{"id":1536,"date":"2020-06-28T16:03:50","date_gmt":"2020-06-28T16:03:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1536"},"modified":"2021-01-22T14:55:55","modified_gmt":"2021-01-22T14:55:55","slug":"alice-mulenga-lubusha-lenshina-c-1920-1978","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/alice-mulenga-lubusha-lenshina-c-1920-1978\/","title":{"rendered":"Alice Mulenga Lubusha Lenshina (c. 1920 -1978)"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;Profetisa zambiana, nasceu perto de Kasomo Village no Distrito de Chinsali, no nordeste da Z\u00e2mbia. Seu nome de nascimento era Mulenga Lubusha, e depois foi batizada com nome crist\u00e3o de Alice. A m\u00e3e e o pai eram membros do Cl\u00e3 do Crocodilo, o real do reino Bemba.<\/p>\n\n\n\n<p>Casou-se com Gipson Nkwale, com quem teve um filho. Depois da morte deste, passou por um ritual de purifica\u00e7\u00e3o e entregue, segundo o costume Bemba, ao primo do falecido, Petros Chintankwa, com quem teve cinco filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A miss\u00e3o espiritual de Lubusha Lenshina apareceu em uma revela\u00e7\u00e3o durante uma experi\u00eancia de quase morte em 1953. Em sua vis\u00e3o, Jesus Cristo a encorajava a atravessar um oceano, mas, do outro lado do oceano, anjos disseram-lhe para retornar \u00e0 terra dos vivos para purificar as pessoas do mal. Ao se recuperar, ela decidiu cumprir essa tarefa trabalhando com a igreja presbiteriana local. No entanto, os mission\u00e1rios proibiram-na de batizar e pregar por ela ser mulher, e por n\u00e3o ter um treinamento oficial. Quando ela persistiu, foi expulsa da igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>Lubusha fundou ent\u00e3o uma comunidade m\u00edstica a que chamou de Igreja Lumpa. Baseada em sua autoridade espiritual e carisma, ela fixou normas que passaram a ser tidos como \u201cmandamentos\u201d e inclu\u00edam a proibi\u00e7\u00e3o da poligamia, insultos, o consumo de fumo e de \u00e1lcool &#8211; pr\u00e1ticas que colocavam as mulheres em perigo. A partir de 1955, muitos(as) peregrinos(as) vieram ao seu <em>tempile<\/em> (templo) para serem batizados(as) e para entregar objetos m\u00e1gicos que lhes causavam mal. Ela ficou conhecida como a \u201cRainha\u201d, \u201cRegina\u201d, ou seu equivalente na l\u00edngua Chibemba, Lenshina. Seus adeptos tamb\u00e9m se referiam a ela como Maayo (m\u00e3e), ou Lubuto Iwa Chalo (a luz do mundo).<\/p>\n\n\n\n<p>Com o dinheiro obtido pelas doa\u00e7\u00f5es e contribui\u00e7\u00f5es, seus seguidores constru\u00edram uma grande igreja perto de Kasomo Village (1958) e lhe deram o nome de Igreja Sione (Si\u00e3o). Estima-se que o n\u00famero de seguidores de Lenshina tenha oscilado entre 50 e 150 mil pessoas, o que gerou rivalidade com a igreja presbiteriana, com os chefes bembas e com o United National Independence Movement \u2013 UNIP (Movimeno de Uni\u00e3o Nacional pela Independ\u00eancia) (1961), que atacaram edif\u00edcios da Igreja Lumpa, acreditando que Lenshina estivesse a servi\u00e7o de seus opositores pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de julho de 1964, depois de v\u00e1rios confrontos entre UNIP e as comunidades da Igreja Lumpa, o administrador colonial, Governador Evelyn Hone, e o Primeiro Ministro Kenneth Kaunda implementaram medidas de seguran\u00e7a para for\u00e7ar os seguidores de Lenshina a abandonar as comunidades. Quando eles se recusaram, tropas coloniais atacaram e pelo menos mil pessoas morreram em decorr\u00eancia dos ataques. A pr\u00f3pria l\u00edder se entregou ao governo em 1964, e embora nunca tenha sido processada, permaneceu detida at\u00e9 sua morte. Foi enterrada no altar do que sobrou de sua Igreja Sione.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fim do regime de Kenneth Kaunda, em 1991, a Igreja Lumpa foi reconstitu\u00edda como a Igreja Nova Jerusal\u00e9m, na qual Lenshina \u00e9 considerada sua fundadora e profetisa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>GORDON, David. Community of suffering: narratives of war and exile in the Zambian Lumpa Church. In: PETERSON, Derek; MACOLA, Giacomo (Ed.). <strong>Recasting the past<\/strong>. Athens: Ohio University Press, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>GORDON, David. \u201cAlice Mulenga Lubusha Lenshina\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 487-488.<\/p>\n\n\n\n<p>ROBERTS, Andrew. The Lumpa church of Alice Lenshina. In: ROTBERG, R. I.; MARZUI, Ali A..(Ed.). <strong>Protest and power in Black Africa<\/strong>. Nova Iorque: Oxford University Press, 1970.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Profetisa zambiana, nasceu perto de Kasomo Village no Distrito de Chinsali, no nordeste da Z&acirc;mbia. Seu nome de nascimento era Mulenga Lubusha, e depois foi batizada com nome crist&atilde;o de Alice. A m&atilde;e e o pai eram membros do Cl&atilde; do Crocodilo, o real do reino Bemba. 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