{"id":2453,"date":"2020-07-03T23:17:16","date_gmt":"2020-07-03T23:17:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=2453"},"modified":"2021-01-28T13:15:01","modified_gmt":"2021-01-28T13:15:01","slug":"gudit-seculo-x","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/gudit-seculo-x\/","title":{"rendered":"Gudit (s\u00e9culo X)"},"content":{"rendered":"\n<p>Tamb\u00e9m referenciada com os nomes de Yuit ou Judith, ou ent\u00e3o pelo seu nome pr\u00f3prio et\u00edope, <em>Esato<\/em> (Fogo), foi uma rainha abissis\u00ednia legend\u00e1ria que, segundo consta, teria invadido Axum com seu ex\u00e9rcito, queimado e saqueado a cidade, e tomando para si o trono, o que teria posto fim ao poderio axumita. Ela tamb\u00e9m \u00e9 tida por vezes como a fundadora da dinastia Zagwe.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito da lenda de Gudit prov\u00e9m de uma cr\u00f4nica composta no s\u00e9culo XV por Tekla Haimanot que re\u00fane fragmentos e compila\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios estabelecimentos mon\u00e1sticos.&nbsp; Segundo esta cr\u00f4nica, Gudit teria sido uma princesa pertencente a uma fam\u00edlia real de Hahayle, no planalto do Tigr\u00e9. Devido a uma intriga, acabou banida da corte e se tornado uma prostituta em Axum. Acusada pela sedu\u00e7\u00e3o de um religioso, teria sido punida com a amputa\u00e7\u00e3o de um seio e com o banimento. Acolhida do outro lado do Mar Vermelho pelo pr\u00edncipe s\u00edrio&nbsp; Zenobis, com quem se casou, ela teria se convertido ao juda\u00edsmo. Por meio de espi\u00f5es, foi informada sobre quando o rei de Axum, Degnaia, deixou o pa\u00eds com o ex\u00e9rcito para ir \u00e0 Ar\u00e1bia e encontrou a oportunidade para concretizar sua vingan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com as mesmas tradi\u00e7\u00f5es inseridas nas cr\u00f4nicas,&nbsp; Gudit liderou seu ex\u00e9rcito por Massawa e fez uma parada em Dohono, de onde  enviou uma mensagem \u00e0 terra de sua m\u00e3e pedindo ao povo que se juntasse a ela. Quando conquistou Axum, queimou a igreja de Santa Maria de Zion, o pal\u00e1cio do rei e v\u00e1rios outros edif\u00edcios crist\u00e3os. Depois disso, reinou por quatro anos e quando morreu, Anbesa Wedem, filho de Degnajan, a sucedeu no trono.<\/p>\n\n\n\n<p>A lenda de Gudit pode ter parcialmente fundamento hist\u00f3rico. Algumas outras fontes escritas sugerem que por volta de 970&nbsp; Axum teria sido conquistada por uma rainha, cujo nome permanece aberto a debate, e alguns afirmam ter sido Gudit. Tamb\u00e9m na cr\u00f4nica intitulada Hist\u00f3ria dos Patriarcas de Alexandria \u00e9 dito que o rei n\u00fabio&nbsp; chamado Girgis (Jorge), contempor\u00e2neo do patriarca&nbsp; Philotheus, teria pedido socorro aos crist\u00e3os do Egito pois seu reino teria sido devastado&nbsp; por Bani al-Hamwiyah, uma rainha que teria se levantado contra ele. Outra vers\u00e3o ainda contada no s\u00e9culo XVIII, recolhida pelo explorador escoc\u00eas James Bruce em 1770, afirma que ela teria sido uma governanta judia do povo Falacha, os judeus negros da Eti\u00f3pia. Certos historiadores, como o italiano Conti Rossini, presumem que ela pudesse provir do povo Sidamo, residente no reino de Damot, enquanto outros, como Steven Kaplan, afirmam que ela teria sido uma rainha pag\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a tantas evid\u00eancias e hip\u00f3teses conflitantes, a figura hist\u00f3rica de Gudit deve ser apenas presumida. \u00c9 muito dif\u00edcil estabelecer com precis\u00e3o os fatos e informa\u00e7\u00f5es sobre a vida e os feitos desta rainha devido a inconsist\u00eancia das fontes, o que dificultada a sua caracteriza\u00e7\u00e3o seja como uma rainha crist\u00e3 rebelde, seja como uma governanta judia ou mesmo uma governanta pag\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ANDERSEN, Knud Tage. The queen of the Habasha in Ethiopian history, Tradition and chronology. <strong>Bulletin of the School of Oriental and African Studies<\/strong>, v. 63, n. 1, p.&nbsp; 31-36, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>AUGUSTYNIAK, Zuzanna. \u201cGudit\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 511-512.<\/p>\n\n\n\n<p>SELASSIE, Sergew Hable. The Problem of Gudit. <strong>Journal of Ethiopian Studies<\/strong>, v. 10, n. 1,&nbsp; p. 113-124, 1972.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tamb&eacute;m referenciada com os nomes de Yuit ou Judith, ou ent&atilde;o pelo seu nome pr&oacute;prio et&iacute;ope, Esato (Fogo), foi uma rainha abissis&iacute;nia legend&aacute;ria que, segundo consta, teria invadido Axum com seu ex&eacute;rcito, queimado e saqueado a cidade, e tomando para si o trono, o que teria posto fim ao poderio axumita. 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