{"id":1491,"date":"2020-06-28T14:27:03","date_gmt":"2020-06-28T14:27:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1491"},"modified":"2021-01-28T12:45:52","modified_gmt":"2021-01-28T12:45:52","slug":"beatriz-kimpa-vita-1684-1706","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/beatriz-kimpa-vita-1684-1706\/","title":{"rendered":"Beatriz Kimpa Vita (1684-1706)"},"content":{"rendered":"\n<p>Reformadora pol\u00edtica e religiosa.&nbsp; Nasceu em Kibangu, no ent\u00e3o Reino do Congo, uma regi\u00e3o montanhosa localizada na atual Rep\u00fablica de Angola. Pouco se sabe do seu n\u00facleo familiar, mas ela cresceu durante o per\u00edodo de fragmenta\u00e7\u00e3o e guerra civil.<\/p>\n\n\n\n<p>A relativa estabilidade do Reino do Congo no s\u00e9culo XVI tinha ru\u00eddo por conta da invas\u00e3o portuguesa para o sul de Angola nos anos de 1660, ap\u00f3s a esmagadora vit\u00f3ria na Batalha de Mbwila (1665). &nbsp;No final do s\u00e9culo XVII, o antigo Congo estava dividido e disputado por linhagens que pretendiam a reunifica\u00e7\u00e3o&nbsp; do reino. O pai de Kimpa Vita serviu como oficial no ex\u00e9rcito do Rei \u00c1lvaro X, um dos pretendentes na disputa pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio deste quadro pol\u00edtico ca\u00f3tico ela ganhou fama por conta de suas vis\u00f5es. De acordo com o capuchinho italiano Bernardo da Gallo que a entrevistou brevemente antes de sua execu\u00e7\u00e3o, ela lhe disse ter entrado em um transe espiritual no qual crian\u00e7as brancas misteriosas vinham at\u00e9 ela e lhe davam um copo com alecrim. Alguns membros da fam\u00edlia a consideravam com um dom particular e treinada para ser a pr\u00f3xima <em>nganga marinda,<\/em> uma conex\u00e3o divina do movimento religioso <em>kimpasi<\/em> que obteve muito apoio entre os congoleses da \u00e9poca. Para muitos, em seus momentos de transe ela incorporava o esp\u00edrito de Santo Ant\u00f4nio, motivo pelo qual os seus adeptos e simpatizantes ficaram conhecidos como \u201cAntonianistas\u201d, e o movimento que ela liderou recebe o nome de \u201cAntonianismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1704, Kimpa Vita, pregou e anunciou a necessidade de medidas no reino, dirigiu-se \u00e0 corte e cobrou a mudan\u00e7a da capital do governo junto ao rei Pedro IV do Congo. Aconselhado por Bernardo de Gallo, este mandou prend\u00ea-la. Ela foi submetida a um julgamento, considerada herege e bruxa, condenada e queimada na fogueira.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria pessoal, a experi\u00eancia m\u00edstica e as consequ\u00eancias sociais do movimento antoniano liderado por Kimpa Vita constituem epis\u00f3dios importantes do enraizamento do cristianismo em sua forma africana, antecipando diversas tend\u00eancias dissidentes e formas nativas de manifesta\u00e7\u00e3o religiosa posteriores como o Kinbanguismo e o Tocoismo. Ela \u00e9 admirada e lembrada como l\u00edder espiritual e pol\u00edtica libert\u00e1ria at\u00e9 os dias atuais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FILESI, Teobaldo. <strong>Nazionalismo e religione nel Congo all\u2019inizio del 1700<\/strong>: la seta degli antoniani. Rome: Istittuto Italiano per l\u2019Africa, 1972.<\/p>\n\n\n\n<p>RICH, Jeremy. \u201cDona Beatriz Kimpa Vita\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 381-383.<\/p>\n\n\n\n<p>THORTON, John. <strong>The kongolese Saint Anthony<\/strong>: Dona Beatriz Kimpa Vita and the antonian movement, 1684-1706. Cambridge: Cambridge University Press, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>VAINFAS, Ronaldo; SOUZA, Marina de Mello e.&nbsp; Catoliza\u00e7\u00e3o e poder no tempo do tr\u00e1fico: o reino do Congo da convers\u00e3o coroada ao movimento antoniano. <strong>Tempo<\/strong> (UFF),&nbsp; n. 6, p. 1998:&nbsp; <a href=\"https:\/\/www.historia.uff.br\/tempo\/artigos_dossie\/artg6-7.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.historia.uff.br\/tempo\/artigos_dossie\/artg6-7.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reformadora pol&iacute;tica e religiosa.&nbsp; Nasceu em Kibangu, no ent&atilde;o Reino do Congo, uma regi&atilde;o montanhosa localizada na atual Rep&uacute;blica de Angola. Pouco se sabe do seu n&uacute;cleo familiar, mas ela cresceu durante o per&iacute;odo de fragmenta&ccedil;&atilde;o e guerra civil. A relativa estabilidade do Reino do Congo no s&eacute;culo XVI tinha ru&iacute;do por conta da invas&atilde;o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5766,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"no","_lmt_disable":""},"categories":[1],"tags":[341],"modified_by":"ramon","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1491"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1491\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}