{"id":2582,"date":"2020-07-12T19:23:17","date_gmt":"2020-07-12T19:23:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=2582"},"modified":"2021-01-28T12:32:31","modified_gmt":"2021-01-28T12:32:31","slug":"ana-afonso-de-leao-1625-1710","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/ana-afonso-de-leao-1625-1710\/","title":{"rendered":"Ana Afonso de Le\u00e3o (1625-1710?)"},"content":{"rendered":"\n<p>Princesa e rainha congolesa com influente atua\u00e7\u00e3o na segunda metade o s\u00e9culo XVII nas atuais Rep\u00fablica Popular de Angola e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Era irm\u00e3 do rei Garcia II (+ 1661), de onde o t\u00edtulo de princesa, e esposa de Afonso II, que governou temporariamente o Congo, o que lhe conferiu o t\u00edtulo de rainha. Pertencia \u00e0 fac\u00e7\u00e3o ou linhagem real (<em>makanda<\/em>) &nbsp;de Kinlaza, que no per\u00edodo das guerras civis disputou o controle do Congo com a linhagem de Kimpanzu.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a derrota congolesa frente aos portugueses na Batalha de Mbuila (1665), na qual Ant\u00f4nio I morreu em combate, Afonso II autoproclamou-se <em>manicongo<\/em> (rei do Congo) e assumiu a posi\u00e7\u00e3o real. Cerca de um m\u00eas depois ele foi for\u00e7ado a abandonar a cidade palatina de S\u00e3o Salvador (Mbanza Kongo), refugiando-se com Ana Afonso de Le\u00e3o em Ambriz, onde viveram at\u00e9 1669 \u2013 data em que morreu. Sua consorte real daria continuidade ao governo, tendo autoridade direta sobre as regi\u00f5es de Nkondo, Mbamba e Mpemba, por\u00e9m sem nunca ter conseguido recuperar a capital.<\/p>\n\n\n\n<p>A influ\u00eancia pol\u00edtica de Ana de Le\u00e3o confirma o poder da elite feminina do Congo desde o princ\u00edpio do s\u00e9culo XVI. Indo al\u00e9m de outras consortes reais ou parentes de alta linhagem, cuja atua\u00e7\u00e3o ocorria de modo indireto, por influ\u00eancia pessoal, ou nos bastidores. Ela assumiu o t\u00edtulo de Mwene Nlaza, tornando-se oficialmente chefe de linhagem e governanta reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Estabelecendo a sua base de governo nas proximidades do rio Mbidizi, e depois em Mbanza Nkondo, ela &nbsp;fez oposi\u00e7\u00e3o ao <em>manicongo <\/em>Rafael I (+ 1673), que havia se aliado aos portugueses para garantir sua posi\u00e7\u00e3o no trono. Ela apoiou as pretens\u00f5es do <em>manicongo<\/em> Jo\u00e3o II, em 1691, resistiu vitoriosamente aos ataque do <em>manicongo<\/em> Manuel I e em 1696 teve destacada atua\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica que garantiu a ascens\u00e3o de Pedro IV como soberano. Esteve entre as lideran\u00e7as que assinaram o tratado de paz no Monte Kibangu, em 1700, que lan\u00e7ou as bases para a reunifica\u00e7\u00e3o do reino.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente aos eventos p\u00fablicos de que participou, a &#8220;Rainha-Velha&#8221;, como ficou conhecida, gozava de boa reputa\u00e7\u00e3o como crist\u00e3 cat\u00f3lica devota junto aos frades capuchinhos que atuavam no reino, e algumas informa\u00e7\u00f5es sugerem que no fim da vida ela tenha adotada o h\u00e1bito religioso de freira. A data exata e as circunst\u00e2ncias de sua morte s\u00e3o desconhecidas. Ao que parece, o falecimento teria ocorrido antes da d\u00e9cada de 1710.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CAMPOS, Fernando. O rei D. Pedro IV Ne Nsamu a Mbemba e a unidade do Congo. <strong>\u00c1frica<\/strong>: Revista do Centro de Estudos Africanos, v. 18-19, n. 1, p. 159-199, 1995\/1996. <\/p>\n\n\n\n<p>THORTON, John K. Elite women in the Kingdom of Kongo: historical perspectives on women&#8217;s political power. <strong>The Journal of African History<\/strong>, v. 47, n. 3, p. 437-460,&nbsp; 2006.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Princesa e rainha congolesa com influente atua&ccedil;&atilde;o na segunda metade o s&eacute;culo XVII nas atuais Rep&uacute;blica Popular de Angola e Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo. 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