{"id":1687,"date":"2020-06-29T00:40:08","date_gmt":"2020-06-29T00:40:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1687"},"modified":"2021-01-28T12:28:52","modified_gmt":"2021-01-28T12:28:52","slug":"amanitore-seculo-i-a-c-seculo-i-d-c","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/amanitore-seculo-i-a-c-seculo-i-d-c\/","title":{"rendered":"Amanitore (s\u00e9culo I a.C \u2013 s\u00e9culo I d.C.)"},"content":{"rendered":"\n<p>Rainha-m\u00e3e de Mero\u00e9, coroada com o nome de Merkare. Compartilhou o governo com o marido, Natakamani.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido a aus\u00eancia de registros escritos sobre o seu governo, parte do que se sabe sobre ela prov\u00e9m de evid\u00eancias arqueol\u00f3gicas, que a apresentam como guerreira \u2013 por exemplo, no pilar do Templo do Le\u00e3o, em Naga. Ali ela aparece retratada como uma mulher volumosa, com anca proeminente, fustigando inimigos enquanto estes imploram pela vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Os altos-relevos de Naga mostram imagens em perfeita simetria de dois co-regentes, o que confirma o compartilhamento do poder entre Amanitore e seu marido Natakamani. Ambos aparecem em tamanho equivalente, ele associado ao sul e ela associada ao norte, assim como as divindades s\u00e3o divididas por sua identidade sexual de acordo com as posi\u00e7\u00f5es norte\/sul. Tamb\u00e9m do lado oeste do templo, cada um dos membros do casal aparece flanqueando uma representa\u00e7\u00e3o incomum de Apedemak, o deus-le\u00e3o, que cont\u00e9m mais duas cabe\u00e7as laterais e quatro bra\u00e7os laterais, que podiam ser dirigidos indistintamente ao soberano e \u00e0 soberana. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto \u00fanico de Amanitore \u00e9 que ela sempre compartilhou com o rei o exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es religiosas: isso pode ser deduzido a partir da observa\u00e7\u00e3o do Templo de Amon (N.100) &#8211; constru\u00eddo em Naga pelo casal real. Neste templo, ela e Natakamani, vestidos em peles de pantera, aparecem realizando os of\u00edcios sacerdotais e oferendas.<\/p>\n\n\n\n<p>As escava\u00e7\u00f5es que come\u00e7aram em 1995 dentro do templo N.300 levaram \u00e0 descoberta de uma estela fragmentada na qual se pode ver os dedos de uma deusa, talvez Amesemi, noiva de Apedemak, que era provavelmente associada com a imagem da rainha mero\u00edtica. Na inscri\u00e7\u00e3o, \u00e9 prov\u00e1vel que a palavra \u201cAmni\u201d corresponda ao nome de Amanitore. Algo similar ocorre com a rainha Manishaketo, que aparece retratada em uma estela de arenito encontrada em um sal\u00e3o do Templo de Amonto abra\u00e7ada com a deusa Amesemin &#8211; que usa uma coroa encimada por um falc\u00e3o e uma lua, como evid\u00eancia da divina benevol\u00eancia da deusa \u00e0 governanta.<\/p>\n\n\n\n<p>Como em geral ocorria, Amanitore tem uma pir\u00e2mide no cemit\u00e9rio situado ao norte de Mero\u00e9. Os relevos nas paredes da capela representam uma prociss\u00e3o funer\u00e1ria de sacerdotes carregando v\u00e1rias ins\u00edgnias e imagens daquela cand\u00e1cia. &nbsp;No t\u00famulo situado na parte inferior do edif\u00edcio o seu corpo n\u00e3o foi encontrado, mas apenas restos humanos e ossos de animais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>DUNHAM, D. <strong>The west and south cementeries at Meroe. Royal Cementeries of Kush<\/strong>. Boston: Museum of Fine Arts, 1963.<\/p>\n\n\n\n<p>FANTUSATI, Eugenio. \u201cAmanitore\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 1, &nbsp;p. 197-198.<\/p>\n\n\n\n<p>OLIVEIRA, Fernanda Chamarelli de. <strong>Senhoras da N\u00fabia<\/strong>: as candaces na cultura material em Kush (\u00c1frica, I AEC &#8211; I EC). Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria), Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>TOR\u00d6K, L\u00e1szlo. <strong>The kingdom of Kush. Handbook of the napatan-meroitic civilization<\/strong>. Londres: Brill,1997.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rainha-m&atilde;e de Mero&eacute;, coroada com o nome de Merkare. Compartilhou o governo com o marido, Natakamani. Devido a aus&ecirc;ncia de registros escritos sobre o seu governo, parte do que se sabe sobre ela prov&eacute;m de evid&ecirc;ncias arqueol&oacute;gicas, que a apresentam como guerreira &ndash; por exemplo, no pilar do Templo do Le&atilde;o, em Naga. 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