{"id":986,"date":"2020-06-25T04:10:34","date_gmt":"2020-06-25T04:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=986"},"modified":"2021-01-22T18:59:09","modified_gmt":"2021-01-22T18:59:09","slug":"joyce-nomafa-sikakane-1943","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/joyce-nomafa-sikakane-1943\/","title":{"rendered":"Joyce Nomafa Sikakane (1943)"},"content":{"rendered":"\n<p>Jornalista, ativista anti-apartheid, escritora e produtora de filmes, nasceu no distrito de Soweto. Filha do acad\u00eamico Jonathan Mandlenkosi Sikakane, co-autor do primeiro dicion\u00e1rio ingl\u00eas-zulu (1972), filho do proeminente membro fundador do Congresso Nacional Africano (ANC) e ex-ministro negro da Igreja Luterana da \u00c1frica do Sul, o reverendo Absolum Mbulawa. Sua m\u00e3e, Amelia Nxumalo, professora e costureira, era descendente da realeza Suazi pelo seu lado materno.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tentativa de proteg\u00ea-la do curr\u00edculo degradante e racista imposto pelo Estado, institucionalizado pela Lei de Educa\u00e7\u00e3o Bantu, Joyce foi enviada para escolas particulares e cat\u00f3licas. Ap\u00f3s sua gradua\u00e7\u00e3o da escola secund\u00e1ria em 1963, ela recusou-se a participar de um dos tribunais tribais segregados e, com o incentivo de seu professor, decidiu seguir carreira no jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu primeiro cargo foi como rep\u00f3rter do jornal <em>The World<\/em>, de Johanesburgo, que era dirigido ao p\u00fablico urbano. Ela foi encorajada a escrever hist\u00f3rias que relatassem os crimes e o caos de Soweto, sem discutir quest\u00f5es pol\u00edticas, raciais e econ\u00f4micas. Ap\u00f3s dois anos, frustrada com as limita\u00e7\u00f5es do jornal, ela se aproximou do editor de um jornal mais liberal e pol\u00edtico, o Rand Daily Mail.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo iniciado a carreira como rep\u00f3rter eventual (freelance), ela foi a primeira mulher africana a trabalhar no South African Associated Newspaper Group. Construiu s\u00f3lida reputa\u00e7\u00e3o profissional ao escrever hist\u00f3rias sobre a realoca\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de comunidades negras e de pessoas de cor sob as leis de \u201creassentamento\u201d do governo do Apartheid. Seu envolvimento direto no partido African National Congress &#8211; ANC (Congresso Nacional Africano), com divulga\u00e7\u00e3o de material de divulga\u00e7\u00e3o em nome das fam\u00edlias de presos pol\u00edticos levou a que ela pr\u00f3pria fosse presa em 1969 junto com Winnie Mandela e outros ativistas, e enviada para a Pris\u00e3o Central de Pret\u00f3ria, onde permaneceu durante nove meses, e mantida sob vigil\u00e2ncia do regime a partir de 1970. Advertida de que ela e outros ativistas corriam perigo ela deixou a \u00c1frica do Sul em 1973 e se casou com o escoc\u00eas Kenneth Rankin, de quem tinha um filho nascido em 1966, e com quem teve mais quatro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1977 ela publicou o livro <em>Window on Soweto<\/em> (Janela em Soweto), que combina mem\u00f3rias, historiografia urbana e an\u00e1lise sociol\u00f3gica. A obra foi proibida na \u00c1frica do Sul, e o dinheiro arrecadado pela sua venda foi empregado na ajuda aos presos pol\u00edticos sul-africanos. Nela Joyce Sikakane apresenta um dos mais importantes registros do levante estudantil e do subsequente massacre de Soweto em 1976.<\/p>\n\n\n\n<p>No ex\u00edlio, passou pela Z\u00e2mbia, Botswana, Suazil\u00e2ndia, Mo\u00e7ambique, Zimb\u00e1bue, Alemanha, Inglaterra e Esc\u00f3cia, em seu ativismo junto ao ANC. Ela trabalhou como jornalista, pesquisadora, escritora, e se envolveu em radiodifus\u00e3o e cinema. Foi produtora assistente em Samora Machel: Son of Africa (Samora Machel: o filho da \u00c1frica) (1987), assessora t\u00e9cnica do filme <em>World Apart<\/em> (Mundo distante) (1988), produtora de <em>Zimbahwe: the new struggle<\/em> (Zimbabwe: a nova luta) (1990).<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fim do Apartheid, Joyce e sua fam\u00edlia retornaram \u00e0 \u00c1frica do Sul (1995) e algum tempo depois ela testemunhou perante a Comiss\u00e3o da Verdade e Reconcilia\u00e7\u00e3o (1997), como parte de uma audi\u00eancia especial sobre mulheres. Ela voltou a trabalhar no campo das comunica\u00e7\u00f5es como editora de not\u00edcias de r\u00e1dio e televis\u00e3o para a South Africa Broadcasting Company, e como produtora de cinema, tendo a sua trajet\u00f3ria reconhecida e homenageada com pr\u00eamios como Lifetime Achievement Award da Vodacom (2007).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>DRIVER, Dorothy. Joyce Sikakane, working on the mail. &nbsp;In: &nbsp;Daymond, M. J. (Ed.).&nbsp; <strong>Women writing Africa<\/strong>: the Southern Region. Nova Iorque: The Feminist Press at City University of New York, 2003, p. 348-353.<\/p>\n\n\n\n<p>HOUSTON, Gregory; Magubane, Bernard. The ANC political underground in the 1970s. In: Magubane, Bernard (Ed.). <strong>The road to democracy in South Africa<\/strong>, v. 2, 1970-1980. Cape Town: Zebra Press, 2004, p. 371-451.<\/p>\n\n\n\n<p>IMMA, Z\u2019Etoile. \u201cJoyce Nomafa Sikakane\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 379-380.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista, ativista anti-apartheid, escritora e produtora de filmes, nasceu no distrito de Soweto. Filha do acad&ecirc;mico Jonathan Mandlenkosi Sikakane, co-autor do primeiro dicion&aacute;rio ingl&ecirc;s-zulu (1972), filho do proeminente membro fundador do Congresso Nacional Africano (ANC) e ex-ministro negro da Igreja Luterana da &Aacute;frica do Sul, o reverendo Absolum Mbulawa. 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