SEMINÁRIOS DO PPG CS

DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS PARA USO FORENSE APLICADAS À RASTREABILIDADE DE Cannabis sativa L. (MACONHA) EM TERRITÓRIO BRASILEIRO

 

Mauro Sander Fett,  Engº Agr, MSc Econ. Rural.

Orientador: Prof. Flávio Anastácio de Oliveira Camargo

Local: Sala PG08                   Data: 21/06/2017 às 14 horas


Resumo:

 

A maconha (Cannabis sativa L.) é a droga ilícita mais utilizada
no mundo e no Brasil também existem inúmeros locais de cultivo, incluindo
os atuais plantios no interior de domicílios, que originam diferentes rotas
de tráfico da droga e apreensões que representam em torno de 250 toneladas
anuais pela Polícia Federal. Os estudos envolvendo substâncias ilícitas é
uma das áreas de abrangência das ciências forenses que visam associar
conhecimento científico na busca de indícios para investigação ou provas
para a justiça. A rastreabilidade ou identificação da origem de drogas é
uma informação determinante para obtenção de rotas de tráfico e representa
um dos mais importantes condicionantes do controle e erradicação, sendo
possível fornecer provas materiais necessárias e aceitas na condenação de
criminosos (produtores e traficantes). Devido a diversidade de fatores
envolvidos na relação planta/ambiente (maconha/solo) somente uma abordagem
científica e sistêmica pode fornecer os subsídios necessários para o
estabelecimento da rastreabilidade (identificação e procedência) com a
busca de diferentes marcadores/indicadores para atender toda a complexidade
exigida na consolidação aplicada deste conceito de rastreabilidade da
maconha. Neste contexto, propõe-se a observação conjunta de resultados de
métodos químicos, físicos, isotópicos e moleculares que possam servir para
integrar um sistema de rastreabilidade da maconha. As amostras processadas
no trabalho foram obtidas em operações de erradicação de maconha no
nordeste brasileiro (PE e BA), plantas cultivadas a partir de sementes
apreendidas pelo correio e apreensões policiais, todas com apoio da Polícia
Federal. Foram realizadas as análises multielementar (composição química)
de amostras de solo, solo rizosférico, raiz, e parte aérea das plantas;
análises isotópicas da parte aérea das plantas; e, análises com marcadores
genéticos no tecido vegetal das plantas. Os resultados foram submetidos,
estatisticamente, à análise discriminante múltipla para verificar o
agrupamento das amostras de acordo com seu local de plantio/origem. Com
isso, foi observado que as análises multielementar, especialmente de raiz e
parte aérea, e de marcadores genéticos foram capazes de agrupar
corretamente as amostras, conforme seu local de plantio/origem, o que não
aconteceu para a análise isotópica.