contra os portugueses no per\u00edodo que se estendeu de 1630 at\u00e9 1656, quando aceitou a paz e se converteu pela segunda vez ao catolicismo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto da independ\u00eancia angolana frente aos portugueses, na segunda metade do s\u00e9culo XX. Nzinga aparece como hero\u00edna nacional, personifica\u00e7\u00e3o maior da luta anticolonial, sendo enaltecida em romances, poesias, no teatro e no cinema. A preserva\u00e7\u00e3o de sua mem\u00f3ria na tradi\u00e7\u00e3o oral assumiu na Di\u00e1spora&nbsp; car\u00e1ter religioso e pol\u00edtico, com forte conota\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua imagem foi preservada e transmitida nas irmandades de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos de Lisboa ou de diferentes partes do Brasil, &nbsp;onde por vezes, as rainhas Gingas (ou Jingas) s\u00e3o ritualmente coroadas.&nbsp; Tais celebra\u00e7\u00f5es ocorreram (e por vezes continuam a ocorrer) em Minas Gerais, Goi\u00e1s, Bahia, Para\u00edba e Pernambuco \u2013 e sobretudo na comunidade quilombola de Morro Alto (Rio Grande do Sul), em que desde pelo menos o fim do s\u00e9culo XIX as rainhas Gingas s\u00e3o anualmente coroadas, ao lado dos reis do Congo, durante a festa do Ma\u00e7ambique de Os\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>MATA, Inoc\u00eancia (Org.). <strong>Nzinga Mbandi: hist\u00f3ria, mem\u00f3ria e mito<\/strong>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es Colibri, 2012<\/p>\n\n\n\n<p>PANTOJA, Selma.&nbsp; <strong>Nzinga Mbandi<\/strong>: mulher, guerra e escravid\u00e3o. Brasilia: Editora Thesaurus, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>PANTOJA, Selma. \u201cNzinga a Mbandi\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 527-528.<\/p>\n\n\n\n<p>PARREIRA, Adriano. <strong>Economia e sociedade em Angola na \u00e9poca da Rainha Jinga<\/strong>. Lisboa: Editorial Estampa, 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>PANTOJA, Selma. <strong>Jinga de Angola<\/strong>: a rainha guerreira da \u00c1frica. S\u00e3o Paulo: Todavia Editora, 2019.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tamb&eacute;m referida popularmente como Rainha Jinga ou Rainha Ginga, ou como Dona Ana de Souza pelos portugueses. 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