{"id":1690,"date":"2020-06-29T00:43:45","date_gmt":"2020-06-29T00:43:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1690"},"modified":"2021-01-22T18:25:41","modified_gmt":"2021-01-22T18:25:41","slug":"fadhma-ait-mansour-amrouche-1882-1967","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/fadhma-ait-mansour-amrouche-1882-1967\/","title":{"rendered":"Fadhma Ait Mansour Amrouche (1882-1967)"},"content":{"rendered":"\n<p>Escritora argelina, era a filha de uma camponesa Berber pobre e analfabeta. Mu\u00e7ulmana por nascimento, ela se converteu ao cristianismo, produziu uma das primeiras, se n\u00e3o a primeira, autobiografia escrita por uma mulher argelina, tornou-se uma cidad\u00e3 francesa naturalizada, e criou dois filhos que se tornaram escritores(as) franceses(as) famosos(as): Marguerite Taos Amrouche (conhecida como Taos Amrouche), uma poetisa, cantora, e romancista, e Jean Amrouche, romancista e poeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasceu em uma aldeia situada na regi\u00e3o de Kabylia, depois que integrantes da comunidade tentaram matar sua m\u00e3e, durante a gravidez, por ela ser m\u00e3e solteira, conforme ditava o costume. Esta se salvou apelando \u00e0s autoridades coloniais e denunciou os atacantes, inclusive de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. Talvez para evitar que tal ato se repetisse em nome do isl\u00e3, a m\u00e3e, Fadma Aini, matriculou a filha em uma escola de freiras mission\u00e1rias, e em uma escola secular, onde foi aluna de Madame Malava \u2013 conhecida educadora de meninas \u201cind\u00edgenas\u201d. &nbsp;Quando completou o secund\u00e1rio, trabalhou na Miss\u00e3o Cat\u00f3lica Francesa, onde conheceu Belkacem, com quem se casou (1899), convertendo-se, como ele, ao catolicismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o cl\u00e3 familiar de Belkacem, de f\u00e9 isl\u00e2mica, dificultou o relacionamento com o casal, e a situa\u00e7\u00e3o de Fadhma e o marido ficou dif\u00edcil, ambos se mudaram para T\u00fanis, na Tun\u00edsia, antes da eclos\u00e3o da Primeira Guerra Mundial. Ao todo, ela teve oito filhos(as), mas muitos n\u00e3o sobreviveram, o que a inspirou a escrever, durante a Segunda Guerra Mundial, o poema L\u2019Hirondele (A andorinha). Em 1946, a convite do filho, Jean, que j\u00e1 era escritor conhecido na Fran\u00e7a, ela foi incentivada a escrever suas mem\u00f3rias, o que fez, mas s\u00f3 as publicou ap\u00f3s a morte do marido, em 1958.<\/p>\n\n\n\n<p>Fadhma ficou tamb\u00e9m conhecida pelo seu talento como cantora, e atrav\u00e9s da m\u00fasica ela divulgou o extenso repert\u00f3rio das tradi\u00e7\u00f5es orais de Kabylia \u2013 suas can\u00e7\u00f5es, poesias, lendas e folclore, ent\u00e3o em grave perigo de desaparecer. Foi ela quem incentivou a filha, Marguerite, a se interessar e valorizar tais tradi\u00e7\u00f5es, algo que esta fez ao publicar o livro Le grain magique (O gr\u00e3o m\u00e1gico) (1960) e ao interpretar can\u00e7\u00f5es populares argelinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Seus \u00faltimos anos foram passados na Fran\u00e7a, onde faleceu. A hist\u00f3ria de Fadhma Amrouche, retratada em suas mem\u00f3rias, constitui um cap\u00edtulo \u00fanico na hist\u00f3ria das mulheres em situa\u00e7\u00e3o colonial; ela incorpora tanto a dura realidade da sociedade local e as contradi\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a-Arg\u00e9lia, particularmente como a vida era experienciada por mulheres de origem humilde. Exemplifica a abertura de pequenas frestas no patriarcado, e o esfor\u00e7o para preservar as tradi\u00e7\u00f5es orais berberes que alimentaram a identidade cultural desse grupo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AMROUCHE, Fadhma.&nbsp; <strong>Histoire de ma vie<\/strong>. Paris: Maspero, 1968.<\/p>\n\n\n\n<p>CLANCY-SMITH, Julia A.. \u201cFadhma Amrouche\u201d In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 1, &nbsp;p. 222-223.<\/p>\n\n\n\n<p>DIRECHE-SLIMANI, Karima. <strong>Chr\u00e9tiens de Kabylie<\/strong>: histoire d\u2019une communaut\u00e9 sans histoire. Une action missionaire d\u2019Alg\u00e9rie coloniale. Paris: Bouch\u00e8ne, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>MALTI, Nathalie. <strong>Voix, m\u00e9moire et \u00e9criture: transmission de la m\u00e9moire et identit\u00e9 culturelle dans l&#8217;oeuvre de Fadhma et Taos Amrouche<\/strong>. Doctoral Dissertations, Louisiana State University and Agricultural and Mechanical College, 2006:<strong>&nbsp; <\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/digitalcommons.lsu.edu\/gradschool_dissertations\/3839\" target=\"_blank\">https:\/\/digitalcommons.lsu.edu\/gradschool_dissertations\/3839<\/a><strong> &nbsp;<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritora argelina, era a filha de uma camponesa Berber pobre e analfabeta. 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