{"id":998,"date":"2020-06-25T04:45:36","date_gmt":"2020-06-25T04:45:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/?p=998"},"modified":"2021-01-22T20:33:43","modified_gmt":"2021-01-22T20:33:43","slug":"siti-binti-saadi-1880-1955","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/africanas\/siti-binti-saadi-1880-1955\/","title":{"rendered":"Siti Binti Saadi (1880\u20131955)"},"content":{"rendered":"\n<p>Cantora tanzaniana, filha de agricultores pobres de Zanzibar. Batizada como Mtumwa, termo que em sua\u00edle significa \u201cescravo\u201d, nasceu em um per\u00edodo em que cerca de tr\u00eas quartos da popula\u00e7\u00e3o de Zanzibar era comercializada pelos mercadores \u00e1rabes e afro-mu\u00e7ulmanos. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A popularidade local e regional de Siti ocorreu n\u00e3o apenas por causa de sua voz e da m\u00fasica, mas tamb\u00e9m do fato de ter se tornado um \u00edcone para pessoas de origem pobre e servil \u201csobreviverem\u201d no in\u00edcio do s\u00e9culo XX ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o. Siti foi vocalista feminina em uma banda que se tornou a primeira da \u00c1frica Oriental a gravar e produzir um disco de gramofone. Considerada por muitos como a m\u00e3e da m\u00fasica contempor\u00e2nea <em>taarab<\/em>, ela popularizou o canto da poesia kiswahili com acompanhamento de instrumentos musicais origin\u00e1rios da Ar\u00e1bia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Adulta, come\u00e7ou a estudar o Alcor\u00e3o, aplicando seus talentos como vocalista na recita\u00e7\u00e3o. Na d\u00e9cada de 1910, ela era uma das mais procuradas int\u00e9rpretes de leituras cor\u00e2nicas para casamentos e outras ocasi\u00f5es em Zanzibar. No decorrer de uma de suas recita\u00e7\u00f5es, um destacado membro da sociedade de Zanzibar ficou t\u00e3o emocionado pela recita\u00e7\u00e3o do Livro por Mtumwa, que lhe conferiu o t\u00edtulo de \u201cSiti\u201d, que significa Senhora, que a partir daquele momento passou a ser parte e seu nome.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1928 ela viajou de Zanzibar com sua banda para Bombaim, \u00cdndia, onde gravou centenas de m\u00fasicas. Essas grava\u00e7\u00f5es venderam quase 72 mil c\u00f3pias de discos nos tr\u00eas anos seguintes, espalhando o nome de Siti e a fama do <em>taarab<\/em> por toda a \u00c1frica Oriental, Oceano \u00cdndico e Ar\u00e1bia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por seu sucesso como artista, Siti tornou-se uma das mulheres mais influentes e respeitadas na \u00c1frica Oriental do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Muitas de suas can\u00e7\u00f5es abordam quest\u00f5es de desigualdade econ\u00f4mica, discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e o chauvinismo das autoridades coloniais brit\u00e2nicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FAIR, Laura. <strong>Pastimes and politics<\/strong>: culture, community and identity in post-abolition urban Zanzibar, 1890-1945. Athens: Ohio University Press, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>FAIR, Laura. \u201cSiti Binti Saadi\u201d. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). <strong>Dictionary of African Biography<\/strong>. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 403-404.<\/p>\n\n\n\n<p>SHAABAH, Robert. <strong>Wasifu wa Siti binti Saad<\/strong>. Dar es-Salaam: Mkuki na Nyota, 1991.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cantora tanzaniana, filha de agricultores pobres de Zanzibar. 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