{"id":1725,"date":"2020-06-29T02:10:31","date_gmt":"2020-06-29T02:10:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1725"},"modified":"2021-01-22T18:56:13","modified_gmt":"2021-01-22T18:56:13","slug":"josephine-bakhita-1869-1947","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/josephine-bakhita-1869-1947\/","title":{"rendered":"Josephine Bakhita (1869-1947)"},"content":{"rendered":"\n<p>Escravizada liberta e beata cat\u00f3lica do Sud\u00e3o.&nbsp; Nasceu na regi\u00e3o de Darfur, pr\u00f3ximo \u00e0 montanha Agilerei, ao nordeste de Nvala. Seu pai era um rico <em>daju<\/em> (negro mu\u00e7ulmano africano), que possu\u00eda uma numerosa cria\u00e7\u00e3o de gado e uma fazenda cultivada por empregados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por volta de 1876, quando tinha cerca de sete anos, Bakhita, que significa \u201cafortunada\u201d e que n\u00e3o \u00e9 o seu nome de nascimento, foi sequestrada por traficantes de escravos; ap\u00f3s tentativa fracassada de escapar, foi comprada por um comerciante de al-Ubayyid, onde ela serviu de acompanhante das duas filhas dele. Foi a seguir vendida em 1879 a um oficial do ex\u00e9rcito otomano, que a levou para Cartum (1882). Nessa fam\u00edlia, ela foi tratada brutalmente com chicotadas e com escoria\u00e7\u00f5es. Nos anos seguintes, foi adquirida pelo c\u00f4nsul italiano, Callisto Legnani, e quando este foi for\u00e7ado a deixar Cartum em 1884 ela implorou para que a levasse com ele. Levada pelo c\u00f4nsul, ela foi entregue \u00e0 fam\u00edlia de Augusto Michieli, para ser cuidadora da filha pequena dele, e servir sua jovem esposa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1888, quando acompanhou a senhora ao Instituto de Catec\u00famenos, em Veneza, decidiu que n\u00e3o queria voltar para casa, e foi apoiada pelo cardeal patriarca de Veneza, o qual alegou que Bakhita era livre porque a escravid\u00e3o havia acabado tanto no Sud\u00e3o quanto na It\u00e1lia. Assim, ap\u00f3s seu batismo, ela foi aceita como novi\u00e7a na casa das Filhas da Caridade de Canossa, virando freira em 1893. Transferida para o convento de Socio, passou a trabalhar como cozinheira (1902). Depois, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), trabalhou na cozinha, na sacristia e como ajudante de enfermagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 1910 come\u00e7ou a narrar sua hist\u00f3ria para a irm\u00e3 Tereza Fabris, e fragmentos de sua vida foram publicados em 1919. Suas mem\u00f3rias pessoais, transmitidas em entrevistas, foram registradas em 1929 por Ida Zanolini na <em>Vita Canossiana<\/em>. Devido a sua situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, deixou de trabalhar no convento, passando a viajar, contar sua hist\u00f3ria e angariar doa\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias para o trabalho mission\u00e1rio, tendo inclusive participado de uma delega\u00e7\u00e3o com esta finalidade junto a Benito Mussolini e o Papa Pio XI (1935).<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrada como modelo de vida espiritual e chamada de <em>La nostra madre morreta<\/em> (Nossa m\u00e3e negra), por suas virtudes ela foi beatificada pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II. Tomada como s\u00edmbolo de perseveran\u00e7a e liberdade, sua hist\u00f3ria foi diversas vezes evocada como s\u00edmbolo de transcend\u00eancia em face das mazelas do seu passado e do fantasma sem rosto da escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>DAGNINO, Maria Luisa. <strong>Bakhita tells her story<\/strong>. Rome: Casa Generalizia, 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>ILLE, Enrico. \u201cJosephine Bakhita\u201d. &nbsp;In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 1, p.&nbsp; 359-360. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>TROUTT POWELL, Eve M. Sainted slave: Bhakita in the memories of southern sudanese\u201d. In: FLUEHR-LOBAN, Carolin; RHODES, Kharyssa (Eds.).&nbsp; <strong>Race and identity in the Nile Valley<\/strong>: ancient and modern perspectives. Trenton: Red Sea Press, 2004, pp. 159-169.<\/p>\n\n\n\n<p>ZANINI, Roberto Italo (Ed). <strong>Giuseppina Bakhita. Il cuore ci martellava nel petto<\/strong>: il diario di una schiava divenuta santa. Turin: San Paolo, 2004<strong>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escravizada liberta e beata cat&oacute;lica do Sud&atilde;o.&nbsp; Nasceu na regi&atilde;o de Darfur, pr&oacute;ximo &agrave; montanha Agilerei, ao nordeste de Nvala. Seu pai era um rico daju (negro mu&ccedil;ulmano africano), que possu&iacute;a uma numerosa cria&ccedil;&atilde;o de gado e uma fazenda cultivada por empregados. 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