{"id":1778,"date":"2020-06-29T03:51:02","date_gmt":"2020-06-29T03:51:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1778"},"modified":"2021-02-05T19:10:12","modified_gmt":"2021-02-05T19:10:12","slug":"eva-africana-c-200-000-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/eva-africana-c-200-000-anos\/","title":{"rendered":"Eva Africana (c. 200.000 anos)"},"content":{"rendered":"\n<p>Mais recente ancestral comum, tamb\u00e9m conhecida como Eva Mitocondrial, nome proposto pela geneticista Rebecca L. Cann, quando ela e seus colegas pesquisadores da Universidade da California identificaram e dataram o v\u00ednculo de descend\u00eancia do ser humano anatomicamente moderno com uma hipot\u00e9tica e \u00fanica \u201cm\u00e3e africana\u201d,&nbsp; a partir de an\u00e1lise de varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do&nbsp; DNA mitocondrial (1987).<\/p>\n\n\n\n<p>Usando DNA mitocondrial (herdado somente da linha materna), Rebecca Cann e seus associados examinaram 147 indiv\u00edduos e produziram uma \u00e1rvore gen\u00e9tica evolucion\u00e1ria mostrando os ramos de dois conjuntos de indiv\u00edduos: um conjunto de ancestral africano e um segundo conjunto de uma mistura entre africanos e \u201coutros\u201d ancestrais. A \u00e1rvore revelou que os seres humanos modernos se originaram na \u00c1frica a partir de uma \u00fanica fonte, que Cann e seus colegas nomearam \u201cEva\u201d, de um per\u00edodo entre 140,000 e 290,000 anos atr\u00e1s. &nbsp;Pesquisas subsequentes situaram essa data em aproximadamente 200,000 anos atr\u00e1s ao comparar dez modelos gen\u00e9ticos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEva Africana\u201d \u00e9 um modelo matem\u00e1tico, e n\u00e3o um f\u00f3ssil real de restos humanos. N\u00e3o obstante, a maioria dos cientistas atuais concordam que ela \u00e9 ancestral de todos os seres humanos atuais e que viveu na \u00c1frica. Na primeira metade dos anos 1990 v\u00e1rias \u00e1rvores alternativas foram publicadas, com v\u00e1rias \u201cra\u00edzes\u201d diferentes fora da \u00c1frica. Conforme o conhecimento em gen\u00e9tica aumentava e as t\u00e9cnicas melhoravam, abordagens diferentes foram aplicadas ao problema das origens humanas, padr\u00f5es de migra\u00e7\u00e3o e tempo, e a presen\u00e7a ou aus\u00eancia de gargalos gen\u00e9ticos (per\u00edodos durante os quais popula\u00e7\u00f5es decrescem marcadamente em tamanho).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2000, Kaessman&nbsp; Ingman e U. Gyllesten sequenciaram completamente o DNA mitocondrial de 53 mulheres. Eles encontraram uma sequ\u00eancia distinta e \u00fanica em cada uma dessas mulheres e foram h\u00e1beis em construir uma \u00e1rvore gen\u00e9tica baseada nesses dados. A primeira diverg\u00eancia ocorreu com mulheres da \u00c1frica Sub-Sahariana, seguidas por uma ramifica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios indiv\u00edduos de outras partes da \u00c1frica, apoiando, deste modo, a origem gen\u00e9tica africana dos humanos modernos proposta por Cann e seus colegas em 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>Um adicional de 66 mulheres foram sequenciadas independentemente por J.L. Elson e seus colegas (2001) com resultados similares. A Eva Africana n\u00e3o foi a \u00fanica mulher de sua esp\u00e9cie. Muitos estudos de DNA nuclear, de f\u00f3sseis e de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos indicam uma popula\u00e7\u00e3o antiga nas dezenas de milhares na \u00e9poca que Eva estava viva. A dificuldade na interpreta\u00e7\u00e3o provavelmente vem do fato de que, embora os estudos indiquem um \u00fanico ancestral comum feminino para todas as mulheres vivas atualmente, estes estudos n\u00e3o levam em conta as linhas que desapareceram e o fato de os machos n\u00e3o passarem DNA mitocondrial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cEva\u201d n\u00e3o \u00e9 a ancestral comum mais recente compartilhada por todos os humanos vivos; em vez disso, a proposta \u00e9 que ela seria a prov\u00e1vel ancestral comum matrilinear mais recente. Em meados dos anos 1990 geneticistas come\u00e7aram a pesquisar o ancestral patrilinear mais comum dos humanos modernos, agora chamado \u201cAd\u00e3o cromossomial-Y\u201d para se juntar a \u201cEva Africana\u201d na linha evolucion\u00e1ria humana. Este teria vivido entre 60.000 e 90.000 anos na \u00c1frica subsaariana, segundo se pode aferir a partir dos dados obtidos at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">Wikimedia Commons. [S\u00edtio institucional]. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Abreha_and_Atsbeha_Church_-_Adam_and_Eve_01.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Abreha_and_Atsbeha_Church_-_Adam_and_Eve_01.jpg<\/a>. Acesso em: 11 dez. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CANN, Rebecca L. Stoneking, M.; WILSON, A. C.. Mitocondrial DNA and human evolution. <strong>Nature<\/strong>, v. 325, p. 31-36, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>CANN, Rebecca L. &nbsp;Mothers, labels, and misogyny. In:&nbsp;HAGER, L. D. (Ed.). <strong>Women in human evolution<\/strong>. Londres: Routledge, 1997, p.&nbsp;75\u201389.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>DILLER, K. C; Cann Rebecca L. Molecular perspectives on human evolution. In: GIBSON, K. R.; TALLERMAN, M.&nbsp; (Ed). &nbsp;<strong>The Oxford handbook of language evolution<\/strong>. Nova Iorque: Oxford University Press, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>INGMAN, M. et alii. Mitochondrial genome variation and the origin of modern humans. <strong>Nature<\/strong>, v. 408, p. 708-713, 2000.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MILLER, Elizabeth. African Eve\u201d.&nbsp; In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 107-108.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais recente ancestral comum, tamb&eacute;m conhecida como Eva Mitocondrial, nome proposto pela geneticista Rebecca L. 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