{"id":1418,"date":"2020-06-28T12:11:12","date_gmt":"2020-06-28T12:11:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1418"},"modified":"2021-01-28T13:16:42","modified_gmt":"2021-01-28T13:16:42","slug":"inamujandi-1934","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/inamujandi-1934\/","title":{"rendered":"Inamujandi (+1934)"},"content":{"rendered":"\n<p>L\u00edder espiritual hutu e ativista anticolonial do Burundi, ent\u00e3o sob dom\u00ednio belga e sob o governo da minoria \u00e9tnica Tutsi.&nbsp; Nasceu em uma regi\u00e3o remota perto da montanha Ndora no nordeste do pa\u00eds, por volta da metade do s\u00e9culo XIX, e nada se sabe sobre boa parte da sua vida. Veio a integrar uma longa tradi\u00e7\u00e3o de videntes e profetisas que eram associadas a esp\u00edritos de reis falecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 1934 ela come\u00e7ou a anunciar as raz\u00f5es do fracasso de chefes tutsis indicados pelo rei Mwambutsa IV, e suas manifesta\u00e7\u00f5es chamaram a aten\u00e7\u00e3o de muitos camponeses insatisfeitos que habitavam a regi\u00e3o de Ndora. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com pessoas mais velhas, entrevistadas em 1968, Inamujandi teria prometido organizar os rituais necess\u00e1rios para que o filho de Kirima, antigo chefe da regi\u00e3o de Ndora que afirmava ser descendente do rei Ntare II, pudesse governar. Outros(as)&nbsp; informantes afirmavam que ela n\u00e3o chegou a anunciar claramente o nome do novo rei que estava por vir. De qualquer modo, a promessa alimentou a frustra\u00e7\u00e3o dos hutus em rela\u00e7\u00e3o aos supostos usurpadores que haviam tomado o trono do Burundi.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a d\u00e9cada de 1920, a autonomia dos chefes hutus do nordeste do pa\u00eds estava amea\u00e7ada pela presen\u00e7a de novas chefias de origem Tutsi a quem o governo belga assegurava uma posi\u00e7\u00e3o privilegiada, o que acirrou ressentimentos das linhagens e fam\u00edlias que h\u00e1 muito controlavam a regi\u00e3o. Inamujandi ganhou popularidade, recebendo grande quantidade de comida para alimentar os seus seguidores e guerreiros, e o grupo declarou guerra contra Mwambutsa IV e Bacinoni, os chefes leais aos belgas, colocando em risco a autoridade dos aliados dos colonialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodeada de carisma e prest\u00edgio espiritual, era considerada detentora de poderes m\u00e1gicos capazes de conferir invulnerabilidade aos seguidores, e a reduzir os inimigos. Sob seu comando, sucederam-se ataques a tutsis e belgas, com a destrui\u00e7\u00e3o, em v\u00e1rias semanas, de mais de 300 casas e 10 escolas mission\u00e1rias de catequistas, e logo vieram as repres\u00e1lias. As tropas africanas a servi\u00e7o do governo belga invadiram Ndora e saquearam o acampamento dos rebeldes em 3 de outubro de 1934. Inamujandi fugiu, mas ap\u00f3s ser denunciada, foi capturada e levada perante o tribunal colonial, que a sentenciou ao ex\u00edlio interno na cidade de Ruyigi, no leste do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, muitos(as) anci\u00e3(o)s negavam que os belgas&nbsp; tivessem capturado a verdadeira profetisa, afirmando que aprisionaram a pessoa errada, o que indica a continuidade de seu legado junto ao povo. Nas d\u00e9cadas de 1950-1960 lideran\u00e7as hutus evocavam o seu nome como hero\u00edna anti-colonial e anti-tutsi, enquanto o governo institu\u00eddo ap\u00f3s a independ\u00eancia n\u00e3o colocou acento em sua origem \u00e9tnica ou regional. O certo \u00e9 que ela permanece como exemplo de lideran\u00e7a espiritual feminina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CHR\u00c9TIEN, Jean-Pierre. Une revolte au Burundi em 1934: les racines traditionalistes de l\u2019hostilit\u00e9 a la colonization. <strong>Annales, E.S.C<\/strong>, v. 25, n. 6, p. 1678-1717, 1970.<\/p>\n\n\n\n<p>GUILLET,Claude; Ndayishinguile, Pascal. <strong>Legendes historiques du Burundi<\/strong>. Paris: Karthala, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>RICH, Jeremy. \u201cInamujandi\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 156-157.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L&iacute;der espiritual hutu e ativista anticolonial do Burundi, ent&atilde;o sob dom&iacute;nio belga e sob o governo da minoria &eacute;tnica Tutsi.&nbsp; Nasceu em uma regi&atilde;o remota perto da montanha Ndora no nordeste do pa&iacute;s, por volta da metade do s&eacute;culo XIX, e nada se sabe sobre boa parte da sua vida. 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