{"id":1467,"date":"2020-06-28T13:49:23","date_gmt":"2020-06-28T13:49:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1467"},"modified":"2021-01-22T17:22:29","modified_gmt":"2021-01-22T17:22:29","slug":"aoua-keita-1912-1980","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/aoua-keita-1912-1980\/","title":{"rendered":"Aoua K\u00e9ita (1912-1980)"},"content":{"rendered":"\n<p>Ativista pol\u00edtica maliana, l\u00edder de mulheres e autora, nasceu em Bamako, na ent\u00e3o col\u00f4nia do Sud\u00e3o Ocidental Franc\u00eas. Uma forma alternativa de seu nome \u00e9 Awa Keita. Seu pai, Karamogo K\u00e9ita, um veterano mandinga que participou da I Guerra Mundial &nbsp;Malink\u00e9, trabalhou para o servi\u00e7o de higiene colonial. Sua m\u00e3e Mariam Coulibaly, uma Di\u00fala da Costa do Marfim, deu-lhe uma forte educa\u00e7\u00e3o tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo excepcional para uma garota de sua gera\u00e7\u00e3o, Aoua foi matriculada na rec\u00e9m criada \u00c9cole de Filles de Bamako (Escola para Meninas de Bamako) (1923) por seu pai e contra os desejos de sua m\u00e3e. Em 1928, ela se formou no Foyer de M\u00e9tisses de Bamako, um col\u00e9gio interno para meninas \u201cmesti\u00e7as\u201d destinado a um pequeno n\u00famero de africanos. A seguir, foi admitida na Escola de Medicina de Dakar, na \u00e9poca a capital da federa\u00e7\u00e3o da \u00c1frica Ocidental Francesa, onse se formou como parteira (1931), dando in\u00edcio a uma carreira nos servi\u00e7os m\u00e9dicos do estado colonial. Seu primeiro posto de trabalho foi em Gao, no nordeste do Mali, onde ela serviu por doze anos, estabelecendo a primeira maternidade da cidade. Depois ela tamb\u00e9m trabalhou em Nara e em Casamance.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, casou-se com o m\u00e9dico Daouda Diawara, com quem viveu onze anos (1935-1946). Ao mesmo tempo, ambos ingressaram na luta anti-colonial, passando a atuar na Union Soudanaise \u2013 Rassemblement Democratique Africain \u2013 US-RDA (Uni\u00e3o Sudanesa \u2013 Ajuntamento Democr\u00e1tico Africano), no qual ela assumiria um cargo executivo em 1958, atuaria como comiss\u00e1ria para as mulheres e teria participa\u00e7\u00e3o na reda\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o do Mali e,&nbsp; ap\u00f3s a independ\u00eancia, teria assento na assembl\u00e9ia legislativa para a regi\u00e3o de Sikasso tornando-se a primeira mulher parlamentar do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Keita publicou sua autobiografia, <em>Femme D&#8217;Afrique: la vie d&#8217;Aoua Ke\u00efta racont\u00e9e par elle-m\u00eame<\/em> (Mulher da \u00c1frica: a vida de Aoua Keita recontada por ela pr\u00f3pria) (1975), em que retrata sua vida p\u00fablica nos anos 1950-1960. O livro foi aclamado pela cr\u00edtica especializada e recebeu o Grande Pr\u00eamio Liter\u00e1rio da Africa Negra.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a amplia\u00e7\u00e3o efetiva da participa\u00e7\u00e3o feminina na vida p\u00fablica do Mali nos anos 1990, o nome de Aoua Keita \u00e9 lembrado como uma refer\u00eancia fundamental, e ela tem sido homenageada em eventos,&nbsp; cerim\u00f4nias, tendo o nome atribu\u00eddo a premia\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es. Seu maior legado foi ter ajudado a estabelecer a reforma sobre a lei do casamento e da tutela, que introduziu avan\u00e7os significativos no direito civil maliano e representou uma amplia\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>K\u00c9ITA, Aoua. <strong>Femme d\u2019Afrique<\/strong>: la vie d\u2019Aoua Ke\u00efta racont\u00e9e par elle-m\u00eame. Paris: Pr\u00e9sence Africaine, 1975.<\/p>\n\n\n\n<p>KONAR\u00c9, Adama Ba. <strong>Dictionnaire des femmes c\u00e9l\u00e8bres du Mali<\/strong>. Paris: L\u2019Harmattan, 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>MANN, Gregory; SIDIBE, Oumou. \u201cAoua Keita\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 323-324.<\/p>\n\n\n\n<p>TURRITTIN, Jane. Aoua K\u00e9ita and the nascent women\u2019s movement in the French Soudan. <strong>African Studies Review<\/strong>, v. 36, n. 1, p. 59-89, 1993.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ativista pol&iacute;tica maliana, l&iacute;der de mulheres e autora, nasceu em Bamako, na ent&atilde;o col&ocirc;nia do Sud&atilde;o Ocidental Franc&ecirc;s. Uma forma alternativa de seu nome &eacute; Awa Keita. 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