{"id":2081,"date":"2020-07-02T00:04:12","date_gmt":"2020-07-02T00:04:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=2081"},"modified":"2021-01-28T13:25:18","modified_gmt":"2021-01-28T13:25:18","slug":"luiza-mahin-seculo-xix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/luiza-mahin-seculo-xix\/","title":{"rendered":"Luiza Mahin (s\u00e9culo XIX)"},"content":{"rendered":"\n<p>Nasceu em data incerta no Golfo da Guin\u00e9, em uma comunidade dos povos Mahi &#8211; tamb\u00e9m referenciados como Marrim, Maki, Makim ou Maquim. Este povo falante de l\u00edngua gb\u00e9 mesclada ao yoruba, cuja principal organiza\u00e7\u00e3o estatal era o pequeno reino de Savalu, rendia tributo ao estado de Oy\u00f3 e era uma presa preferencial dos ca\u00e7adores de escravos do reino de Daom\u00e9, e, junto com os povos de Qu\u00eato, Sabe e Idaisa, esteve na origem de milhares de pessoas transportadas em cativeiro para o Novo Mundo. Em 1823 a cidade mahi de Kpaloko foi atacada e invadida pelo rei Ghezo do Daom\u00e9, que em 1840 ocupou definitivamente o seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi este o contexto de aprisionamento de uma cativa cuja exist\u00eancia hist\u00f3rica encontra-se envolvida pela lenda. Na carta escrita a L\u00facio de Mendon\u00e7a (1880), seu filho, Luiz Gama, diz que Luiza, de na\u00e7\u00e3o Nag\u00f4, era da Costa da Mina, uma africana livre, que sempre recusou o batismo crist\u00e3o, pag\u00e3, uma quitandeira de esp\u00edrito livre e rebelde, envolvida na revolta dos Mal\u00eas de 1835 e da Sabinada de 1837 na Bahia, depois estabelecida (por, ou contra a sua vontade) no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O filho diz que a procurara, em v\u00e3o, nos anos de 1847, 1856 e 1861, e que a \u00faltima not\u00edcia que tivera dela era que anos antes vivia entre \u201cmalungueiros\u201d, isto \u00e9, grupos de companheiragem de escravos, metida em atividades conden\u00e1veis pela lei da \u00e9poca. Sobre o seu aspecto e \u00edndole, afirma: \u201cMinha m\u00e3e era baixa de estatura, magra, bonita, a cor era de um preto retinto e sem lustro, tinha os dentes alv\u00edssimos como a neve, era muito altiva, generosa, insofrida e vingativa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouqu\u00edssimos(as) pesquisadores(as) que estudaram os movimentos sociais de que Luiza Mahin participou atestam sua exist\u00eancia devido a aus\u00eancia de registros hist\u00f3ricos, exce\u00e7\u00e3o a Arthur Ramos (1956) e Jos\u00e9 Hon\u00f3rio Rodrigues (1961). O historiador Pedro Calmon a idealizou como a rainha que liderou o movimento dos Mal\u00eas em seu romance intitulado <em>Mal\u00eas, a insurrei\u00e7\u00e3o das senzalas<\/em> (1933) e Ana Maria Gon\u00e7alves inspirou nela a protagonista Kehinde, uma princesa sequestrada ainda crian\u00e7a na Guin\u00e9 e escravizada no Brasil, no romance <em>Um defeito de cor<\/em> (2006). &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como quer que tenha sido, Luiza Mahin \u00e9 lembrada na cultura negra brasileira como exemplo de resist\u00eancia e determina\u00e7\u00e3o, sendo homenageada em m\u00fasicas, poemas e na literatura de cordel. Em 2002 sua hist\u00f3ria foi retratada pelo bloco afro Il\u00ea Aiy\u00ea, no carnaval de Salvador, o mesmo tendo ocorrido na homenagem que lhe foi feita pelos carnavalescos da Escola de Samba Mangueira, no samba-enredo Hist\u00f3rias para ninar gente grande, com os her\u00f3is e hero\u00ednas populares que a hist\u00f3ria n\u00e3o conta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>GON\u00c7ALVES, Aline Najara da Silva. <strong>Luiza Mahin<\/strong>: uma rainha africana no Brasil. Rio de Janeiro : CEAP, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>LIMA, Dulcilei da Concei\u00e7\u00e3o. <strong>Desvendando Lu\u00edza Mahin<\/strong>: um mito libert\u00e1rio no cerne do feminismo negro. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o, Arte e Hist\u00f3ria da Cultura), Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2011. SILVA, Ana Maria Vieira. Um defeito de cor: escritas da mem\u00f3ria, marcas da hist\u00f3ria. <strong>Anais do Siliafro<\/strong>, n. 1, 2012: <a href=\"http:\/\/www.ileel.ufu.br\/anaisdosiliafro\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/artigo_SILIAFRO_4.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.ileel.ufu.br\/anaisdosiliafro\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/artigo_SILIAFRO_4.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nasceu em data incerta no Golfo da Guin&eacute;, em uma comunidade dos povos Mahi &ndash; tamb&eacute;m referenciados como Marrim, Maki, Makim ou Maquim. 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