{"id":1555,"date":"2020-06-28T16:39:18","date_gmt":"2020-06-28T16:39:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1555"},"modified":"2021-02-04T11:44:37","modified_gmt":"2021-02-04T11:44:37","slug":"bertina-lopes-1924-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/bertina-lopes-1924-2012\/","title":{"rendered":"Bertina Lopes (1924 -2012)"},"content":{"rendered":"\n<p>Pintora e escultora mo\u00e7ambicana, nasceu em Louren\u00e7o Marques (atualmente Maputo), de pai portugu\u00eas e m\u00e3e africana. Realizou o estudo prim\u00e1rio na escola colonial e depois passou a ser educada em Portugal, onde recebeu o diploma em pintura e escultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1953, retornou a Mo\u00e7ambique e ensinou em uma escola t\u00e9cnica at\u00e9 1962. Ela influenciou a poesia de No\u00e9mia de Sousa, era amiga de Jos\u00e9 Craveirinha, Rui Nogar, e outros ativistas, e desde cedo incorporou temas sociais em suas obras de arte. Casou-se com o poeta Virg\u00edlio de Lemos, o pai de seus filhos. Viajou \u00e0 Portugal para estudar cer\u00e2mica com uma bolsa de estudos da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, mas devido ao aumento da intransig\u00eancia do colonialismo portugu\u00eas nos anos 1960, preferiu permanecer no ex\u00edlio, mudando-se para Roma, onde residiu at\u00e9 seu falecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela foi uma das primeiras artistas mo\u00e7ambicanas, junto com Malangatana, a incorporar abordagens modernas da arte em suas pinturas. Elas s\u00e3o conhecidas por evocar o passado africano atrav\u00e9s de cores vibrantes e estilo marcante, que frequentemente inclui figuras abstratas como m\u00e1scaras. Um exemplo \u00e9 o retrato de uma mulher, <em>Fanisse era minha av\u00f3<\/em>, uma colagem que ela fez em 1967 em homenagem a um poema de Craveirinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua primeira exibi\u00e7\u00e3o internacional foi em Roma (1969) e desde ent\u00e3o sua arte foi exposta internacionalmente em Angola, Brasil, Cabo Verde, Estados Unidos, Alemanha, R\u00fassia e muitos outros pa\u00edses. Foi premiada pela primeira vez em \u00e2mbito internacional pelo Centro Internacional de Arte e Cultura Mediterr\u00e2nea, localizado em Corfu (1975).<\/p>\n\n\n\n<p>Bertina voltou a Mo\u00e7ambique ap\u00f3s a independ\u00eancia do pa\u00eds, expondo suas obras no Museu Nacional de Arte, em Maputo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos de vida pintou imagens mais abstratas, como <em>As luzes e as chamin\u00e9s das f\u00e1bricas<\/em>\u201d, uma s\u00e9rie de marrom, amarelo, vermelho e outras cores feita em um formato entremeado (1988). Tamb\u00e9m come\u00e7ou a criar esculturas em bronze de figuras humanas e de m\u00e1scaras africanas reimaginadas. Em 2002 em Roma, uma exibi\u00e7\u00e3o de sua arte, intitulada <em>Fragmentos de terras distantes<\/em>, comemorou o d\u00e9cimo anivers\u00e1rio do acordo de paz que encerrou o conflito em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n\n\n\n<p>Bertina foi agraciada em 1988 com o Grand Prix d\u2019Honneur da Uni\u00e3o Europeia de Cr\u00edticos de Arte; em 1991, com o Pr\u00eamio Mundial da Funda\u00e7\u00e3o Rachel Carson Memorial, e em 1998, com o pr\u00eamio internacional de arte La Pleiade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CRESCENTINI, Cl\u00e1udio. <strong>Bertina Lopes<\/strong>: arte e antagonismo. Roma: Erreciemme, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>RHANDZARTE. \u201cBertina Lopes\u201d. In: IDEM. <strong>9 artistas de Mo\u00e7ambique<\/strong>. Comissariado Geral de Mo\u00e7ambique para a Exposi\u00e7\u00e3o de Sevilha, 1992, p. 14-22.<\/p>\n\n\n\n<p>SCHROTH, Mary Angela; Capricciol, Francesca. Bertina Lopes. <strong>Nka: Journal of Contemporary African Art<\/strong>, n. 3, p. 18-21, 1995: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/muse.jhu.edu\/article\/422450\/pdf\" target=\"_blank\">https:\/\/muse.jhu.edu\/article\/422450\/pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>SHELDON, Katleen. \u201cBertina Lopes\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 518.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pintora e escultora mo&ccedil;ambicana, nasceu em Louren&ccedil;o Marques (atualmente Maputo), de pai portugu&ecirc;s e m&atilde;e africana. Realizou o estudo prim&aacute;rio na escola colonial e depois passou a ser educada em Portugal, onde recebeu o diploma em pintura e escultura. 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