{"id":1774,"date":"2020-06-29T03:46:31","date_gmt":"2020-06-29T03:46:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1774"},"modified":"2021-01-28T12:55:22","modified_gmt":"2021-01-28T12:55:22","slug":"dinkinesh-3-200-000-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/dinkinesh-3-200-000-anos\/","title":{"rendered":"Dinkinesh (3.200.000 anos)"},"content":{"rendered":"\n<p>Nome atribu\u00eddo ao que foi considerado durante d\u00e9cadas o mais antigo testemunho da evolu\u00e7\u00e3o humana: os restos f\u00f3sseis de uma esp\u00e9cime f\u00eamea classificada como Australophitecus afarensis. Atualmente, outros restos f\u00f3sseis de Ardiphitecus fazem recuar o conhecimento sobre os homin\u00eddeos, primeiros esp\u00e9cimes b\u00edpedes.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta ocorreu em 1974, por uma equipe internacional de paleoantrop\u00f3logos sob a coordena\u00e7\u00e3o de Donald Johnson, do Museu de Cleveland (Ohio), e Yves Coppens, do Musee de l\u2019Homme (Paris) em Hadar, na atual Eti\u00f3pia. Ap\u00f3s a reconstitui\u00e7\u00e3o, a f\u00eamea recebeu da parte dos cientistas o nome de Lucy, em refer\u00eancia ao fato de que, no dia em que foi encontrada a equipe ouvira no gravador a can\u00e7\u00e3o dos Beatles, <em>Lucy in the sky with Diamonds<\/em>. Entretanto, na Eti\u00f3pia ela \u00e9 tamb\u00e9m conhecida como <em>Dinkinesh<\/em>, que na l\u00edngua am\u00e1rica, falada naquele pa\u00eds, significa \u201cMaravilhosa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O material f\u00f3ssil encontrado tem data\u00e7\u00e3o aproximada entre 3,22 e 3,18 milh\u00f5es de anos. O esqueleto de Dinkinesh, ou Lucy, continua a ser um dos mais completos at\u00e9 agora encontrados, com cerca de 40% da estrutura \u00f3ssea preservada, o que permitiu a recomposi\u00e7\u00e3o integral do corpo. Foram encontradas nove v\u00e9rtebras e algumas costelas, metade da bacia, o bra\u00e7o direito quase completo,&nbsp; parte das pernas e do bra\u00e7o esquerdo, alguns ossos dos p\u00e9s e das m\u00e3os, a mand\u00edbula&nbsp; com os respectivos dentes e pequenos fragmentos do cr\u00e2nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os restos f\u00edsicos, quando examinados, desenham uma silhueta muito fr\u00e1gil. Pelas propor\u00e7\u00f5es dos ossos, sua altura n\u00e3o era maior do que 1,22 cm, e seu peso \u00e9 estimado em cerca de 30 quilos. A configura\u00e7\u00e3o da p\u00e9lvis e dos membros inferiores n\u00e3o deixa d\u00favidas que se tratava de um ser que caminhava de forma ereta, embora a curvatura das m\u00e3os e dos p\u00e9s sugiram que ela tinha conservado a capacidade dos primatas ancestrais para subir em \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p>Dinkinesh continua a ser considerada uma das mais antigas ancestrais de toda a humanidade. O que torna ainda mais not\u00e1vel o achado \u00e9 que, pelas evid\u00eancias preservadas, ela era do sexo feminino. Alguns sugerem que poderia ter cerca de vinte anos quando morreu, como testemunham os seus dentes do siso, j\u00e1 nascidos, mas ainda n\u00e3o gastos. &nbsp;Em 2016, an\u00e1lises realizadas pelo cientista John Kappelman, da Universidade do Texas, identificaram diferentes fraturas reveladas no seu f\u00f3ssil, e a pesquisa leva a crer que sua morte teria ocorrido em virtude de uma queda, provavelmente ao cair de uma \u00e1rvore.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma r\u00e9plica do esqueleto de Dinkinesh encontra-se preservada no Museu Nacional da Eti\u00f3pia, em Adis Abeba; outras duas r\u00e9plicas s\u00e3o exibidas no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Cleveland (Ohio) e no Field Museum, em Chicago.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CHENE, G. et alii. A species\u2019 odyssey: evolution of obstetrical mechanics from Australopithecus Lucy to nowadays. <strong>European Journal of Obstetrics &amp; Gynecology and Reproductive Biology<\/strong>, v. 181, p. 326-320, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>KIMBEL, William; DELEZENE, Lucas K..&nbsp; \u201cLucy\u201d redux:&nbsp; a review of research on Australopithecus afarensis.&nbsp; <strong>Yearbook of Phisical Anthropology<\/strong>, v. 52, n. 2, 2009: <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1002\/ajpa.21183\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1002\/ajpa.21183<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>REBEYROL, Yvonne. <strong>Lucy<\/strong>: cr\u00f4nicas da pr\u00e9-hist\u00f3ria. Mem Martins: Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica, 1992.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nome atribu&iacute;do ao que foi considerado durante d&eacute;cadas o mais antigo testemunho da evolu&ccedil;&atilde;o humana: os restos f&oacute;sseis de uma esp&eacute;cime f&ecirc;mea classificada como Australophitecus afarensis. Atualmente, outros restos f&oacute;sseis de Ardiphitecus fazem recuar o conhecimento sobre os homin&iacute;deos, primeiros esp&eacute;cimes b&iacute;pedes. 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