{"id":961,"date":"2020-06-25T02:53:21","date_gmt":"2020-06-25T02:53:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=961"},"modified":"2021-01-22T19:54:09","modified_gmt":"2021-01-22T19:54:09","slug":"mosadi-seboko-1950","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/mosadi-seboko-1950\/","title":{"rendered":"Mosadi Seboko (1950)"},"content":{"rendered":"\n<p>Primeira mulher a se tornar chefe suprema em Botswana, \u00e9 a filha mais velha do kgosi (chefe supremo; rei) Mokgosi III. &nbsp;Mosadi, que se traduz como \u201cmulher\u201d na l\u00edngua setswana, nasceu em Ramotswa, uma aldeia a cerca de 32 km ao sul da capital, Gaborone, que \u00e9 tamb\u00e9m a capital do grupo \u00e9tnico Balete ou Bamalete.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela realizou os estudos no Col\u00e9gio de Moedin, na aldeia de Otse e na Escola de Ultramar de Cambridge, onde se formou em 1969. Na juventude, come\u00e7ou a trabalhar para ajudar a m\u00e3e e os(as) sete irm\u00e3(o)s, uma vez que, depois que o pai morreu (1966) a reg\u00eancia passou ao irm\u00e3o dele. Entrou no Barclays Bank (1971-1995) onde se tornou gerente e administradora de departamento, e depois foi gerente em um escrit\u00f3rio em Broadhurst (2001).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Quando o tio dela morreu (1996), a fun\u00e7\u00e3o real passou ao seu irm\u00e3o, que foi nomeado como chefe supremo como kgosi (rei) Seboko II, e ap\u00f3s a morte deste em 2001 sem deixar herdeiros os tios paternos indicaram um primo dela alegando que as mulheres n\u00e3o serviam para serem chefes supremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradicionalmente as mulheres eram autorizadas a participar nas assembleias de aldeia (kgotlas) apenas se fossem convidadas a fornecer informa\u00e7\u00f5es ou evid\u00eancias em processos judiciais, como testemunhas, mas poderiam, no entanto, servir como regentes. Seboko desafiou o costume e, com o apoio da m\u00e3e e das irm\u00e3s, assumiu a reg\u00eancia. Estando na fun\u00e7\u00e3o, desafiou uma vez mais as tradi\u00e7\u00f5es e exigiu que fosse nomeada como chefe supremo, uma posi\u00e7\u00e3o que ela argumentava ser legitimamente sua, e tomou como base a Constitui\u00e7\u00e3o do Botswana, que pro\u00edbe qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o, inclusive de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Mosadi foi apoiada em suas demandas pelo movimento de mulheres representado por Emang Basadi, um grupo de ativistas e pol\u00edticos de alto escal\u00e3o, incluindo mulheres ministras de gabinete. Em dezembro de 2001, em uma reuni\u00e3o em Ramotswa com centenas de representantes da etnia Balete, a corte real a elegeu como a primeira chefe suprema feminina, e o ministro do governo local de Botswana, Dr. Margaret Nasha, aprovou sua nomea\u00e7\u00e3o. Em 7 de janeiro de 2002 Seboko assumiu oficialmente a posi\u00e7\u00e3o de chefe supremo dos Balete e prestou juramento na Ntlo-ya-Dikgosi (Casa dos Chefes), uma assembleia consultiva de grande influ\u00eancia e dotada de poder de decis\u00e3o em certas mat\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 03 de agosto de 2003 ela foi instalada como Kgosigadi (chefe) Mosadi Seboko em uma cerim\u00f4nia em que compareceram mais de trinta mil pessoas. Devido \u00e0 grande repercuss\u00e3o assumida pela controv\u00e9rsia o pr\u00f3prio presidente e o alto escal\u00e3o do governo compareceram. Ela foi envolta em uma pele de leopardo e recebeu uma lan\u00e7a e um escudo, s\u00edmbolos de poder da monarquia tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p>Seboko preside a corte tradicional dos Balete, resolvendo determinados processos judiciais, e representa os interesses de seu povo junto ao governo federal. Em 2010 ela esteve \u00e0 frente de um grupo no Supremo Tribunal de Lobatse para defender os seus direitos contra as viola\u00e7\u00f5es promovidas por uma grande empresa de extra\u00e7\u00e3o de pedras. Ela defendeu o empoderamento das mulheres e \u00e9 reconhecida como um s\u00edmbolo delas, e sua instala\u00e7\u00e3o no poder foi vista como um grande passo em frente para as mulheres no Botswana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>LESLIE, Agnes. \u201cMosadi Seboko\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 316-317.<\/p>\n\n\n\n<p>MATEMBA, Yonah Hisbon. A chief called <strong>\u201c<\/strong>Woman\u201d: historical perspectives on the changing face of Bogosi (chieftainship) in Botswana, 1834-2004. <strong>JENDA: a Journal of Culture and African Women Studies<\/strong>, v.7, 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeira mulher a se tornar chefe suprema em Botswana, &eacute; a filha mais velha do kgosi (chefe supremo; rei) Mokgosi III. &nbsp;Mosadi, que se traduz como &ldquo;mulher&rdquo; na l&iacute;ngua setswana, nasceu em Ramotswa, uma aldeia a cerca de 32 km ao sul da capital, Gaborone, que &eacute; tamb&eacute;m a capital do grupo &eacute;tnico Balete ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5343,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"no","_lmt_disable":""},"categories":[1],"tags":[355,306,320],"modified_by":"ramon","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/961"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/961\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}