SEMINÁRIOS DO PPG CS

 
 
VARIABILIDADE SAZONAL DAS EMISSÕES DIRETAS DE N2O EM CAMPO  NATIVO DO SUL DO BRASIL
 
Engenheiro Agrônomo e Mestre em Ciência do Solo Diego Fernandes de Bastos
 
Orientador: Cimélio Bayer
 
07/06/2018 às 14 horas - SALA PG08
 
 
Resumo
 
Sistemas de produção com pastejo animal são potenciais fontes de  emissão de óxido nitroso (N2O) para atmosfera devido à deposição de  nitrogênio sobre o solo via excretas animais (urina e fezes). No  Brasil, devido às grandes áreas ocupadas por sistemas de pastoreio  extensivo, a deposição de excretas chegam a representar 60% do total  de N2O emitido em solos agrícolas. Apesar da importância dessas fontes  emissoras, ainda são escassas as informações sobre o seu real impacto  nas emissões globais de N2O, sobretudo em ambientes subtropicais como  os do sul do Brasil. Diante disso, foi conduzido um estudo de campo,  com o objetivo de avaliar as emissões diretas de N2O a partir da urina  e esterco bovino sob efeito das diferentes estações do ano,  determinando seus respectivos fatores de emissão (FE). O experimento  foi realizado em campo nativo localizado na Estação Experimental  Agronômica da UFRGS. Foram aplicadas doses de urina e esterco no  início de cada estação de 2016 e as emissões de N2O avaliadas ao longo  desse ano. Os fluxos diários de N2O do solo foram obtidos através do  método de câmaras estáticas e as concentrações de N2O foram  determinadas por cromatografia gasosa (GC-Shimadzu 14A). Os fluxos de  N2O do solo para o tratamento com urina variaram de -2,3 a 250,4 g de  N-N2O ha-1 dia-1 entre as estações do ano, com picos de emissão  observados em até 20 dias após a aplicação da urina. As emissões de  N2O devido à deposição de esterco foram baixos em todas as estações do  ano. As emissões acumuladas de N2O foram afetadas pela estação do ano  e tipo de excreta. A maior emissão acumulada de N2O foi observada na  estação Primavera para o tratamento com urina (5,85 kg N-N2O ha-1). Os  FE’s para a urina bovina variaram de 0,34 a 2,2% entre as estações do  ano e de 0,008 a 0,029% para o esterco. A dissimilaridade entre  fatores de emissão de N2O para urina e esterco encontrada neste  estudo, indica a necessidade de ser considerado FE’s distintos para  cada tipo de excreta. Além disso, os resultados indicam que, para a  região subtropical do Brasil, os valores de FE variam entre as  estações do ano devido à influência das variáveis ??climáticas  (temperatura e precipitação) e, considerando todas as estações, o  FE-N2O médio é menor do que os índices recomendados pelo IPCC.