{"id":2410,"date":"2020-07-03T20:46:31","date_gmt":"2020-07-03T20:46:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=2410"},"modified":"2021-01-28T14:13:30","modified_gmt":"2021-01-28T14:13:30","slug":"zaynab-fawwaz-c-1850-1914","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/zaynab-fawwaz-c-1850-1914\/","title":{"rendered":"Zaynab Fawwaz (c. 1850\u20131914)"},"content":{"rendered":"\n<p>Romancista libanesa-eg\u00edpcia, bi\u00f3grafa e primeira escritora sobre pol\u00edtica de g\u00eanero e reforma no Egito. &nbsp;Nasceu na cidade de Tibnin, no sul do L\u00edbano, em uma fam\u00edlia simples sobre o qual sabe-se pouco.&nbsp; Ao que parece, fez parte da casa&nbsp; de Ali Bek al-As&#8217;ad, um poderoso governante local. Foi a esposa deste, chamada Fatimah bint As \u2018ad al-Khalil, que escrevia poesia e tinha consider\u00e1vel educa\u00e7\u00e3o religiosa, que parece ter ensinado Zaynab a ler e a escrever.<\/p>\n\n\n\n<p>As fontes discordam sobre a trajet\u00f3ria precisa da juventude de Zaynab Fawwaz. N\u00e3o h\u00e1 certeza sobre seu casamento, nem sobre quando e porque ela se mudou para o Cairo, talvez atrav\u00e9s de Beirute ou de Alexandria. &nbsp;O certo \u00e9 que, no Egito, ela come\u00e7ou a trabalhar com o editor liter\u00e1rio de pol\u00edmeros e jornais, Hasan Husni Pasha al-Tuwayrani (c1849- c.1896). Seu jornal, <em>al-Nil <\/em>(O Nilo), publicou muitos dos mais conhecidos e pol\u00eamicos ensaios de Fawwaz nos anos de 1890.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta foi a d\u00e9cada em que as reivindica\u00e7\u00f5es pela educa\u00e7\u00e3o das meninas e pelos direitos das mulheres se confundiu&nbsp; com o pensamento e ativismo nacionalista ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica do Egito (1882). O nome mais associado a esse debate \u00e9 o do advogado Qasim Amin, cujo tratado de 1899 <em>Tahrir al-mar\u2019ah <\/em>(A Liberta\u00e7\u00e3o da Mulher) criou um furor, especialmente em virtude de quest\u00f5es com a segrega\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e a cobertura corporal, gerando muitas cr\u00edticas em livros e ensaios escritos por homens inconformados. No entanto, &nbsp;naquela d\u00e9cada uma pequena elite de mulheres emergiu e manifestou por escrito suas reivindica\u00e7\u00f5es, algumas delas a partir de uma perspectiva ocidental e crist\u00e3, e outras, como Fawwaz, a partir de uma perspectiva isl\u00e2mica \u2013 e ainda mais, calcada na tradi\u00e7\u00e3o do xiismo, o que era bastante incomum no Egito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela foi provavelmente a mais prol\u00edfica dessa gera\u00e7\u00e3o de mulheres escritoras. Escreveu o romance <em>Husn al- \u2018awaqib aw Ghadat al-Zahirah <\/em>(Boas consequ\u00eancias, ou a Donzela de al-Zahirah), &nbsp;uma pe\u00e7a de teatro <em>al-Hawa wa\u2019l-wafa\u2019 <\/em>(Amor e Fidelidade) &#8211; que provavelmente nunca foi encenada. Sua grande obra foi o dicion\u00e1rio biogr\u00e1fico de mulheres do mundo, <em>al-Durr al-manthur fi tabaqat rabbat al-khudur <\/em>(P\u00e9rolas espalhadas entre as classes de senhoras enclausuradas) (1894), em que apresenta vidas de mais de quinhentas mulheres, de poetisas da Ar\u00e1bia pr\u00e9-isl\u00e2mica a renomadas mulheres da Gr\u00e9cia e P\u00e9rsia Cl\u00e1ssica, da realeza na Europa Medieval, escritoras, cientistas, artistas, governantes e educadoras de seu pr\u00f3prio tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por volta de 1905, quando a sua cole\u00e7\u00e3o de ensaios jornal\u00edsticos e alguns poemas foram publicados no <em>al-Rasa\u2019il al-Zaynabiyyah <\/em>(As ep\u00edstolas de Zaynab), parece que ela j\u00e1 n\u00e3o estava mais publicando imprensa peri\u00f3dica, embora seu segundo romance tenha sa\u00eddo no mesmo ano, e \u00e9 dito que ela escreveu pelo menos mais dois trabalhos que nunca foram publicados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua pr\u00f3pria vida, Fawwaz tra\u00e7ou um caminho notavelmente independente: o seu casamento com o escritor s\u00edrio e funcion\u00e1rio p\u00fablico otomano Adib Nazmi al-Dimashqi (c.1840- c.1915) n\u00e3o durou muito devido ao fato dele ser pol\u00edgamo e de t\u00ea-la&nbsp; mantido em isolamento em uma propriedade rural s\u00edria sem os jornais eg\u00edpcios. &nbsp;Manteve correspond\u00eancia com Berthe Honor\u00e9 Palmer, em Chicago, e pretendeu que o seu dicion\u00e1rio de mulheres viesse a integrar a&nbsp; Biblioteca de Mulheres na Exposi\u00e7\u00e3o Universal de Chicago de 1893.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BOOTH, Marilyn. Exemplary lives, feminist aspirations: Zaynab Fawwaz and arabic biographical tradition. <strong>Journal of Arabic Literature<\/strong>, v. 26, n. 1-2,&nbsp; p. 120-146, 1995. <\/p>\n\n\n\n<p>BOOTH, Marilyn. &#8220;Zaynab Fawwaz\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 365-366.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Romancista libanesa-eg&iacute;pcia, bi&oacute;grafa e primeira escritora sobre pol&iacute;tica de g&ecirc;nero e reforma no Egito. &nbsp;Nasceu na cidade de Tibnin, no sul do L&iacute;bano, em uma fam&iacute;lia simples sobre o qual sabe-se pouco.&nbsp; Ao que parece, fez parte da casa&nbsp; de Ali Bek al-As&rsquo;ad, um poderoso governante local. 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