{"id":2241,"date":"2020-07-03T00:08:37","date_gmt":"2020-07-03T00:08:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=2241"},"modified":"2021-01-28T12:22:58","modified_gmt":"2021-01-28T12:22:58","slug":"ahebi-ugbabe-1880-1948","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/ahebi-ugbabe-1880-1948\/","title":{"rendered":"Ahebi Ugbabe (1880\u20131948)"},"content":{"rendered":"\n<p>Nascida na comunidade de Umuida, em Enugu-Ezide, na \u00e1rea cultura igbo, atual Nig\u00e9ria, era filha de pai agricultor e m\u00e3e comerciante.<\/p>\n\n\n\n<p>Cresceu em Unadu, com a fam\u00edlia da m\u00e3e. Integrante de comunidades ac\u00e9falas, em que as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas por conselhos de anci\u00e3os ou por sacerdotes que representam as divindades ancestrais, quando tinha cerca de 14-15 anos foi obrigada a abandonar a comunidade familiar e fugir para n\u00e3o ser casada \u00e0 for\u00e7a com a divindade feminina Ohe, para compensar uma infra\u00e7\u00e3o cometida pelo pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a&nbsp; fuga em territ\u00f3rio Igala, Ahebi praticou a prostitui\u00e7\u00e3o para sobreviver, e se tornou negociante, comercializando \u00f3leo de palma, cavalos e mesmo escravos, aprendeu a falar v\u00e1rios idiomas, como o Igala, Nupe e Ingl\u00eas, e teve acesso a diversos c\u00edrculos sociais, inclusive o dos colonizadores brit\u00e2nicos. Foi com o recurso a tais contatos, e os seus conhecimentos da l\u00edngua inglesa,&nbsp; que ela conseguiu, com o apoio de um oficial brit\u00e2nico retornar \u00e0 comunidade Enugu-Ezize e reivindicar para si o mandato de chefe e depois o t\u00edtulo de eze, equivalente a rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Ahebi foi a \u00fanica mulher nomeada subtenente em toda a Nig\u00e9ria colonial, o que lhe conferiu ainda maior prest\u00edgio junto aos colonizadores, e serviu de intermedi\u00e1ria no recolhimento de tributos e na imposi\u00e7\u00e3o de trabalho for\u00e7ado. Ela soube se cercar de uma aura de misticismo para fortalecer sua imagem como um rei poderoso, pois governou como homem: teve v\u00e1rias esposas, muitas das quais separadas de maridos abusivos, e adotou os filhos delas.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de morrer preparou o pr\u00f3prio ritual funer\u00e1rio para garantir que obedecesse as normas de um&nbsp; funeral real, com salvas de tiros, sacrif\u00edcios de animais e parada musical, e foi sepultada de acordo com os costumes locais destinados ao enterro de pessoas do sexo masculino.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ACHEBEchebe, Nwando.&nbsp;<strong>The female king of colonial Nigeria<\/strong>: Ahebi Ugbabe. Bloomington: Indiana University Press, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>ACHEBE, Nwando.&nbsp; \u201cAnd she became a man\u201d: King Ahebi Ugbabe in the history of Enugu-Ezike northern Igboland, 1880-1948. In: LINDSAY, Lisa; MIESCHER, Stephen (Ed.). <strong>&nbsp;Men and Masculinities in Modern Africa<\/strong><em>.<\/em> Portsmouth: Heinemann, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>CHUKU, Gloria. <strong>Igbo women and economic transformation in southeastern Nigeria, 1900-1960<\/strong>. New York: Routledge, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>CHUKU, Gloria. \u201cAhebi Ugbabe\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 94-95.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascida na comunidade de Umuida, em Enugu-Ezide, na &aacute;rea cultura igbo, atual Nig&eacute;ria, era filha de pai agricultor e m&atilde;e comerciante. Cresceu em Unadu, com a fam&iacute;lia da m&atilde;e. 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