{"id":1791,"date":"2020-06-29T04:13:05","date_gmt":"2020-06-29T04:13:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1791"},"modified":"2021-01-22T17:24:02","modified_gmt":"2021-01-22T17:24:02","slug":"arwa-saleh-1951-1997","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/arwa-saleh-1951-1997\/","title":{"rendered":"Arwa Saleh (1951-1997)"},"content":{"rendered":"\n<p>L\u00edder estudantil, militante comunista radical e feminista eg\u00edpcia. Nasceu na cidade do Cairo, onde estudou Literatura Inglesa na Universidade do Cairo. Trabalhou temporariamente como professora e como tradutora&nbsp; na Ag\u00eancia de Not\u00edcias do Oriente M\u00e9dio e no jornal econ\u00f4mico saudita&nbsp;intitulado <em>al-&#8216;Alam al-Yawm<\/em>&nbsp;(O Mundo Hoje). Tamb\u00e9m traduziu para a l\u00edngua eg\u00edpcia textos da literatura marxista, al\u00e9m de ter sido autora de ensaios e textos de opini\u00e3o em boletins do <em>Hizb al-&#8216;Ummal al-Shuyu&#8217;i al-Misri<\/em>&nbsp; (Partido Comunista dos Trabalhadores Eg\u00edpcios), uma organiza\u00e7\u00e3o proibida em seu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua milit\u00e2ncia foi ativa no per\u00edodo de 1968-1970, e se deu no contexto da forte mobiliza\u00e7\u00e3o estudantil de esquerda contra o regime autorit\u00e1rio do governo de Anuar al-Sadat, sobretudo ap\u00f3s a derrota eg\u00edpcia na Guerra \u00c1rabe-Israelense (1967).&nbsp; Arwa Saleh e Siham Sabri assumiram a lideran\u00e7a na Universidade do Cairo, organizando manifesta\u00e7\u00f5es, redigindo panfletos, p\u00f4steres e slogans, atividades liter\u00e1rias e teatrais de contesta\u00e7\u00e3o. Na passagem de 1972-1973 os estudantes universit\u00e1rios, com apoio popular, ocuparam a Pra\u00e7a Yahrir, em protesto contra a ocupa\u00e7\u00e3o do Sinai por Israel, e contra o autoritarismo do governo, entrando em conflito com as for\u00e7as policiais a servi\u00e7o do Estado. Esse cen\u00e1rio veio a ser retratado em sua obra posterior intitulada <em>al-Mubtasarun<\/em>&nbsp;(O natimorto) (1997), em que avalia o legado da \u201cgera\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica\u201d&nbsp; e as esperan\u00e7as frustradas do movimento estudantil nos anos 1970.<\/p>\n\n\n\n<p>Arwa Saleh tornou-se membro do comit\u00ea central do Partido dos Trabalhadores Comunistas Eg\u00edpcios, uma grande organiza\u00e7\u00e3o que surgiu do movimento estudantil de 1972 e tamb\u00e9m se envolveu nos levantes de 1977 contra as pol\u00edticas de liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de Anuar Sadat. Este movimento radical de esquerda se enfraqueceu nos anos 1980, quando muitos ativistas e intelectuais juntaram-se a Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais, ag\u00eancias humanit\u00e1rias internacionais ou movimentos isl\u00e2micos.&nbsp; Essa mudan\u00e7a de rumo levou a que ela se afastasse do partido, em parte tamb\u00e9m por quest\u00f5es de sa\u00fade, o que a levou a deixar o Egito e viver temporariamente na Espanha, e a passar por demorado tratamento psiqui\u00e1trico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu livro de mem\u00f3rias&nbsp;&nbsp; <em>al-Mubtasarun<\/em>&nbsp;(O natimorto) (1996), al\u00e9m de deixar um denso registro dos anos de milit\u00e2ncia estudantil, Arwa reflete com amargura sobre as inconsist\u00eancias e ambiguidades dos promotores do movimento e denuncia as estruturas hier\u00e1rquicas dentro das organiza\u00e7\u00f5es comunistas, baseadas em crit\u00e9rios de antiguidade e, frequentemente, de g\u00eanero. Nele constam acusa\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o sexual e abuso cometido por lideran\u00e7as comunistas contra jovens militantes mulheres, por vezes difamadas ou silenciadas caso resistissem aos avan\u00e7os masculinos. Tamb\u00e9m critica o intelectualismo das lideran\u00e7as, que mais se preocupavam com publica\u00e7\u00f5es de livros ou a obten\u00e7\u00e3o de apoio p\u00fablico do que em manter os objetivos de resist\u00eancia e luta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo de sua vida adulta, Arwa Saleh &nbsp;sofreu de depress\u00e3o cl\u00ednica e epis\u00f3dios de esquizofrenia.&nbsp;Ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas frustradas, ela cometeu suic\u00eddio em 1997, ao pular do d\u00e9cimo andar do edif\u00edcio em que morava no Cairo, epis\u00f3dio tr\u00e1gico retratado em pelo menos tr\u00eas romances da literatura eg\u00edpcia recente. Uma colet\u00e2nea de artigos, ensaios e poemas, bem como de trechos de suas mem\u00f3rias, foi publicada com o t\u00edtulo de <em>Saratan al-Rawh<\/em>&nbsp;(C\u00e2ncer da Alma) (1998).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AL-ARIAN, Abdullah. <strong>Answering the call<\/strong>: popular islamic activism in Sadats Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>HAMMAD, Hanan. Arwa Saleh\u2019s The premature: gendering the history of the egytian left. <strong>Arab Studies Journal<\/strong>, v. 24, n. 1, p. 118-142, 2016.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>SALIH, Arwa.&nbsp;<strong>The stillborn<\/strong>: notebooks of a woman from the student movement generation in Egypt. Calcutta: Seagull Books, 2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L&iacute;der estudantil, militante comunista radical e feminista eg&iacute;pcia. Nasceu na cidade do Cairo, onde estudou Literatura Inglesa na Universidade do Cairo. 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