{"id":1737,"date":"2020-06-29T02:33:37","date_gmt":"2020-06-29T02:33:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1737"},"modified":"2021-01-22T19:03:10","modified_gmt":"2021-01-22T19:03:10","slug":"kesso-barry-1948","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/kesso-barry-1948\/","title":{"rendered":"Kesso Barry (1948)"},"content":{"rendered":"\n<p>Princesa de origem fula. \u00c9 filha de El Hadji Ibrahima Sory Barry, de Dara (1884? &#8211; 1978), que foi o \u00faltimo <em>almami<\/em> (monarca) dos Fulas da regi\u00e3o de Futa Djalon, e de sua terceira esposa, Diello. Nasceu na comunidade de Mamou, na atual Rep\u00fablica da Guin\u00e9-Conacri. Etimologicamente, seu nome pr\u00f3prio, Kesso, significa \u201cvirgem\u201d na l\u00edngua Fula.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela teve uma inf\u00e2ncia feliz enquanto morou com a fam\u00edlia paterna, at\u00e9 os seis anos de idade, mas passou a ter problemas quando se mudou para Sogotoro para morar com sua tia, que era muito autorit\u00e1ria. Por ser impulsiva e obstinada, aquela tentou disciplin\u00e1-la sem sucesso e depois de quatro anos Kesso retornou a Mamou quando passou a ter a reputa\u00e7\u00e3o de \u201cprincesa revolucion\u00e1ria\u201d. Passou a realizar tarefas tipicamente masculinas como ca\u00e7ar, coletar impostos e frequentar cinema. Por iniciativa pr\u00f3pria, frequentou a escola prim\u00e1ria em Mamou e com muita persist\u00eancia terminou o ensino secund\u00e1rio na capital, Conakry, e depois em Dakar no Senegal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A mudan\u00e7a tamb\u00e9m foi uma forma dela se distanciar da sociedade patriarcal e conservadora de Mamou, na qual ela foi obrigada a se submeter ao ritual de clitoridectomia, a mutila\u00e7\u00e3o genital, quando tinha doze anos, exig\u00eancia para se casar e adentrar em um relacionamento polig\u00e2mico \u2013 como era o costume.&nbsp; Morou com a fam\u00edlia da quarta esposa do pai, que tamb\u00e9m era muito rigorosa e conservadora. Algum tempo depois mudou-se para casa de amigos da fam\u00edlia, o casal franc\u00eas Saint-Gr\u00e9mois, com quem a jovem princesa teve liberdade e acesso ao cen\u00e1rio cultural da vida moderna, al\u00e9m de participa\u00e7\u00e3o em neg\u00f3cios no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos quinze anos Kesso se casou com Ba\u00eflo, um empres\u00e1rio de trinta anos origin\u00e1rio de Mamou, ap\u00f3s uma tensa negocia\u00e7\u00e3o familiar uma vez que ele n\u00e3o pertencia a uma fam\u00edlia de origem nobre, embora fosse bem sucedido economicamente. Com ele Kesso teve uma filha e um filho: Bintou e Ousmane, mas algum tempo depois pediu div\u00f3rcio, mudando-se para a casa de um irm\u00e3o dela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para sustentar os filhos, trabalhou como secret\u00e1ria numa mina de bauxita onde conheceu o segundo marido &#8211; o industrial G\u00e9rard Decoster. &nbsp;Embora a fam\u00edlia mu\u00e7ulmana tenha ficado desapontada com este casamento com um homem franc\u00eas branco e cat\u00f3lico, ela assumiu o relacionamento e em 1966 foi morar com ele e os filhos em 1966, seguindo uma carreira de sucesso no mundo da moda.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1988 escreveu sua autobiografia, <em>Kesso, princesse peuhle<\/em> (Kesso, princesa fula). No livro, mostra otimismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es que enfrentou, mas o final deixa notar a situa\u00e7\u00e3o amb\u00edgua de pertencer a duas culturas e revela-se parcialmente arrependida por ter deixado a Guin\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BARRY, Kesso. <strong>Kesso, princesse peuhle<\/strong>. Paris: Seghers, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>BEKERS, Elisabeth. \u201cKesso Barry\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 1, &nbsp;&nbsp;p. 389-390.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u2019ALMEIDA, Ir\u00e8ne Assiba. Kesso Barry\u2019s Kesso, or autobiography as a subverted tale. <strong>Research in African Literatures<\/strong>, v. 28, n. 2, p. 66-82, 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>SANKARA, Edgard. L\u2019appropriation du masculin dans Kesso, princesse peuhle de Kesso Barry. <strong>Itineraires<\/strong>, n. 1, 2008: <a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/itineraires\/2221\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/journals.openedition.org\/itineraires\/2221<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Princesa de origem fula. &Eacute; filha de El Hadji Ibrahima Sory Barry, de Dara (1884? &ndash; 1978), que foi o &uacute;ltimo almami (monarca) dos Fulas da regi&atilde;o de Futa Djalon, e de sua terceira esposa, Diello. Nasceu na comunidade de Mamou, na atual Rep&uacute;blica da Guin&eacute;-Conacri. 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