{"id":1648,"date":"2020-06-28T23:36:39","date_gmt":"2020-06-28T23:36:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1648"},"modified":"2021-01-22T14:53:27","modified_gmt":"2021-01-22T14:53:27","slug":"aisha-musa-ahmad-1905-1974","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/aisha-musa-ahmad-1905-1974\/","title":{"rendered":"Aisha Musa Ahmad (1905-1974)"},"content":{"rendered":"\n<p>Cantora sudanesa e ativista durante a luta de independ\u00eancia da Rep\u00fablica do Sud\u00e3o. Nasceu na Cidade de Kassala, sendo a mais velha de uma fam\u00edlia com sete filhos(as), origin\u00e1ria&nbsp; do grupo fula e hau\u00e7\u00e1 da Nig\u00e9ria. Seu pai era um erudito religioso fuqaha que ensinava na madra\u00e7a (escola cor\u00e2nica) em Al-Abassiya, na cidade de Omdurman.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou a cantar com quatorze anos. Devido a sua excepcional capacidade de memoriza\u00e7\u00e3o e recita\u00e7\u00e3o do Alcor\u00e3o, e a sonoridade de sua voz, come\u00e7ou a ser convidada para participar em festas de casamento. Mas logo o pai a proibiu de cantar, entregando-a em casamento, e quando ela se divorciou e voltou a se dedicar \u00e0 m\u00fasica, foi deserdada.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo o talento reconhecido em 1938 por Dmitri al-Bazaar, que trabalhava para a Companhia de M\u00fasica Mochian Beck, no Cairo, Aisha Ahmad se mudou para o Egito, onde gravou discos e suas m\u00fasicas come\u00e7aram a ser tocadas em locais p\u00fablicos e em emissoras de r\u00e1dio, como a Omdurman Radio Broadcasting. Ela era acompanhada pela irm\u00e3, Jidawiyya, que tocava instrumento de cordas com a orquestra, algo recebido com antipatia pelos homens, que at\u00e9 ent\u00e3o eram os \u00fanicos a ocupar os meios de comunica\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o gradual aumento da audi\u00eancia e do sucesso fez com que a posi\u00e7\u00e3o das mulheres sudanesas na r\u00e1dio fosse reconhecida e respeitada.&nbsp; Ela foi tamb\u00e9m a primeira a introduzir duetos no Sud\u00e3o, e nos anos 1960 ela cantou com a cantora sudanesa Ahmed Abdel Raziq.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Como ativista, Aisha defendeu o direito das mulheres e divulgou ideias libert\u00e1rias contra o governo colonial brit\u00e2nico durante a Segunda Guerra Mundial e contra as for\u00e7as do Eixo. Em 1945, ela cantou no Canal do Nilo, no Cairo, pelos direitos das mulheres a trabalhar fora de casa, mas tamb\u00e9m exibiu sua m\u00fasica em acampamentos militares sudaneses no per\u00edodo da guerra contra Hitler e Mussolini, e no per\u00edodo da luta contra os brit\u00e2nicos. Fez parte de delega\u00e7\u00f5es representado o seu pa\u00eds durante a emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a vida, gravou mais de 100 can\u00e7\u00f5es para a Omdurman Radio Broadcasting e mais do que 50 can\u00e7\u00f5es para a Wadi al-Neel. &nbsp;Casou-se quatro vezes, mas o \u00fanico filho, do primeiro casamento, morreu ainda jovem. Conseguiu a reconcilia\u00e7\u00e3o com o pai antes dele morrer, em 1970, e quatro anos mais tarde ela pr\u00f3pria faleceu, sendo enterrada no cemit\u00e9rio de Hamad a-Neel, em Omdurman.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>MALIK, Saadia. <strong>Exploring Aghani al-Banat<\/strong>: a postcolonial ethnographic approach to Sudanese woman\u2019s songs, culture and performance. Thesis (Doctorat), Ohio State University, Ohio, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>MUHAMMAD, Baqi\u2019e Badawi. \u201cAisha Musa Ahmad\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 1, &nbsp;p. 122-123.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cantora sudanesa e ativista durante a luta de independ&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Sud&atilde;o. Nasceu na Cidade de Kassala, sendo a mais velha de uma fam&iacute;lia com sete filhos(as), origin&aacute;ria&nbsp; do grupo fula e hau&ccedil;&aacute; da Nig&eacute;ria. Seu pai era um erudito religioso fuqaha que ensinava na madra&ccedil;a (escola cor&acirc;nica) em Al-Abassiya, na cidade de Omdurman. 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