{"id":2253,"date":"2020-07-03T00:55:40","date_gmt":"2020-07-03T00:55:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=2253"},"modified":"2021-01-28T13:51:23","modified_gmt":"2021-01-28T13:51:23","slug":"rosa-de-carvalho-alvarenga-c-1780-c-1865","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/rosa-de-carvalho-alvarenga-c-1780-c-1865\/","title":{"rendered":"Rosa de Carvalho Alvarenga (c. 1780 \u2013 c. 1865)"},"content":{"rendered":"\n<p>Tamb\u00e9m conhecida como Dona Rosa ou Nh\u00e1 Rosa. Nasceu na cidade de Cacheu, &nbsp;na costa da Alta Guin\u00e9, &nbsp;atual Guin\u00e9-Bissau, em uma fam\u00edlia de origem cabo-verdiana, vinculada ao cristianismo, que dominava o com\u00e9rcio ribeirinho ao longo dos rios de Cacheu e de Casamance, as principais sa\u00eddas para exporta\u00e7\u00e3o de escravizados, marfim, cera de abelha e couro cru.<\/p>\n\n\n\n<p>Casou-se, efetivando uma vantajosa alian\u00e7a comercial, com Jo\u00e3o Pereira Barreto, alto oficial da Capitania de Cacheu, e com isso lan\u00e7ou a base para empreendimentos comerciais pr\u00f3speros, operando atrav\u00e9s de uma rede de neg\u00f3cios ligava costa senegambiana a Santiago de Cabo Verde, Lisboa e o Maranh\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Rosa, como era conhecida, era muito habilidosa em manter rela\u00e7\u00f5es comerciais e afinidade com, chefes, dignat\u00e1rios e intermedi\u00e1rios pap\u00e9is, banhus e felupes, tendo acesso a&nbsp; fornecedores do interior dos rios. Com a morte do marido, em 1829, o filho de ambos, Hon\u00f3rio Pereira Barreto, retornou de Portugal, onde estudava, para a Guin\u00e9, a fim de dar seguimento aos neg\u00f3cios da fam\u00edlia com a m\u00e3e. A coopera\u00e7\u00e3o entre ambos expandiu suas transa\u00e7\u00f5es comerciais, permitindo o dom\u00ednio da regi\u00e3o de Cacheu a Zinguinchor at\u00e9 o final de 1850. Contrariando as determina\u00e7\u00f5es da Inglaterra, davam continuidade ao tr\u00e1fico de cativos para o Brasil e o Caribe.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na metade do s\u00e9culo XIX, a casa comercial de Dona Rosa ganhou um monop\u00f3lio virtual no que diz respeito as transa\u00e7\u00f5es no norte da regi\u00e3o, do que virou depois a Senegambia portuguesa. O censo de 1856 mostra que ela detinha a propriedade de fazendas onde se cultivavam arroz e algod\u00e3o com base na explora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra escrava, e que 15% dos(as) escravizados(as) de Cacheu pertenciam a ela e ao filho. A morte de Hon\u00f3rio em 1859 &#8211; &nbsp;na \u00e9poca ele era governador de Guin\u00e9 \u2013 contribuiu para o decl\u00ednio de suas opera\u00e7\u00f5es. Ela morreu alguns anos depois, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1860.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua trajet\u00f3ria exemplifica as possibilidades de mulher africana empreendedora e poderosa.&nbsp; A fam\u00edlia dos Barreto e Alvarenga continuou a integrar a elite guineense at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BROOKS, George E. <strong>Western Africa and Cabo Verde, 1790s-1830s<\/strong>: symbiosis of slave and legitimate trades. Bloomington: Author House, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>HAVIK, Philip J. <strong>Silences and soundbytes<\/strong>: the gendered dynamics of trade and brokerage in the pre-colonial Guinea-Bissau region. Munster: LIT Verlag, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>HAVIK, Philip. \u201cRosa de Carvalho Alvarenga\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 2, &nbsp;p. 38-39.<\/p>\n\n\n\n<p>MOTA, Avelino Teixeira da. <strong>Um luso-africano<\/strong>: Hon\u00f3rio Pereira Barreto. Lisboa: Sociedade de Geografia de Lisboa, 1959.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tamb&eacute;m conhecida como Dona Rosa ou Nh&aacute; Rosa. 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