{"id":917,"date":"2020-06-24T15:45:10","date_gmt":"2020-06-24T15:45:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=917"},"modified":"2021-01-22T18:09:09","modified_gmt":"2021-01-22T18:09:09","slug":"deolinda-rodrigues-1939-1967","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/deolinda-rodrigues-1939-1967\/","title":{"rendered":"Deolinda Rodrigues (1939-1967)"},"content":{"rendered":"\n<p>Nascida como Deolinda Rodrigues Francisco de Almeida, em Cateste, Angola, era prima de Agostinho Neto, o primeiro presidente do pa\u00eds ap\u00f3s a independ\u00eancia de Portugal. Recebeu a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em escola mission\u00e1ria, recebeu bolsa de estudos da Igreja Metodista (1959) para estudar sociologia em S\u00e3o Paulo, no Brasil, onde morou por 1 ano e meio. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste per\u00edodo, Portugal e Brasil estabeleceram o tratado que permitia Portugal extraditar pessoas consideradas amea\u00e7a \u00e0 estabilidade do estado de Portugal e suas col\u00f4nias. Temendo ser presa por suas opini\u00f5es pol\u00edticas anticoloniais ela buscou asilo nos Estados Unidos e estudou na Drew University, em Nova Jersey. Regressou a Angola em 1962 e integrou o Corpo de Volunt\u00e1rios de Assist\u00eancia aos Refugiados de Angola, em Leopoldville, tornando-se secret\u00e1ria da organiza\u00e7\u00e3o e membro do Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA). Mobilizou mulheres para se unirem \u00e0 luta de liberta\u00e7\u00e3o, sendo a \u00fanica mulher membro do comit\u00ea central da organiza\u00e7\u00e3o a assumir sua presid\u00eancia. Foi tamb\u00e9m fundadora e presidente da <em>Organiza\u00e7\u00e3o das Mulheres Angolanas<\/em> (OMA).<\/p>\n\n\n\n<p>Suas obras foram publicados ap\u00f3s sua morte e incluem <em>Poesia Angolana de Revolta<\/em> (2003), <em>Cartas de Langidila e outros Documentos<\/em> (2004) e o livro <em>Di\u00e1rio de Um Ex\u00edlio Sem Regresso<\/em>. Em seus di\u00e1rios, destaca os pap\u00e9is assumidos pelas mulheres no ex\u00edlio, na liberta\u00e7\u00e3o e lutas cotidianas. No poema <em>Mam\u00e3e<\/em>, reconhece o colonialismo e a liberta\u00e7\u00e3o como problemas n\u00e3o exclusivo de Angola, mas de toda a \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no Brasil, escreveu uma carta a Martin Luther King Jr em que lhe pede conselhos sobre como obter independ\u00eancia em Angola. Ele respondeu a ela dizendo que o movimento de liberta\u00e7\u00e3o precisava de um l\u00edder que atuasse como s\u00edmbolo unificador, que a administra\u00e7\u00e3o portuguesa atacaria essa pessoa ou grupo e esse ataque fortaleceria o movimento pela independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Deolinda foi aprisionada em 1963 e torturada na pris\u00e3o de Kinkuzu. Ela morreu em 1967 durante um ataque da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional de Angola &#8211; FNLA, junto com mais 20 pessoas de seu batalh\u00e3o. Em sua homenagem, o governo angolano celebra o dia &nbsp;02 de mar\u00e7o, anivers\u00e1rio de sua morte, como Dia Nacional da Mulher, e deu o seu nome a uma avenida em Luanda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>RODRIGUES, Isabel Feo; Sheldon, Kathleen.&nbsp; \u201cOutras Vozes\u201d: women&#8217;s writings in lusophone Africa. <strong>African and Asian Studies<\/strong>, v.7, p. 423-445, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>PAREDES, Margarida. <strong>Combater duas vezes: mulheres e luta armada em Angola<\/strong>. Porto: Verso da Hist\u00f3ria, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>THOMPSON, Drew. \u201cDeolinda Rodrigues\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 212-213.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascida como Deolinda Rodrigues Francisco de Almeida, em Cateste, Angola, era prima de Agostinho Neto, o primeiro presidente do pa&iacute;s ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia de Portugal. Recebeu a educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria em escola mission&aacute;ria, recebeu bolsa de estudos da Igreja Metodista (1959) para estudar sociologia em S&atilde;o Paulo, no Brasil, onde morou por 1 ano e meio. 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