{"id":833,"date":"2020-06-24T03:04:22","date_gmt":"2020-06-24T03:04:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=833"},"modified":"2021-01-22T20:01:10","modified_gmt":"2021-01-22T20:01:10","slug":"nike-monica-okundaye-1951","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/nike-monica-okundaye-1951\/","title":{"rendered":"Nike Monica Okundaye (1951)"},"content":{"rendered":"\n<p>Artista t\u00eaxtil e pintora nigeriana, nasceu em Ogidi-Ijumu, Estado de Kogi, na Nig\u00e9ria.&nbsp; Ela trabalha com adire, uma t\u00e9cnica tradicional de tecelagem desenvolvida pelas mulheres yoruba da Nig\u00e9ria. Sua bisav\u00f3, a yalode chamada Osadaun Ibitola, produzia tecidos adire e apresentou \u00e0 Nike essa arte tradicional. Tais conhecimentos s\u00e3o tradicionalmente femininos e fazem parte de suas responsabilidades dom\u00e9sticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00e9cnica consiste em tingir os tecidos com tonalidades de azul obtido a partir do uso de tinta extra\u00edda das folhas da planta chamada indigo. Nike adicionou um novo ingrediente \u00e0 arte, utilizando o batique, uma pintura de tecidos de origem indon\u00e9sia, em pinturas sobre tela e em pain\u00e9is de madeira. Suas obras representam a hist\u00f3ria, as tradi\u00e7\u00f5es e a cosmologia do povo yoruba.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos seis anos de idade, sua m\u00e3e faleceu e aos sete sua av\u00f3 Oraun Iyawo Amujobi tamb\u00e9m faleceu. Por conta do costume de as m\u00e3es pagarem pela escolariza\u00e7\u00e3o dos filhos, Nike teve que sair da St Michael Primary School (Escola Prim\u00e1ria de St. Michael) quando estava no sexto ano. Ent\u00e3o ela passou a trabalhar, carregando concreto para obras e realizou outros trabalhos pesados, por\u00e9m continuou a produzir os tecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos dezesseis anos, seu pai quis for\u00e7\u00e1-la a se casar com um importante pol\u00edtico local. Ela decidiu fugir com um teatro itinerante para Osogbo, e mesmo menor de idade trabalhou como dan\u00e7arina para o grupo dirigido por Taiwo Olaniyi Oyewale no Mbari Mbays Club (Clube de Mbari Mbay). Este local, de propriedade de Uli e Georgina Beir, dois imigrantes alem\u00e3es, na d\u00e9cada de 1960 foi um espa\u00e7o importante para os artistas no renascimento da arte na Nig\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades enfrentadas Okundaye desenvolveu-se profissionalmente e se tornou artista, educadora e filantropa, cujo trabalho ajudou a dar oportunidades econ\u00f4micas para mulheres e jovens. Desde 1983 ela \u00e9 diretora da Nike Center for Art and Culture (Centro de Arte e Cultura Nike), n\u00facleo que ela fundou sem ajuda governamental. O centro oferece cursos em diversas ramos da arte sem custo para jovens nigerianos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1985 ela participou de uma exposi\u00e7\u00e3o organizada pela ONU, em 1989 participou de uma exposi\u00e7\u00e3o no National Museum of Women in the Arts (Museu Nacional das Mulheres nas Artes) em Washington. Dez anos mais tarde abriu uma f\u00e1brica de adire, empregando milhares de mulheres em Kabba, no estado de Kogi. Em 2000 ministrou oficinas de treinamento na It\u00e1lia como parte de um evento contra a prostitui\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2002 Nike abriu um museu e uma galeria de arte e centro de pesquisa para estudo sobre os tecidos adire, o Nike Research Centre for Art and Culture (Centro de Arte e Cultura Nike) na aldeia de Piwoyi. Em janeiro de 2007 a artista participou como facilitadora e painelista da confer\u00eancia mundial Vital Voices: Pan-African leadership summit and initiative for women and girls (Vozes vitais: Iniciativa da c\u00fapula pan-Africana para a lideran\u00e7a de mulheres e jovens), com o trabalho intitulado Art, actvism and women empowerment (Arte, ativismo e empoderamento feminino). Logo depois foi convidada a ministrar palestras e oficinas sobre batique e adire na Universidade do Sul da Fl\u00f3rida.<\/p>\n\n\n\n<p>Nike Okundaye \u00e9 membro da Society of Nigerian Artists (Sociedade dos Artistas Nigerianos) e da Society of Nigerian Women Artists (Sociedade das Mulheres Artistas Nigerianas). \u00c9 casada com o chefe Reuben Osaruyi Okundaye e \u00e9 m\u00e3e e seis filhos. Por sua lideran\u00e7a, ativismo e compromisso com as comunidades tradicionais, com as mulheres e jovens, ela recebeu diversos t\u00edtulos e distin\u00e7\u00f5es, entre os quais os de \u201cYeye Oba\u201d, \u201cOgidi-Ijumu\u201d e \u201cYeye Tasase\u201d em Osogbo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CASTELLOTE, Jess. Tola Wewe, Nike Okundaye and the emergence if third artist: \u201cNike &amp; Wewe. In:&nbsp; <strong>A view from my corner<\/strong>, 2009: <a href=\"http:\/\/jesscatellote.wordpress.com\/2009\/11\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/jesscatellote.wordpress.com\/2009\/11\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>VAZ, Kim Marie. <strong>The woman with the artistic brush<\/strong>: a like history of youruba batik artist Nike Davies. Armonk; M. E, Sharpe, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>VAZ, Kim Marie. \u201cNike Monica Okundaye\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 25-26.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artista t&ecirc;xtil e pintora nigeriana, nasceu em Ogidi-Ijumu, Estado de Kogi, na Nig&eacute;ria.&nbsp; Ela trabalha com adire, uma t&eacute;cnica tradicional de tecelagem desenvolvida pelas mulheres yoruba da Nig&eacute;ria. Sua bisav&oacute;, a yalode chamada Osadaun Ibitola, produzia tecidos adire e apresentou &agrave; Nike essa arte tradicional. 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