Os professores Luiz Carlos Federizzi e Marcelo Teixeira Pacheco, do Departamento de Plantas de Lavoura e PPG Fitotrecnia, da Faculdade de Agronomia / UFRGS, foram agraciados com o 2º. Lugar do Prêmio Péter Murányi 2019 (18ª. edição), cujo tema foi Ciência & Tecnologia, com o projeto “Desenvolvimento de cultivares de aveia para o sub-trópico”, a partir de indicação feita pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS).

A cerimônia de entrega do prêmio ocorreu em São Paulo, no último dia 25 de abril, com a presença do Prof. Federizzi, acompanhado pelo Diretor da FAGRO, Prof. Carlos Alberto Bissani, representando também a Reitoria da UFRGS. Infelizmente o Prof. Marcelo Pacheco não pôde estar presente à solenidade, impossibilitado de viajar por motivo de saúde.

O 1º. Lugar do Prêmio foi obtido pelo Prof. Luiz Augusto Toledo Machado e equipe, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com o projeto “SOS - CHUVA (Sistema de Observação e Previsão de Tempo Severo)“, indicado pelo próprio INPE. O 3º. Lugar coube ao Prof. João Batista Calixto, da Universidade Federal de Santa Catarina, com o projeto "Desenvolvimento do medicamento Acheflan® a partir da planta brasileira Cordia verbenacea“, indicado pela ABC - Academia Brasileira de Ciências.

O trababalho dos professores Federizzi e Pacheco e sua equipe, baseado em programa desenvolvido há mais de 45 anos na FAGRO e na Estação Experimental Agronômica (EEA) da UFRGS, focando no melhoramento genético de aveia, foi reconhecido pela sua grande contribuição em tornar o Brasil autossuficiente na produção desta cultura. O uso de sementes produzidas no Brasil, hoje em sua maioria representadas por cultivares desenvolvidas por este programa, reduziu os custos de produção dos cultivos, ampliou a produção e possibilitou o surgimento de novos negócios relacionados a esta cultura. Até o início da década de 90, o Brasil importava este cereal para complementar o consumo interno. Na década de 70, o rendimento das lavouras raramente chegava a 2.000 kg/ha e a média nacional era menor que 900 kg/ha, sendo que a produção brasileira não ultrapassava 20.000 toneladas. Segundo a CONAB (Companhia Brasileira de Abastecimento), em 2018, foram cultivados 353.700 ha, com produção estimada em 837.500 toneladas. Esta marcante mudança de cenário é devida ao programa de melhoramento genético de aveia da UFRGS, visando o desenvolvimento de cultivares de aveia com alto potencial de produção de grãos, ampla adaptação aos ambientes subtropicais e resistência às pragas comuns no Brasil, que costumavam causar grandes prejuízos às colheitas. Os cultivares produzidos e adotados por produtores de toda a região Sul do Brasil permitiram também o surgimento de pequenas empresas processadoras de grãos nos três estados, proporcionando emprego e renda para as comunidades locais. Atualmente, as cultivares desenvolvidas pelo programa, em trabalho contínuo, com uso de melhoramento clássico a técnicas de biologia molecular, são também exportadas para o Uruguai, Argentina, Índia e EUA.

O Prêmio Péter Murányi é realizado anualmente pela Fundação Péter Murányi, de São Paulo, e é um importante reconhecimento a projetos nos temas da Saúde, Ciência & Tecnologia, Alimentação e Educação, que se alternam a cada edição, sendo repetidos a cada quatro anos. A edição 2019 (18ª. edição) teve como tema Ciência & Tecnologia, focando no uso da tecnologia para melhor qualidade de vida das populações, e recebeu a indicação de mais de 149 trabalhos, de toda a América Latina. Os vencedores foram escolhidos por um júri composto por representantes de entidades nacionais e internacionais ligadas à ciência e tecnologia, representantes de universidades federais, estaduais e privadas, personalidades de renome e membros da sociedade.

 Esta premiação contou com o apoio da ABC (Academia Brasileira de Ciências), ACIESP (Academia de Ciências do Estado de São Paulo), ACONBRAS (Associação dos Cônsules no Brasil), ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras), CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

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