{"id":1781,"date":"2020-06-29T03:54:31","date_gmt":"2020-06-29T03:54:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1781"},"modified":"2021-01-22T17:09:57","modified_gmt":"2021-01-22T17:09:57","slug":"amina-mama-1958","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/amina-mama-1958\/","title":{"rendered":"Amina Mama (1958)"},"content":{"rendered":"\n<p>Escritora, professora e feminista nigeriana.&nbsp; Nasceu na cidade de Kaduna, situada na \u00e1rea cultural hau\u00e7\u00e1, no norte da Nig\u00e9ria, filha de pai nigeriano e de m\u00e3e inglesa. Esta hist\u00f3ria familiar ecl\u00e9tica, segundo ela, teria moldado sua vis\u00e3o de mundo e refletido o alcance de sua atua\u00e7\u00e3o posterior na \u00c1frica, Europa e Am\u00e9rica do Norte.&nbsp; Em 1992 casou-se com Nuruddin Farah, com quem tem dois filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela frequentou a escola prim\u00e1ria e secund\u00e1ria em Kaduna, em ambiente mu\u00e7ulmano. A m\u00e3e era professora, e v\u00e1rios outros membros de sua fam\u00edlia estiveram envolvidos com o sistema local no momento da independ\u00eancia do pa\u00eds. Em 1966 ela deixou sua comunidade devido a dist\u00farbios antimu\u00e7ulmanos, e se estabeleceu em Londres, onde veio a obter sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em n\u00edvel superior. Estudou Psicologia na Universidade de St Andrews, na Esc\u00f3cia (1980), com Mestrado em Psicologia Social e Doutorado em Psicologia Organizacional na Universidade de Londres, onde defendeu a tese:&nbsp; <em>Race and subjectivity: a study of black women<\/em> (Ra\u00e7a e subjetividade: um estudo sobre mulheres negras) (1987).<\/p>\n\n\n\n<p>Em seus primeiros estudos, Amina Mama desenvolveu&nbsp; an\u00e1lises comparativas sobre a situa\u00e7\u00e3o das mulheres brit\u00e2nicas e nigerianas. Passou pela Holanda, Nig\u00e9ria, e se estabeleceu na \u00c1frica do Sul, onde passou a lecionar na University of Cape Town (Universidade da Cidade do Cabo), onde passou a dirigir o <em>African Gender Institute<\/em> (Instituto Africano de Estudos de G\u00eanero). Ela foi uma das criadoras do peri\u00f3dico <em>Feminist Africa<\/em> (Feminismo Africano), em que permanece como editora. Em 2008, ela foi contratada para lecionar no Mills College, em Oakland, passando depois a lecionar na Universidade da Calif\u00f3rnia &#8211; Campus Davis, nos Estados Unidos, como professora de Rela\u00e7\u00f5es de G\u00eanero, Sexualidade e Estudos sobre as Mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Em paralelo ao seu trabalho de reflex\u00e3o te\u00f3rica, doc\u00eancia e pesquisa, Amina Mama \u00e9 reconhecida internacionalmente por seu ativismo em defesa dos direitos das mulheres, como destacada feminista. Ela \u00e9 presidenta do conselho de Administra\u00e7\u00e3o do Fundo Global para Mulheres e assessora ou consultora de diversas organiza\u00e7\u00f5es internacionais, al\u00e9m de participar do conselho de administra\u00e7\u00e3o do Instituto de Pesquisa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento Social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora declaradamente feminista, ela se coloca como cr\u00edtica do \u201cfeminismo branco\u201d, pelas suas liga\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas com o colonialismo, o capitalismo e o racismo, argumentos defendidos em sua mais conhecida obra:&nbsp;&nbsp; <em>Beyond the masks: race, gender and subjetivity<\/em> (Al\u00e9m das m\u00e1scaras: ra\u00e7a, g\u00eanero e subjetividade) (1995), em que ela, partindo da interpreta\u00e7\u00e3o racial proposta por Frantz Fanon, e indo al\u00e9m, reinterpreta as condi\u00e7\u00f5es em que se processa a subjetividade das mulheres negras. Junto com uma equipe de outras te\u00f3ricas africanas, coordenou junto ao <em>Conseil pour le Development des Sciences Sociales en Afrique<\/em> \u2013 CODESRIA, a obra coletiva intitulada <em>Sexe, genre et societe: engendrer les sciences sociales africaines<\/em> (Sexo, g\u00eanero e sociedade: engendrar as ci\u00eancias sociais africanas) (1997).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Amina Mama, as ideias universais de sororidade, produzidas pelo feminismo em contexto hegem\u00f4nico, devem ser colocadas sob suspeita devido aos limites da cr\u00edtica feminista ao capitalismo. O que a leva, por extens\u00e3o, a se colocar como cr\u00edtica aos discursos que pretendem separar as condi\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o de g\u00eanero e ra\u00e7a. Coloca-se tamb\u00e9m em franca oposi\u00e7\u00e3o ao tipo de produ\u00e7\u00e3o que circula nas universidades africanas, perpassadas pelo patriarcalismo, pelo sexismo e por hierarquias institucionais. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>MAMA, Amina. Challenging subjects:&nbsp; gender and power in african contexts. <strong>African Sociological Review<\/strong>, v. 5, n. 2, p. 63-73, 2001: &nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ajol.info\/index.php\/asr\/article\/viewFile\/23191\/19882\" target=\"_blank\">https:\/\/www.ajol.info\/index.php\/asr\/article\/viewFile\/23191\/19882<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>MAMA, Amina. Feminism or Femocracy? State Feminism and Democratisation in Nigeria.&nbsp;<strong>Africa Development<\/strong>, CODESRIA, v. &nbsp;20, n. 1, p. 37-58, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>MAMA, Amina (entrevista). <strong>Africana: aportaciones para la descolonizaci\u00f3n del feminismo<\/strong>. Barcelona: Oozebap, 2013:&nbsp;&nbsp; <a href=\"http:\/\/www.feministas.org\/IMG\/pdf\/varias_autoras___africana._aportaciones_para_la_descolonizacion_del_feminismo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.feministas.org\/IMG\/pdf\/varias_autoras___africana._aportaciones_para_la_descolonizacion_del_feminismo.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritora, professora e feminista nigeriana.&nbsp; Nasceu na cidade de Kaduna, situada na &aacute;rea cultural hau&ccedil;&aacute;, no norte da Nig&eacute;ria, filha de pai nigeriano e de m&atilde;e inglesa. 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