{"id":1524,"date":"2020-06-28T15:33:56","date_gmt":"2020-06-28T15:33:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1524"},"modified":"2021-01-22T14:55:42","modified_gmt":"2021-01-22T14:55:42","slug":"alice-auma-lakwena-1956-2007","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/alice-auma-lakwena-1956-2007\/","title":{"rendered":"Alice Auma Lakwena (1956-2007)"},"content":{"rendered":"\n<p>Medium ugandense, profeta e l\u00edder de uma for\u00e7a militar envolvida na guerra civil da Uganda nos anos 1980. Chamada de Alice Auma, passou a ser conhecida como Alice Lakwena devido ao nome do esp\u00edrito que a possuiu. Nasceu em Bungatira<strong>,<\/strong> uma vila perto de Gulu, em Acholi.<\/p>\n\n\n\n<p>Pertencia a uma fam\u00edlia crist\u00e3, e o pai, Severino Lukoya, foi catequista para a igreja anglicana. Quando ele sofreu um acidente dom\u00e9stico grave em 1958, afirmou ter ido temporariamente ao c\u00e9u, onde uma voz anunciou que os esp\u00edritos viriam para seus filhos e que uma crian\u00e7a j\u00e1 tinha sido escolhida.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto ficou evidente para ele quando, em janeiro de 1985, Alice come\u00e7ou a pregar a palavra de Deus, e a afirmar tamb\u00e9m experimentar vis\u00f5es m\u00edsticas. Criada na f\u00e9 anglicana, frequentou a escola prim\u00e1ria Central por sete anos. Por\u00e9m, na vida adulta converteu-se ao catolicismo, pouco antes de come\u00e7ar a ser possu\u00edda pelo esp\u00edrito Lakwena, que significa \u201cmensageiro\u201d ou \u201cap\u00f3stolo\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a guerra civil de Uganda (1981-1986), no governo do presidente Yoweri Museveni, Alice recebeu do esp\u00edrito Lakwena a miss\u00e3o de curar as pessoas afetavas pelo conflito, mas em agosto de 1986 uma outra ordem espiritual lhe foi dada: a de liderar a guerra contra o esp\u00edrito mal que se abatia no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela criou e liderou um movimento conhecido como Holy Spirit Mobile Forces \u2013 HSMF (Mobiliza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas do Esp\u00edrito Santo). Recrutou pessoas de diversa<strong>s<\/strong> proced\u00eancia<strong>s <\/strong>(soldados, camponeses, estudantes, meninas e mulheres) e passou a trein\u00e1-las para lutar na guerra civil. Seguida por cerca de 7 a 10 mil pessoas, atacou diversas localidades, sendo vencida em 1987 quando os conduzia para atacar a capital do pa\u00eds, Kampala, o que levou \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o do movimento. Ela se refugiou temporariamente no Qu\u00eania, sendo posteriormente presa e mantida encarcerada at\u00e9 1992. Ao sair da pris\u00e3o, retornou a Gulu e fundou uma igreja independente.<\/p>\n\n\n\n<p>O perfil de sua lideran\u00e7a se assemelha a de diversas mulheres anteriores que, como Kimpa Vita, no Congo do s\u00e9culo XVII, Charwe ou Nehanda, na Rod\u00e9sia, ou Nogqawuse, na \u00c1frica do Sul do s\u00e9culo XIX, foram videntes ou profetizas que atra\u00edram muitos seguidores, conferindo \u00e0s experi\u00eancias m\u00edsticas um canal de express\u00e3o de inconformismo social ou pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ALLEN, Tim. Understanding Alice: Uganda\u2019s Holy Spirit Movement in context. <strong>Africa<\/strong>, v. 61, p. 370-399, 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>BEHREND, Heike. <strong>Alice Lakwena and the Holy Spirits<\/strong>: war in northern Uganda. Oxford; Nairobi; Athens: James Currey, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>BEHREND, Heike. \u201cAlice Auma Lakwena\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 461-462<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medium ugandense, profeta e l&iacute;der de uma for&ccedil;a militar envolvida na guerra civil da Uganda nos anos 1980. Chamada de Alice Auma, passou a ser conhecida como Alice Lakwena devido ao nome do esp&iacute;rito que a possuiu. Nasceu em Bungatira, uma vila perto de Gulu, em Acholi. 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