{"id":720,"date":"2020-06-23T19:31:42","date_gmt":"2020-06-23T19:31:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=720"},"modified":"2021-01-28T14:02:13","modified_gmt":"2021-01-28T14:02:13","slug":"williamson-sue-1941","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/williamson-sue-1941\/","title":{"rendered":"Sue Williamson (1941)"},"content":{"rendered":"\n<p>Artista pl\u00e1stica, escritora e ativista de direitos humanos, nasceu em Lichfield, Inglaterra, em 1941. Sua fam\u00edlia emigrou para a \u00c1frica do Sul em 1948, poucos meses antes de o Partido Nacionalista chegar ao poder. Criada no que era ent\u00e3o o Transvaal Ocidental, ela estudou jornalismo na Universidade de Natal (1969), obteve um diploma de Belas Artes na Art Students League de Nova York e um diploma de estudos avan\u00e7ados em Belas Artes pela Escola de Belas Artes Michaelis na Cidade do Cabo (1984). Sue Williamson adquiriu cidadania sul-africana em 1990, quando o regime do Apartheid chegou ao fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Como artista e ativista, ela se envolveu em organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos associadas ao movimento antiapartheid, e desenvolveu projetos que tinham por objetivo tornar vis\u00edveis as experi\u00eancias de pessoas e comunidades marginalizadas e racialmente discriminadas. Foi membro fundadora e presidenta do Movimento das Mulheres pela Paz, uma organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos da Frente Democr\u00e1tica Unida), e se envolveu diretamente na luta para impedir a demoli\u00e7\u00e3o de Crossroads, uma comunidade de posseiros das vizinhan\u00e7as da Cidade do Cabo. Paralelamente, no per\u00edodo de 1982-1987 criou uma s\u00e9rie de retratos que celebravam mulheres sul-africanas que contribu\u00edam para a luta contra o apartheid, em geral mantidas no anonimato Albertina Sisulu, Lilian Ng\u00f3i, Amina Cachalia, Mamphela Ramphele.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras obras, Sue Williamson deu visibilidade e conferiu valor est\u00e9tico \u00e0 vida de indiv\u00edduos e comunidades deslocadas e destru\u00eddas pelo Apartheid.&nbsp; Na obra A \u00daltima Ceia (1981), ela retratou a destrui\u00e7\u00e3o do Distrito Seis, uma comunidade hist\u00f3rica ocupada por grupos inter-raciais e inter-religiosos na Cidade do Cabo que foi demolida pelo estado. Ela reuniu escombros e objetos quebrados que foram deixados para tr\u00e1s e os apresentou em uma pilha no centro de uma galeria da Cidade do Cabo. A pe\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o foi acompanhada por uma grava\u00e7\u00e3o de som que inclu\u00eda declara\u00e7\u00f5es e mem\u00f3rias de antigos residentes, sons de escavadeiras destruindo casas e chamadas para a ora\u00e7\u00e3o da mesquita local.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de 1994, seu trabalho tratou dos dilemas e impasses no p\u00f3s-Apartheid, como o trauma revelado durante a Comiss\u00e3o da Verdade e Reconcilia\u00e7\u00e3o, na s\u00e9rie denominada <em>Truth Games<\/em> (Jogos da verdade) (1998), e a devasta\u00e7\u00e3o provocada pela AIDS, na s\u00e9rie <em>From the Inside<\/em> (De dentro) (2000-2002), e a escalada da xenofobia e restri\u00e7\u00f5es impostas aos imigrantes na s\u00e9rie <em>Better Lives<\/em> (Vidas melhores) (2003).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do trabalho como artista, Sue Williamson atua como cr\u00edtica de arte. Seu primeiro livro, <em>Resistance art in South Africa<\/em> (Arte da resist\u00eancia na \u00c1frica do Sul) (1989, reeditada em 2004), apresenta o perfil da obra de &nbsp;mais de 100 artistas que dedicaram seu trabalho ao campo de batalha pol\u00edtica durante do&nbsp; Apartheid, tanto alguns aclamados como muitos outros que at\u00e9 ent\u00e3o permaneciam no anonimato. O livro fornece um diagn\u00f3stico do quanto o regime segregacionista moldou o curso da arte contempor\u00e2nea na \u00c1frica do Sul. Por seu papel seminal na cr\u00edtica e consci\u00eancia art\u00edstica, seu nome passou a estar vinculado a importantes centros de debate, na funda\u00e7\u00e3o que leva o seu nome e na organiza\u00e7\u00e3o de artes da Cidade do Cabo <em>Public Eye<\/em> (1999).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ENWEZOR, Okwui; &nbsp;Chika, Okeke-Agulu. <strong>Contemporary african art since 1980<\/strong>.Bolonha: Damiani, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>MILLER, Kim. Trauma, testimony, and truth: contemporary south african artists speak. <strong>African Arts<\/strong>, v. 38, n.3, p. 40-51, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>MILLER, Kim. \u201cSue Williamson\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 173-174.<\/p>\n\n\n\n<p>WILLIAMSON,  Sue. <strong>Resistance art in South Africa<\/strong>. Cape &nbsp;Town: Double Storey Books, 1990.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artista pl&aacute;stica, escritora e ativista de direitos humanos, nasceu em Lichfield, Inglaterra, em 1941. Sua fam&iacute;lia emigrou para a &Aacute;frica do Sul em 1948, poucos meses antes de o Partido Nacionalista chegar ao poder. 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