{"id":1940,"date":"2020-07-01T01:19:12","date_gmt":"2020-07-01T01:19:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=1940"},"modified":"2021-02-17T18:49:24","modified_gmt":"2021-02-17T18:49:24","slug":"aqualtune-seculos-xvi-xvii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/aqualtune-seculos-xvi-xvii\/","title":{"rendered":"Aqualtune (s\u00e9culos-XVI-XVII)"},"content":{"rendered":"\n<p>Personagem semi-lend\u00e1ria da hist\u00f3ria do Quilombo dos Palmares. Teria nascido no reino do Congo, de linhagem real, e liderado uma parte dos guerreiros na Batalha de Mbwuila (Ambu\u00edla) (1665), o que resultou em sua escraviza\u00e7\u00e3o e deslocamento para a Am\u00e9rica Portuguesa, no atual Nordeste brasileiro. \u00c9 lembrada como uma rainha guerreira, av\u00f3 de Zumbi dos Palmares.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua identidade ancestral \u00e9 dif\u00edcil de ser demonstrada. Ela n\u00e3o aparece mencionada nas cr\u00f4nicas ou nos documentos escritos \u00e0 \u00e9poca no Reino do Congo. N\u00e3o poderia ser a esposa de Ant\u00f4nio I, o rei do Congo derrotado e decapitado em Mbwila porque de acordo com o cronista portugu\u00eas Ant\u00f3nio de Oliveira Cadornega ele mandara executar a rainha anos antes. Nem era tia deste rei, conforme se pensa, porque a tia dele, que detinha o t\u00edtulo de <em>Mwene Nlaza<\/em>, era conhecida pelo nome crist\u00e3o de Ana Afonso de Le\u00e3o, ou Ana Manimulaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqualtune aparece mencionada nas fontes escritas pelos atacantes da comunidade palmarina\u00a0 Em 1677, por ocasi\u00e3o dos ataques das tropas do capit\u00e3o Fern\u00e3o Carrilho contra o quilombo de Macaco, havia uma grande casa onde se reunia o Conselho de Chefes, entre os quais estavam Aqualtune e Ganazona, apresentados respectivamente como m\u00e3e e irm\u00e3o do rei Ganga Zumba; Zumbi, apresentado como sobrinho dele; Pedro Capaca\u00e7a,\u00a0 Amaro, Osenga e Andalaquituche,\u00a0 l\u00edderes de outras comunidades da confedera\u00e7\u00e3o. Em documento do Conselho Ultramarino portugu\u00eas datado de 1681, consta que, ap\u00f3s a invas\u00e3o do quilombo de Macaco em 1577 foram aprisionados cerca de 200 homens, dois filhos do rei e a rainha. Ela era, pois, tia-av\u00f3 de Zumbi, que assumiria a lideran\u00e7a dos palmarinos at\u00e9 1695.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua capacidade de lideran\u00e7a e de resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o, Aqualtune tornou-se um s\u00edmbolo da luta das mulheres negras. Sua mem\u00f3ria \u00e9 preservada nas tradi\u00e7\u00f5es orais, inspirou o tema de enredo da Escola de Samba Mangueira no Carnaval de 2019 e sua hist\u00f3ria \u00e9 recontada em versos na obra de Jarid Arraes, <em>Hero\u00ednas negras brasileiras em 15 cord\u00e9is<\/em> (2017).<\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ANDERSON, Robert Nelson. The Quilombo of Palmares: a new overview of a maroon state in seventeenth-century Brazil. <strong>Journal of Latin American Studies<\/strong>, v. 28, n. 3, p. 545-566, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>CARNEIRO, Edison. <strong>O quilombo dos Palmares<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Companhia Editora Nacional, 1958.<\/p>\n\n\n\n<p>THORTON, John K.. Elite women in the Kingdom of Kongo: historical perspectives on women&#8217;s political power. <strong>The Journal of African History<\/strong>, v. 47, n. 3, p. 437-460,&nbsp; 2006.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>THORTON, John K.. Les \u00e9tats de l&#8217;Angola et la formation de Palmares. <strong>Annales. Histoire, Sciences Sociales<\/strong>, ano 63, n. 4,&nbsp; p. 769-797, 2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Personagem semi-lend&aacute;ria da hist&oacute;ria do Quilombo dos Palmares. 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