{"id":625,"date":"2020-06-23T02:43:00","date_gmt":"2020-06-23T02:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=625"},"modified":"2021-01-28T12:44:49","modified_gmt":"2021-01-28T12:44:49","slug":"thiam-awa-1950","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/thiam-awa-1950\/","title":{"rendered":"Awa Thiam (1950)"},"content":{"rendered":"\n<p>Destacada intelectual, pesquisadora e ativista senegalesa em defesa dos direitos das mulheres na \u00c1frica, \u00e9 um nome importante entre as feministas africanas. Realizou sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica na Fran\u00e7a, onde cursou dois doutorados, um em antropologia cultural na Universidade de Paris VIII, e outro em filosofia na Universidade Pantheon-Sorbonne Paris I. Durante este tempo, foi membro da <em>Coordination des Femmes Noires<\/em> (Coordena\u00e7\u00e3o das Mulheres Negras), um dos primeiros grupos de feministas negras na Fran\u00e7a. De retorno ao Senegal, passou a atuar como Assistente de Pesquisa na Universidade de Dakar Cheikh Anta Diop \u2013 UCAD. Em 1987 ela prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o, nesta universidade, de um departamento de antropologia das rela\u00e7\u00f5es sexuais, mas a iniciativa n\u00e3o foi aprovada. <strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como pesquisadora e escritora, sua obra de maior impacto foi <em>La parole aux n\u00e9gresses<\/em> (A palavra das negras), publicada em 1978 e logo depois traduzido ao ingl\u00eas com o t\u00edtulo <em>Black sisters, speak out: feminism and opression in Black \u00c1frica <\/em>(As irm\u00e3s negras falam: feminismo e opress\u00e3o na \u00c1frica Negra). O livro, um dos primeiros do g\u00eanero, apresenta os resultados de entrevistas com mulheres sobreviventes de viol\u00eancia f\u00edsica e sexual, onde \u00e9 feita a den\u00fancia aberta da poligamia, do dote e sobretudo da mutila\u00e7\u00e3o genital feminina. E reivindica mudan\u00e7as na estrutura da sociedade que \u00e9 eminentemente patriarcal. Outras obras de sua autoria, como <em>Continents noirs<\/em> (Continentes negros) (1987), <em>Woman\u2019s struggle for the abolition of sexual mutilation<\/em> (A luta das mulheres pela aboli\u00e7\u00e3o da mutila\u00e7\u00e3o genital) (1998), aprofundam temas como a liberdade, igualdade e a busca pela liberta\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n\n\n\n<p>Em busca de espa\u00e7os para a voz das mulheres africanas, Awa Thiam posiciona-se criticamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s iniciativas de feministas ocidentais (brancas), por tentarem intervir e ajudar as mulheres africanas baseadas em crit\u00e9rios e julgamentos de valor que n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com a mentalidade e costumes das pessoas que integram as sociedades em quest\u00e3o. Para ela, as mulheres da \u00c1frica j\u00e1 sofreram o suficiente com atitudes coloniais ou neocoloniais como essas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora do campo acad\u00eamico, ela fundou em 1982 a Comiss\u00e3o para a Aboli\u00e7\u00e3o das Mutila\u00e7\u00f5es Sexuais (CAMS), que foi logo depois dissolvida, e recriada como CAMS-Internacional. Alguns anos mais tarde dirigiu o Centro Nacional de Assist\u00eancia e Treinamento da Mulher, \u00f3rg\u00e3o vinculado ao Minist\u00e9rio da Mulher e da Crian\u00e7a. Ela tamb\u00e9m foi Ministra da Sa\u00fade e A\u00e7\u00e3o Social e Presidente da Comiss\u00e3o de Sa\u00fade, Popula\u00e7\u00e3o, Assuntos Sociais e Solidariedade, e co-fundadora da Alian\u00e7a para uma Nova Cidadania em Dakar.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerada uma das maiores lideran\u00e7as feministas africanas na luta contra o costume da mutila\u00e7\u00e3o genital feminina, ela considera que tal pr\u00e1tica \u00e9 apenas um fino v\u00e9u que esconde o controle patriarcal, e declara: &nbsp;&#8220;o objetivo dessas pr\u00e1ticas, admitidas ou n\u00e3o, \u00e9 controlar a sexualidade feminina. Algumas n\u00e3o hesitam em dizer que o objetivo \u00e9 reduzir a hiper-sensualidade das mulheres. De qualquer forma, o resultado permanece o mesmo: fazer da jovem um elemento reprodutivo e produtivo futuro, da\u00ed sua vida ser ordenada e tra\u00e7ada para desde o nascimento at\u00e9 a morte por uma sociedade patriarcal que garante que ela seja mantida em seu lugar em todas as etapas de seu desenvolvimento\u201d (1998).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>THIAM, Awa. Women&#8217;s fight for the abolition of sexual mutilation.&nbsp;<strong>International Social Science Journal<\/strong>, v.&nbsp;<strong>50<\/strong>, n. 157,&nbsp; p. 381\u2013386, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>KONATE, Dior. \u201cAwa Thiam\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 12-13.<\/p>\n\n\n\n<p>MIANDA, Gertrude Mutonkoley. Reading Awa Thiam&#8217;s La parole aux N\u00e9gresses through the lens of feminisms and hegemony of english language. <strong>Atlantis<\/strong>: critical studies in gender, culture &amp; social justice, v. 36, n. 2, 2014:<em> <\/em><a href=\"https:\/\/journals.msvu.ca\/index.php\/atlantis\/article\/view\/1954\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/journals.msvu.ca\/index.php\/atlantis\/article\/view\/1954<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Destacada intelectual, pesquisadora e ativista senegalesa em defesa dos direitos das mulheres na &Aacute;frica, &eacute; um nome importante entre as feministas africanas. Realizou sua forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica na Fran&ccedil;a, onde cursou dois doutorados, um em antropologia cultural na Universidade de Paris VIII, e outro em filosofia na Universidade Pantheon-Sorbonne Paris I. 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