{"id":2380,"date":"2020-07-03T19:56:09","date_gmt":"2020-07-03T19:56:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=2380"},"modified":"2021-03-07T22:19:24","modified_gmt":"2021-03-07T22:19:24","slug":"nawal-el-saadawi-1931","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/nawal-el-saadawi-1931\/","title":{"rendered":"Nawal el Saadawi (1931)"},"content":{"rendered":"\n<p>Feminista eg\u00edpcia, escritora, &nbsp;m\u00e9dica e ativista pol\u00edtica.&nbsp; Nasceu na aldeia de Kafr Tahla, perto do Cairo, de uma fam\u00edlia de altos servidores do Estado. Estudou em escola para meninas de Alexandria e depois no distrito de Menouf, no Delta do Nilo, onde frequentou uma escola inglesa, embora a fam\u00edlia demonstrasse sua posi\u00e7\u00e3o anti-colonial. Completou os estudos na escola secund\u00e1ria para meninas Nabeweya Moussa e tornou-se pensionista na Escola Secund\u00e1ria Helwan para Meninas, onde se especializou em Ci\u00eancias (1945).<\/p>\n\n\n\n<p>Mudando-se com a fam\u00edlia para Giz\u00e9, Nawal estudou como bolsista na renomada Escola de Medicina Kasr Alainy da Universidade do Cairo (1949-1954) per\u00edodo em que come\u00e7ou a redigir os seus primeiros escritos para o teatro, para revistas estudantis&nbsp; e tamb\u00e9m ingressou na luta anti-colonial, envolvendo-se com o l\u00edder estudantil revolucion\u00e1rio Ahmed Helmy (1951), com quem teve uma filha, Mona. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a formatura, trabalhou como m\u00e9dica residente no Hospital Universit\u00e1rio de Kasr Alainy, em centros de sa\u00fade e em 1958 passou a integrar o Departamento de Doen\u00e7as Tor\u00e1cicas no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Cairo e Giz\u00e9. Depois montou uma cl\u00ednica e envolveu-se em duas rela\u00e7\u00f5es conjugais, at\u00e9 o terceiro casamento, com Sherif Hetata (1964). Enquanto isso, realizou Mestrado em sa\u00fade p\u00fablica na Universidade de Columbia, serviu como secret\u00e1ria-geral adjunto da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica do Egito e foi editora de sua revista (1968-1974).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1972, os coment\u00e1rios de Nawal sobre as dimens\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas da situa\u00e7\u00e3o das mulheres em seu primeiro trabalho de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, <em>Woman and sex<\/em> (A mulher e o sexo) (1969), levaram a sua demiss\u00e3o dos cargos p\u00fablicos que ocupava. Ela deu continuidade \u00e0s pesquisas sobre mulheres e neurose na Universidade Aim Shams, no Cairo, que inspirou seu romance mais conhecido, <em>Woman at point zero<\/em> (Mulher ao ponto zero) (1973)&nbsp; sobre uma prostituta condenada por assassinato. Deste envolvimento com a literatura veio o seu v\u00ednculo com a Egyptian Women Writers Association (Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Escritoras Eg\u00edpcias) (1971), que ajudou a fundar. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 1970 ela se tornou chefe do Programa das Mulheres das Na\u00e7\u00f5es Unidas na \u00c1frica e ganhou renome internacional como feminista com a publica\u00e7\u00e3o de <em>The hidden face of Eve<\/em> (A face oculta de Eva) (1977), em que denuncia a situa\u00e7\u00e3o das mulheres mundo \u00e1rabe com um contundente relato sobre a pr\u00e1tica da mutila\u00e7\u00e3o genital da qual ela pr\u00f3pria foi v\u00edtima aos seis anos. Em 1981, foi presa por criticar abertamente o regime do presidente Anuar Sadat, sendo libertada ap\u00f3s o assassinato dele em 1981. No ano seguinte, fundou a Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Solid\u00e1rias \u00c1rabes, destinada a promover a participa\u00e7\u00e3o ativa das mulheres \u00e1rabes em todas as \u00e1reas da vida social. Em 1992, foi colocada sob &nbsp;&#8220;prote\u00e7\u00e3o&#8221; do governo contra sua vontade, e saiu do pa\u00eds. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voltou ao Cairo, deu continuidade \u00e0 luta contra o conservadorismo eg\u00edpcio, sendo acusada de insultar o isl\u00e3 e amea\u00e7ada de pris\u00e3o em 2001, 2007 e 2008. Uma de suas pe\u00e7as teatrais, <em>God resigns<\/em> <em>at the summit meetings<\/em> (Deus renuncia nas reuni\u00f5es de c\u00fapula) (2006) levou a que ela fosse julgada por apostasia e heresia pelas altas autoridades religiosas da Universidade de Al Azhar (2008), e a obra&nbsp; continua proibida no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>El Saadawi sempre retorna ao Egito e n\u00e3o se furta a debater os assuntos mais delicados. Seus muitos romances, mem\u00f3rias e ensaios lidam com a repress\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica, o fanatismo religioso e a opress\u00e3o das mulheres e pr\u00e1ticas mis\u00f3ginas, como a excis\u00e3o genital feminina. Hoje, ela se v\u00ea principalmente como romancista, mas permanece politicamente ativa, como quando usou sua candidatura nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2005 para expor a superficialidade da democracia do Egito. &nbsp;Em 2011, se juntou \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es contra o governo do presidente Hosni Mubarak na Pra\u00e7a Tahrir, no Cairo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, seus livros se tornaram dispon\u00edveis em v\u00e1rios idiomas, e ela recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios e doutorados honor\u00e1rios em reconhecimento ao seu ativismo e sua obra. Tem sido convidada como professora visitante em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas nos Estados Unidos e na Europa e \u00e9 uma conferencista regular e apaixonada em eventos p\u00fablicos e confer\u00eancias acad\u00eamicas em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BEKERS, Elisabeth. Nawal El Saadawi\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 293-295.<\/p>\n\n\n\n<p>EMMENYONU, Ernest N.; MAUREEN, N.. <strong>Emerging critical\u00a0 perspectives on Nawal el Sadawi<\/strong>. Trenton; Asmara: Africa World Press, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>LUZ, Fl\u00e1via Abud. Entre mem\u00f3ria e ativismo pol\u00edtico: contribui\u00e7\u00f5es de Nawal el Saadawi para o feminismo eg\u00edpcio e transnacional. <strong>Malala <\/strong>(USP), v. 8, n. 20, 2020: <a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/malala\/article\/view\/161802\">https:\/\/www.revistas.usp.br\/malala\/article\/view\/161802<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>SAADAWI, Nawal. <strong>A daughter of Isis: the autobiography of Nawal el Saadawi<\/strong>. Londres:&nbsp; Zed Books, 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Feminista eg&iacute;pcia, escritora, &nbsp;m&eacute;dica e ativista pol&iacute;tica.&nbsp; Nasceu na aldeia de Kafr Tahla, perto do Cairo, de uma fam&iacute;lia de altos servidores do Estado. Estudou em escola para meninas de Alexandria e depois no distrito de Menouf, no Delta do Nilo, onde frequentou uma escola inglesa, embora a fam&iacute;lia demonstrasse sua posi&ccedil;&atilde;o anti-colonial. 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