{"id":1509,"date":"2020-06-28T15:08:06","date_gmt":"2020-06-28T15:08:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1509"},"modified":"2021-01-26T11:26:55","modified_gmt":"2021-01-26T11:26:55","slug":"krotoa-c-1640-1674","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/krotoa-c-1640-1674\/","title":{"rendered":"Krotoa (c.1640-1674)"},"content":{"rendered":"\n<p>Nascida entre os povos de l\u00edngua Khoikhoi, em territ\u00f3rio da atual \u00c1frica do Sul. Nada se sabe sobre seus pais ou lugar de nascimento. \u00c9 certo que sua m\u00e3e pertencia a um cl\u00e3 que habitava pr\u00f3ximo ao litoral, e que ela foi separada da sua irm\u00e3 na inf\u00e2ncia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os holandeses chegaram no Cabo da Boa Esperan\u00e7a em 1652, Krotoa morava com seu tio, Autshoumao, l\u00edder do povo Goringhaicona.&nbsp; Seu povo morou na regi\u00e3o de Table Bay, vivendo da ca\u00e7a de mariscos, diferentemente dos khoikhoi do interior que eram pastores itinerantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Perto de completar doze anos Krotoa foi morar na casa de Jan Van Riebeeck, o primeiro comandante do acampamento. Os holandeses podem ter sequestrado Krotoa for\u00e7ando-a a prestar servi\u00e7o. Entretanto, \u00e9 mais prov\u00e1vel que seu tio a tenha mandado viver com os rec\u00e9m-chegados para ensinar-lhes os costumes locais. Ela passou ent\u00e3o a ser chamada de Eva, como costuma aparecer referenciada em registros escritos. Tornou-se uma acompanhante das duas sobrinhas e da esposa de Van Riebeeck, que a ensinaram sobre o cristianismo e a cultura holandesa. No final dos anos 1650 Krotoa voltou a viver com o seu povo, participando de seus rituais, recolhendo informa\u00e7\u00e3o sobre os chefes da tribo, o gado e os padr\u00f5es de suas migra\u00e7\u00f5es, e a seguir informou aos holandeses, o que a tornou uma pessoa indesej\u00e1vel nas comunidades locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu segundo per\u00edodo de contato com os holandeses, ela come\u00e7ou a atuar como negociante, praticando escambo com as popula\u00e7\u00f5es khoikhoi, oferecendo mercadorias em troca de gado, no que foi bem-sucedida. Isso chamou a aten\u00e7\u00e3o do jovem cirurgi\u00e3o Pieter Van Meerfhoff, com quem ela passou a viver formalmente casada em 1664, tendo com ele dois filhos.&nbsp; Ap\u00f3s a morte do marido, teve problemas com o governador local, que passou a persegui-la, enquanto ela se tornou alc\u00f3olatra, foi acusada pelo suposto abandono dos filhos e por ter uma vida prom\u00edscua. &nbsp;Evidenciando-se a depend\u00eancia alc\u00f3olica cr\u00f4nica, em fevereiro de 1669 foi presa por alegado comportamento imoral e depois banida para a Ilha Robben. Faleceu na Cidade do Cabo com aproximados 35 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XX, a tr\u00e1gica hist\u00f3ria de Eva-Krotoa, que ilustra as consequ\u00eancias desastrosas decorrentes dos primeiros contatos de europeus com africanos(as) na \u00c1frica austral, foi contada&nbsp; em livros,&nbsp; encenada no teatro e exibida em filmes. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ABRAMS, Yvette. Was Eva raped? An exercise in speculative history. <strong>Kronos:<\/strong> Journal of Cape History, v. 23, p. 3-21, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>BLOEM, Trudie. <strong>Krotoa-Eva<\/strong>: the woman from Robben Island. Cape Town: Kwela Books, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>MALHERBE, C. V.. <strong>Krotoa, called Eva<\/strong>: a woman betwen. Cape Town: Centre for African Studies,&nbsp; 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>WELLS, Julia. Eva\u2019s men: gender and power in the establishment of the Cape of Good Rope, 1652-1674. <strong>Journal of African History<\/strong>, v. 38, 1998.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p> &nbsp;WELLS, Julia. \u201cKrotoa\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 430-432.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascida entre os povos de l&iacute;ngua Khoikhoi, em territ&oacute;rio da atual &Aacute;frica do Sul. 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