{"id":973,"date":"2020-06-25T03:25:04","date_gmt":"2020-06-25T03:25:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=973"},"modified":"2021-01-28T13:55:08","modified_gmt":"2021-01-28T13:55:08","slug":"shajarat-al-durr-1257","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/shajarat-al-durr-1257\/","title":{"rendered":"Shajarat al-Durr (+ 1257)"},"content":{"rendered":"\n<p>Tamb\u00e9m referenciada como Shaja al-Durr, que em \u00e1rabe significa \u201c\u00c1rvore de P\u00e9rolas\u201d. Seu nome completo era al-Malika Asmat ad-Din Umm-Khalil Shajarat ad-Durr, e por vezes aparece nomeada como Umm Khalil, a \u201cm\u00e3e de Khalil. Nascida em local incerto, muito provavelmente no atual Turcomenist\u00e3o, foi levada como escrava para a S\u00edria, onde passou a integrar o har\u00e9m do sult\u00e3o a-Salih, da dinastia ayyubida, que governava o Egito desde 1238. Ela se tornou sua concubina favorita, teve um filho dele, e depois se tornou sua principal consorte.<\/p>\n\n\n\n<p>Os historiadores s\u00e3o un\u00e2nimes quanto a enorme habilidade pol\u00edtica de Shajarat al-Durr, e que a mesma j\u00e1 exercesse alguma influ\u00eancia no governo do marido, mas sua influ\u00eancia e dom\u00ednio pol\u00edtico no Egito ocorreu em 1249-1250, quando um ex\u00e9rcito de cavaleiros cruzados francos, sob a lideran\u00e7a do rei Lu\u00eds IX, atacou a cidade de Damietta. Com o apoio de generais e ministros de origem turca, conhecidos como mamelucos, ela ocultou a morte do marido, organizou a resist\u00eancia e infligiu uma derrota ao invasor, que acabou derrotado e o rei franc\u00eas, aprisionado e depois resgatado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fim da 7\u00aa cruzada, sua autoridade ficou estabelecida. Com o apoio do general Aybeck ela venceu e eliminou o sucessor do sult\u00e3o e se proclamou governanta \u00fanica com o t\u00edtulo de sultana, mandando cunhar moedas com a sua ef\u00edgie e o seu nome como \u201crainha dos mu\u00e7ulmanos e m\u00e3e de Khalil\u201d, fato rar\u00edssimo na hist\u00f3ria dos estados isl\u00e2micos. Sua ascens\u00e3o despertou forte oposi\u00e7\u00e3o na S\u00edria, entre os membros da linhagem ayyubida, que a contestavam tanto por ser mulher quanto por ter origem escrava. Ela ent\u00e3o, por conveni\u00eancia, se casou com o general Aybeck, que assim foi elevado ao governo do sultanato, e permaneceu com forte influ\u00eancia na corte at\u00e9 o ano de 1257, quando foi assassinada \u2013 segundo as tradi\u00e7\u00f5es orais, pelas mulheres o har\u00e9m.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua atua\u00e7\u00e3o, ela foi figura chave na fase de transi\u00e7\u00e3o entre a dinastia ayuubida e a dinastia de sult\u00f5es mamelucos, que, como ela, eram de origem turca, e controlariam o Egito at\u00e9 o ano de 1516 \u2013 quando o pa\u00eds caiu sob dom\u00ednio otomano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XX, Sharajat al-Durr se tornaria uma inspira\u00e7\u00e3o para as feministas \u00e1rabes. Em discursos e publica\u00e7\u00f5es, figuras femininas excepcionais na hist\u00f3ria isl\u00e2mica, como ela, foram lembradas para refor\u00e7ar o apoio \u00e0 ideia de que as mulheres deveriam ser educadas e envolvidas na vida p\u00fablica. Uma das revistas da imprensa feminina eg\u00edpcia na virada do s\u00e9culo XXI traz seu nome, que tamb\u00e9m \u00e9 invocado por feministas \u00e1rabes contempor\u00e2neas como a marroquina Fatima Mernissi.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>DUNCAN, David. Scholarly views of Shajarat al-Durr: a need for consensus. <strong>Arab Studies Quarterly<\/strong>, v. 22, n. 1, p. 51-69, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;FARAH, Shoukry. <strong>The conservation history of the mausoleum of Shajarat al-Durr<\/strong>. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado (Arte e Arquitetura Isl\u00e2mica), The American University in Cairo, 2015<strong><u>: <\/u><\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/dar.aucegypt.edu\/handle\/10526\/4537\" target=\"_blank\">http:\/\/dar.aucegypt.edu\/handle\/10526\/4537<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>HUFFAKER, Shauna. \u201cShajarat al-Durr\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 347-348.<\/p>\n\n\n\n<p>WOLF, Caroline. \u201cThe pen has extolled her virtues\u2019: gender and power within the visual legacy of Shajar al-Durr in Cairo. In: GharipourGHARIPOUR, Mohammed; SCHICK, Irvin (Eds.).<strong> Caligraphy and archicteture in the muslim world<\/strong>. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2013: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.academia.edu\/download\/41008518\/GHARIPOUR_11_Proof_1.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.academia.edu\/download\/41008518\/GHARIPOUR_11_Proof_1.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tamb&eacute;m referenciada como Shaja al-Durr, que em &aacute;rabe significa &ldquo;&Aacute;rvore de P&eacute;rolas&rdquo;. Seu nome completo era al-Malika Asmat ad-Din Umm-Khalil Shajarat ad-Durr, e por vezes aparece nomeada como Umm Khalil, a &ldquo;m&atilde;e de Khalil. 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